Uma cena emocionante em um hospital particular na cidade de SãoPaulo, vem chamando atenção pela força do vínculo entre uma idosa e seu cachorro. Judith Ribeiro de Almeida, de 91 anos, que há meses alternava entre casa e hospital devido a complicações de saúde, apresentou uma melhora surpreendente após reencontrar seu fiel companheiro: um bulldog inglês carinhosamente apelidado de “Bolsonaro”.
Judith vinha enfrentando dias difíceis, com sintomas de falta de ar, sódio desregulado e os primeiros sinais de Alzheimer. A combinação desses fatores a deixou bastante debilitada, exigindo internações frequentes. Em sua última passagem pelo hospital, que durou 25 dias, o filho Daniel Antônio de Almeida, de 48 anos, teve uma ideia que mudaria o quadro clínico da mãe: levar o cachorro até o leito hospitalar.
O cão, de quase três anos, originalmente se chamava Kelvin. Mas, em um episódio que arrancou risos da família, Judith não conseguiu lembrar o nome e o chamou de “Bolsonaro”. Desde então, o apelido pegou, e assim ele é conhecido por todos.
O reencontro foi emocionante. Assim que viu o bulldog, Judith começou a reagir: respirou melhor, riu, interagiu e até voltou a se alimentar. Para o filho, foi um momento marcante. “Eu não esperava que fosse acontecer algo tão rápido. Ela parecia outra pessoa depois de ver o cão”, contou Daniel.
A equipe hospitalar, sensibilizada com a situação, apoiou a iniciativa e autorizou a entrada do animal, cientes do potencial terapêutico que um vínculo afetivo pode gerar.
A relação entre Judith e “Bolsonaro” é intensa. Ele a acompanha por todos os cômodos da casa, até mesmo ao banheiro. Curiosamente, os vizinhos lembram que, quando era síndica do prédio, Judith não tolerava cachorros. Agora, não desgruda do seu.
A ideia de introduzir um animal de estimação na vida da idosa veio de uma fonoaudióloga, que acreditava que a presença de um cão poderia estimular seu estado emocional e cognitivo. Daniel, inicialmente cético, admitiu ter se surpreendido com os resultados.
Além da emocionante recuperação parcial, a história também revela aspectos marcantes da trajetória de Judith. Natural de Araçatuba, interior de São Paulo, ela construiu uma sólida carreira acadêmica, sendo professora, mestre e doutora em Didática, formando gerações de alunos. Mesmo após a aposentadoria, manteve-se ativa, ministrando aulas de catequese até depois dos 80 anos.
Atualmente, ela recebe atendimento de fisioterapia e fonoaudiologia em casa, além do carinho da família e da presença constante de seu amigo de quatro patas.
O episódio reforça o poder transformador da conexão entre humanos e animais. No caso de Judith, o reencontro com o bulldog “Bolsonaro” foi mais do que uma visita: foi o sopro de vida que reacendeu sua força e esperança.