Nesta segunda-feira (27), funcionários das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) do governo estadual voltaram a denunciar os constantes atrasos salariais, que já se acumulam por dois meses. A situação, que se arrasta desde o ano passado, tem gerado indignação entre os trabalhadores, que cobram respostas da Organização Social IOS e da Fundação Saúde, responsáveis pela gestão das unidades.
Entre os mais afetados estão os profissionais da UPA de Ricardo de Albuquerque, que enfrentam sérias dificuldades financeiras. Muitos deles relatam ter recorrido a empréstimos para suprir necessidades básicas, como alimentação e moradia. “Estamos trabalhando sem saber quando vamos receber. As contas chegam e não temos dinheiro para pagar. É uma situação desesperadora,” afirmou um funcionário que preferiu não se identificar.
Protesto e pressão sobre o governo
Diante da falta de respostas, a manhã desta segunda-feira foi marcada por uma nova mobilização. Agentes do programa Segurança Presente ocuparam o prédio da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), onde funciona o órgão responsável pelo pagamento dos servidores da saúde. Durante o ato, os manifestantes não só cobraram os salários atrasados, mas também exigiram o pagamento do 13º salário de 2024, que ainda não foi depositado.
Com cartazes e palavras de ordem, os servidores demonstraram insatisfação com a gestão estadual e pediram providências imediatas do governador Cláudio Castro. Eles afirmam que a crise no pagamento é recorrente e que, mesmo após diversas tentativas de negociação, a situação continua sem solução.
A origem do problema
Uma das principais dúvidas dos profissionais de saúde é: onde foi parar o dinheiro da Cedae? O estado do Rio de Janeiro arrecadou bilhões com a privatização da companhia de saneamento, com a promessa de investir parte desses recursos na saúde pública. No entanto, os atrasos persistem, e a falta de transparência sobre o destino dos recursos tem alimentado a revolta da categoria.
A Fundação Saúde e a IOS, por sua vez, não têm se pronunciado de forma clara sobre os motivos dos atrasos. Os trabalhadores temem que, sem uma solução definitiva, a crise financeira continue a se agravar, comprometendo o atendimento à população e a qualidade dos serviços prestados nas UPAs.
E agora?
A expectativa dos servidores é que a pressão exercida com as manifestações traga uma resposta rápida do governo estadual. Enquanto isso, muitos seguem trabalhando sob incerteza e enfrentando dificuldades para manter suas famílias.
A população também começa a sentir os reflexos da crise, com relatos de falta de insumos e uma possível paralisação dos serviços caso os salários continuem atrasados.
Veja o vídeo da manifestação: