A declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante um evento realizado na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro, provocou uma forte reação da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) e aumentou ainda mais a tensão política no estado. Durante o discurso, Lula afirmou que, se dependesse da Alerj indicar o governador substituto do Rio, “colocariam um miliciano no cargo”. A fala repercutiu imediatamente nos bastidores políticos e gerou indignação entre deputados estaduais.
Além da declaração envolvendo a assembleia, o presidente também pediu ao governador interino Ricardo Couto que atuasse para prender “os ladrões que governaram esse estado” e deputados que, segundo ele, teriam ligação com milícias. As falas foram vistas por parlamentares fluminenses como um ataque direto ao Legislativo estadual.
Horas depois da repercussão, a Alerj divulgou uma nota oficial afirmando que respeita todas as instituições democráticas, mas que também exige respeito à Assembleia e ao povo do Rio de Janeiro. No comunicado, a Casa classificou como “inaceitável” qualquer tentativa de generalizar ou criminalizar o parlamento fluminense.
O presidente da Alerj, Douglas Ruas, foi além da nota institucional e partiu para o confronto político. Em pronunciamento divulgado nas redes sociais, Ruas afirmou que Lula desrespeitou o estado e declarou que o presidente da República “não tem moral para dar lição sobre combate ao crime organizado”. O deputado também criticou aliados do governo federal no Rio e afirmou que o estado vive um momento de instabilidade política e institucional.
As declarações de Lula dividiram opiniões nas redes sociais e no meio político. Enquanto aliados do presidente afirmam que ele apenas criticou a influência do crime organizado na política fluminense, opositores classificaram a fala como ofensiva e irresponsável.
O episódio aumenta a tensão entre o Palácio do Planalto e lideranças políticas do Rio de Janeiro, em um momento já marcado por disputas e articulações visando as eleições dos próximos anos.