No verão, sensação térmica chega até 70 graus para profissionais que trabalham nas ruas do Rio

Para quem é obrigado a ficar exposto ao sol, o Rio deste verão já deixou de concretizar o clichê de purgatório da beleza e do caos. Virou inferno. Sentido literalmente na pele, por exemplo, por uma dupla de seguranças que, na última quinta-feira, vigiava a entrada de um prédio de luxo na Lagoa. Ambos vestiam ternos pretos, a cor que mais absorve calor. Segundo especialistas, o preço é uma sensação térmica que pode ultrapassar os 70 graus. Sofrimento semelhante passa boa parte da tropa de cerca de 40 mil homens da PM, que vai às ruas com uma farda “azul-noite”.

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Ao volante de ônibus sem o prometido ar-condicionado, motoristas sentiriam menos calor na rua, mesmo que os termômetros das calçadas marcassem 40 graus. No interior dos veículos, o calor chega a 60 graus. Quem trabalha fora de ambientes refrigerados sofre com o despreparo de uma das maiores metrópoles tropicais do mundo para o calor intenso que virou regra no verão, alertam pesquisadores.

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A cidade precisa se adaptar a isso, adverte o professor de biometeorologia da Universidade de São Paulo (USP) Fabio Gonçalves, um dos poucos especialistas do país no estudo da temperatura sobre o corpo humano — o chamado conforto térmico. Autor dos cálculos sobre as roupas profissionais, ele alerta que são necessárias mudanças nos uniformes e nas práticas de trabalho.

Gonçalves lembra que, no verão de 2018, o governo do Japão recomendou aos homens que não usassem terno e gravata. Ele acha que medida semelhante deveria ser adotada no Rio, e sugere que o uso de bermuda seja liberado entre todos os profissionais que são submetidos a altas temperaturas.