O Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) identificou “lesões atípicas” em dois dos 121 mortos durante a megaoperação das polícias Civil e Militar nos complexos do Alemão e da Penha. Segundo o órgão, um dos corpos apresentava marcas de tiros disparados à curta distância, enquanto outro, além do ferimento por arma de fogo, foi encontrado decapitado.
De acordo com o relatório preliminar, essas lesões fogem ao padrão esperado em situações de confronto armado, o que levanta suspeitas sobre possíveis execuções. Diante das irregularidades, o MP-RJ recomendou a análise detalhada das imagens das câmeras corporais utilizadas pelos agentes e também do ambiente dos tiroteios, para verificar se houve violações de direitos humanos durante a operação.
A investigação aponta ainda que a maioria das vítimas apresentava múltiplos ferimentos por projéteis, especialmente na região do tórax, abdômen e dorso — padrão que indica disparos em áreas letais do corpo. Peritos do Instituto Médico-Legal (IML) trabalham na reconstituição das circunstâncias de cada morte, cruzando informações de balística, local de ocorrência e registros de vídeo.
A megaoperação, uma das mais letais da história do estado, foi deflagrada com o objetivo de combater o tráfico de drogas e prender chefes do Comando Vermelho. Entretanto, as denúncias de excessos e violações de protocolos de segurança vêm gerando forte repercussão.
Organizações de direitos humanos cobram transparência e responsabilização pelas mortes, enquanto o governo estadual defende a legalidade da ação, alegando que todos os confrontos foram resultado de reação armada dos criminosos. O MP-RJ, por sua vez, promete ampliar as apurações para determinar se houve execuções sumárias e outras práticas ilegais durante a operação.




