Um caso revoltante chocou o Brasil e gerou grande comoção nas redes sociais. Um pai foi preso após desviar cerca de R$ 113 mil em doações arrecadadas para o tratamento de saúde do próprio filho, uma criança que teve os membros superiores e inferiores amputados após complicações graves de saúde. De acordo com as investigações, o dinheiro foi gasto quase integralmente em jogos de azar online, incluindo o conhecido “Jogo do Tigrinho”.
O caso aconteceu no município de Murici, em Alagoas, e veio à tona após familiares e doadores começarem a desconfiar da falta de avanços no tratamento da criança, mesmo diante das altas quantias arrecadadas por meio de campanhas solidárias, rifas e transferências via PIX. As doações tinham como objetivo custear tratamentos médicos, reabilitação e futuras próteses para o menino.
Segundo a Polícia Civil, ao analisar os extratos bancários da conta criada exclusivamente para receber as doações, foi constatado que praticamente todo o valor havia sido transferido para plataformas de apostas virtuais. No momento da investigação, restavam pouco mais de R$ 300 na conta, valor irrisório diante da gravidade da situação da criança.
O pai foi preso após pedido do Ministério Público, sendo indiciado por crimes como estelionato, furto qualificado contra vulnerável e abandono material. A Justiça considerou que houve quebra de confiança e exploração da comoção pública para benefício próprio.
O menino, que segue sob cuidados médicos e apoio de outros familiares, tornou-se símbolo de uma tragédia que mistura dor, irresponsabilidade e abuso da solidariedade alheia. O caso reacendeu debates sobre a necessidade de maior fiscalização em campanhas de arrecadação online e sobre os riscos do vício em jogos de azar digitais.
A investigação continua, e o valor desviado pode ser alvo de ações judiciais para tentativa de ressarcimento.