Durante uma entrevista marcada por declarações fortes e diretas, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, voltou a chamar a atenção ao criticar duramente o comportamento de alguns políticos que, segundo ele, utilizam discursos agressivos para ganhar repercussão, mas não apresentam resultados concretos na área de segurança pública. A conversa aconteceu nesta quarta-feira, no programa Balanço Geral, apresentado por Tino Júnior, na Record TV, e repercutiu rapidamente nas redes sociais e nos bastidores da política fluminense.
Segundo Paes, há uma grande diferença entre discursos inflamados e ações efetivas. Ele afirmou que muitos gestores e parlamentares preferem alimentar uma imagem de “durões”, prometendo ações radicais contra o crime, mas não demonstram coragem ou preparo quando precisam enfrentar de verdade a realidade da segurança no Rio. Em suas palavras, “Segurança pública não se faz com bravata. Eu fico vendo um monte de político dizendo: ‘tiro na cabecinha’, ‘sou isso e sou aquilo’… e, no final do dia, a gente vê que é tudo tchutchuca, pitbull de coleira do Comando Vermelho.”
A fala do prefeito expôs com nitidez sua visão sobre o cenário político atual, em que a retórica agressiva muitas vezes se sobrepõe à prática. Paes sugeriu que, enquanto alguns se promovem com frases de efeito, o crime organizado continua exercendo forte influência em várias regiões da cidade, exigindo planejamento, inteligência e atuação coordenada — e não discursos vazios.
A entrevista também pontuou a necessidade de um trabalho conjunto entre os diferentes níveis de governo, reforçando que segurança pública exige políticas permanentes, investimentos consistentes e integração entre Prefeitura, Governo do Estado e Governo Federal. Paes destacou que, embora o município tenha limites legais em sua atuação policial, pode contribuir com ações estruturais, urbanísticas e sociais que ajudam a reduzir a criminalidade.
A declaração, amplamente compartilhada após sua exibição, reacende o debate sobre a efetividade das políticas de segurança no Rio e coloca novamente em evidência a disputa narrativa entre políticos que usam a violência como bandeira eleitoral e gestores que defendem soluções mais importantes