Homem vai para a UTI após extração de dente do siso por aluna de Odontologia

 

 

Em um episódio que chocou a comunidade acadêmica e médica, um homem foi internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) após ter dentes do siso extraídos por uma aluna da Faculdade de Odontologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Araraquara. O caso, que expõe os riscos das práticas acadêmicas em contextos reais, levanta questões sérias sobre a supervisão e o treinamento de estudantes na área médica.

O paciente, cuja identidade foi preservada, decidiu contar sua experiência em uma entrevista ao G1, revelando detalhes alarmantes sobre o procedimento. Segundo ele, a aluna responsável pela extração estava visivelmente nervosa e insegura. “A moça que foi me atender estava muito nervosa, muito tensa. Ela tentou arrancar os dois dentes de cima e estava tendo muita dificuldade, não conseguia pegar o alicate direito, nem enxergar bem o que fazia”, desabafou o homem.

A intervenção que deveria ser rotineira rapidamente se complicou. “Foi o professor que arrancou os dentes de cima primeiro, e depois ele permitiu que ela tentasse com o dente debaixo. Ela teve dificuldade e demorou cerca de uma hora. Eu já não aguentava mais manter a boca aberta tanto tempo”, explicou o paciente. A angústia e o desconforto foram apenas o começo de uma série de complicações que se seguiriam.

Dois dias após o procedimento, o homem começou a sentir dores intensas e procurou novamente a universidade. Os professores que avaliaram a situação identificaram uma inflamação grave no local da extração. Apesar de realizarem a limpeza e prescreverem antibióticos, o tratamento inicial foi insuficiente. “O problema não resolveu, e na segunda-feira seguinte tive que voltar à faculdade, onde a internação foi imediatamente solicitada”, contou ele. A situação se agravou ao ponto do homem não conseguir abrir a boca sem gritar de dor.

Este incidente levanta importantes questionamentos sobre o preparo e a responsabilidade no ensino prático das universidades, especialmente em cursos que lidam diretamente com a saúde humana. O equilíbrio entre aprendizado prático e a segurança do paciente é um tema crítico e este caso serve como um alarme para revisões nos protocolos de supervisão e treinamento.

Além disso, o caso serve como um lembrete doloroso para os pacientes sobre os riscos potenciais envolvidos em tratamentos realizados em contextos de aprendizado. A Unesp de Araraquara não se pronunciou oficialmente sobre o caso até o momento desta publicação, mas espera-se que o incidente promova uma reflexão interna e ajustes necessários para prevenir futuras ocorrências desta natureza.

A comunidade médica e acadêmica está agora diante de um dilema ético e prático: como garantir que o treinamento necessário aos futuros odontologistas seja seguro tanto para os estudantes quanto para seus pacientes. Este incidente certamente será um caso de estudo nas discussões sobre ética médica e práticas educacionais nas universidades por muitos anos.