Nada de segurar os gases: entenda os perigos de não liberar o pum e o arroto

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Por Gislene Pereira

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É certo que você já passou por alguma situação (talvez, inúmeras) em que teve de segurar a vontade de fazer pum ou arrotar. Apesar de serem uma resposta fisiológica natural, normalmente esses hábitos são socialmente condenados e, por isso, acabamos fazendo de tudo para que os gases não escapem. Mas será que a atitude é tão bacana para o organismo como é para a imagem que temos a zelar?

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Antes de descobrir os males que acometem seu corpo quando você prende o que está pedindo para sair, é bom entender como os gases foram parar aí dentro.

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Como os gases se formam?

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Tudo o que comemos e bebemos passa pelo nosso sistema digestivo e, parte disso, vai embora em forma de excrementos. Mas, durante esse caminho, certos alimentos fermentam em nosso intestino sob a ação das bactérias que vivem ali. Como resultado, surgem gases (no geral malcheirosos) que precisam deixar seu corpo.

Para piorar, outras atitudes bem comuns ao nosso dia a dia aumentam a quantidade de gás estocado, como conversar enquanto nos alimentamos e comer com pressa. “No primeiro caso, o ar que engolimos junto da comida, bebida e ao falar, vai para o estômago e é liberado em forma de arroto”, diz o gastroenterologista Juliano Coelho Ludvig, chefe do Grupo de Doenças Inflamatórias Intestinais do Hospital Santa Isabel, de Blumenau (SC). Já o problema em devorar seu almoço rapidamente é que a mastigação não acontece do jeito ideal, o que atrapalha a digestão dos alimentos e contribui para a formação de arrotos e puns.

Algumas pessoas têm mais predisposição ao acúmulo de gases. “É o caso de quem sofre com gastrite, inflamação da mucosa gástrica que impede a digestão adequada do alimento”, explica a cirurgiã do aparelho digestivo Vanessa Prado, do Hospital 9 de Julho, de São Paulo. De acordo com a especialista, outro grupo mais propenso a conviver com o incômodo é o de pacientes com doenças no intestino (como síndrome do intestino irritável, retocolite ulcerativa e doença de Chron), que provocam alteração na mucosa do órgão e o padrão das bactérias da flora intestinal envolvidas no processo digestivo.

(Foto: Getty Images)
(Foto: Getty Images)

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Problemas em prender os gases

Todas as pessoas com força adequada no esfíncter (estrutura muscular que fecha e abre o orifício anal) conseguem segurar o pum, mas o hábito não é o adequado porque pode trazer problemas para a saúde como:

1. Cólica

A dor na barriga aparece em resposta aos gases que não deveriam estar mais ali. Sem espaço, o ar acumulado aumenta a pressão nas paredes do intestino, causando cólicas, que vão de intensidade leve a forte.

2. Inchaço

O acúmulo de gases faz com que a circunferência abdominal fique maior, criando uma sensação de estufamento. Em situações como essa, é provável que você tenha que abrir o botão da calça para conseguir se manter na cadeira do escritório o dia todo no escritório.

3. Diverticulite

Apesar de não ser a única causa do problema, prender gases também está ligado ao aparecimento da diverticulite, doença inflamatória caracterizada pela formação de bolsas no intestino em que se acumulam fezes.

Como diminuir a quantidade de gases

Já dissemos que arrotar e soltar pum é normal. Só que vale prestar mais atenção no que você coloca no prato caso tenha com frequência a sensação de estufamento, perceba aumento no volume abdominal ou apresente má digestão. “Evite itens como leite e seus derivados, leguminosas (feijão, grão-de-bico, ervilha), vegetais como repolho, couve-flor e brócolis, além dos adoçantes xilitol e matitol, porque fermentam no intestino, sendo os maiores causadores de gases”, diz a nutricionista Gabriela França, da clínica Penchel, em Belo Horizonte.

Vale também incluir na alimentação estes alimentos:

  • Chás de erva-doce, hortelã, funcho e da casca de abacaxi ajudam a diminuir a formação de gases e podem ser consumidos ao longo do dia;
  • Abacaxi e mamão têm enzimas envolvidas no processo de digestão. Inclua uma fatia dessas frutas após as refeições.
  • Kombucha, kefir e iogurte naturalmente fermentado são fontes de probióticos naturais que aumentam a flora bacteriana boa.

Dieta FODMAP

Outra boa estratégia é seguir a dieta baixa em FODMAPs, reconhecida recentemente por diminuir incômodos intestinais. “Nessa estratégia, eliminamos por seis semanas os alimentos que fermentam no intestino ao mesmo tempo em que aumentamos a quantidade de bactérias boas do paciente”, explica Gabriela. Após esse período, o protocolo segue por mais quatro semanas, quando é feita a reintrodução dos itens para descobrir quais deles provocam mais gases. O tratamento deve ser orientado por um profissional

 

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