Uma fotografia registrada em março de 2025 voltou a chamar atenção no contexto das investigações sobre as fraudes envolvendo descontos indevidos em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A imagem mostra o senador Flávio Bolsonaro ao lado do senador Weverton Rocha e do advogado Willer Tomaz durante uma viagem à África do Sul.
De acordo com informações divulgadas pela imprensa, a fotografia foi obtida pela Polícia Federal a partir do celular de Weverton Rocha, apreendido no curso das investigações relacionadas à chamada Operação Sem Desconto. O registro teria sido compartilhado em março de 2025 em um grupo de WhatsApp criado para reunir os participantes da viagem, que também contou com as esposas dos envolvidos.
A viagem ocorreu antes de a Operação Sem Desconto se tornar pública, em abril de 2025. A operação investiga um esquema relacionado a descontos associativos indevidos aplicados sobre aposentadorias e pensões de beneficiários do INSS. As investigações avançaram posteriormente e passaram a alcançar diferentes pessoas e empresas suspeitas de envolvimento no esquema.
Weverton Rocha e Willer Tomaz aparecem entre os nomes posteriormente relacionados às apurações. O senador foi alvo de medidas de busca e apreensão no âmbito das investigações, enquanto o advogado também foi alvo de ações policiais em fases posteriores.
A divulgação da fotografia, entretanto, não significa que Flávio Bolsonaro seja investigado por participação nas fraudes do INSS. A imagem comprova a presença dos três homens na mesma viagem, mas não demonstra, por si só, qualquer envolvimento do senador no esquema investigado pela Polícia Federal.
Flávio Bolsonaro afirmou que mantém uma relação de amizade com Weverton Rocha e Willer Tomaz e que a viagem ocorreu em um contexto particular. A existência da fotografia e da viagem, portanto, precisa ser separada de eventuais acusações relacionadas à investigação do INSS.
O caso ganhou repercussão justamente porque a viagem aconteceu poucas semanas antes da operação que revelou publicamente as suspeitas envolvendo descontos indevidos em benefícios previdenciários. A proximidade temporal entre os acontecimentos passou a ser explorada nas reportagens sobre o caso, embora ela, isoladamente, não estabeleça uma ligação entre Flávio Bolsonaro e as irregularidades investigadas.
As investigações continuam buscando esclarecer a extensão do esquema, identificar os responsáveis e determinar como funcionava a estrutura responsável pelos descontos considerados fraudulentos. Eventuais responsabilidades individuais dependem das provas reunidas pelas autoridades e das conclusões dos procedimentos investigativos e judiciais.
Assim, a fotografia é um registro real de uma viagem realizada em março de 2025, mas qualquer conclusão sobre eventual participação de pessoas retratadas nas fraudes do INSS exige elementos adicionais além da imagem.