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Mensagens encontradas pela Polícia Civil durante a Operação “A Tropa” colocaram o atacante David, do Vasco, no centro de uma investigação que apura a atuação de um grupo suspeito de envolvimento com tráfico de drogas, comércio ilegal de armas e lavagem de dinheiro no Espírito Santo. O jogador foi alvo de mandado de busca e apreensão, mas não teve a prisão decretada.
De acordo com as informações apresentadas pela polícia, três diálogos chamaram a atenção dos investigadores e levantaram suspeitas sobre a possível relação do atleta com pessoas investigadas. Em uma das conversas, David teria recebido informações sobre uma vítima de tentativa de homicídio e, segundo a investigação, respondeu: “MERECEU TOMAR UNS TIROS MESMO”.
Em outro diálogo citado pela Polícia Civil, o jogador teria recebido a foto de uma pistola. A resposta atribuída a ele foi: “TEM QUE MATAR UM PARA VER DE QUAL É”. Para os investigadores, o conteúdo das mensagens passou a ser analisado dentro do contexto mais amplo da operação.
Um terceiro diálogo envolve a negociação de um Fiat Argo. Segundo o delegado responsável pelo caso, investigados teriam conversado sobre a possibilidade de conseguir dinheiro emprestado com David para trocar o veículo. O carro, ainda conforme a polícia, teria sido utilizado em uma tentativa de homicídio e estaria “queimado”, expressão usada para indicar que o automóvel teria ficado comprometido após supostamente ser empregado em um crime.
A partir dessas informações, a Polícia Civil passou a apurar a hipótese de uma eventual participação de David no financiamento de atividades ligadas ao tráfico de drogas na região de Serra Dourada III, no Espírito Santo. Até o momento, porém, não há informação de denúncia criminal apresentada contra o atacante, e a apuração segue sob segredo de Justiça.
Em depoimento, David admitiu conhecer algumas das pessoas citadas na investigação, mas negou qualquer envolvimento com tráfico de drogas, armas ou financiamento de atividades criminosas. O empresário do atleta, André Cury, também declarou que o jogador não possui ligação com o crime organizado.
O caso ganhou forte repercussão por envolver um jogador de um dos clubes mais tradicionais do futebol brasileiro e por causa do teor das mensagens atribuídas ao atacante. Apesar do impacto do material divulgado, a investigação ainda está em andamento e deverá buscar esclarecer o contexto dos diálogos, a relação de David com os demais investigados e se houve, de fato, qualquer participação financeira ou operacional em ações criminosas.
David permanece na condição de investigado. Ele não foi preso e nega as suspeitas. As autoridades ainda trabalham para reunir provas e esclarecer os fatos.
A operação busca identificar a estrutura financeira e operacional do grupo investigado, além de possíveis conexões entre seus integrantes. Como o processo tramita em sigilo, detalhes adicionais sobre provas, perícias e demais depoimentos não foram divulgados oficialmente. A defesa do jogador poderá contestar as interpretações atribuídas às conversas e apresentar esclarecimentos ao longo do inquérito, enquanto a polícia continua analisando aparelhos, documentos e outros elementos apreendidos.




