O tão comentando pico de casos e mortes por Covid-19, de acordo com especialistas, já aconteceu no Rio de Janeiro. Foi entre os meses de abril e maio. Os recentes dados sobre a doença mostram, também, que os hospitais de campanha, prometidos para o final de abril, não ficaram prontos a tempo do pior momento da pandemia no Rio.
“O município do Rio de Janeiro não conseguiu achatar a curva, moreram 2.383 pessoas no mês de abril e 3.908 pessoas por Covid-19 no mês de maio, mês do pico da doença. Destas 1903 morreram nas unidades de emergência sem chegar a um leito hospitalar adequado. Agora, o número de casos despencou abruptamente e não há mais solicitação para internação por Covid na espera da regulação. Tivemos o pior cenário possível”, disse Daniel Soranz, médico sanitarista, ex-secretário municipal de saúde.
Diante do cenário atual, todos os pacientes com necessidade de internação por Covid-19 no Rio de Janeiro, neste momento, poderiam ser alojados nas unidades de saúde já existentes, inclusive os hospitais de campanha que foram entregues.
Segundo especialistas, para que isso acontecer “basta um reforço de recursos humanos e insumos para as estruturas de saúde existentes“.
Dos sete hospitais de campanha prometidos pelo Governo do Estado, apenas os do Maracanã e o de São Gonçalo (que ficou pronto há poucos dias) foram entregues. As sedes do Rio Centro e Parque dos Atletas são de responsabilidade da Prefeitura e estão funcionando desde maio. O hospital do Leblon foi erguido e entregue em parceria com a iniciativa privada.
Ainda de acordo com médicos e cientistas, embora seja preocupante uma ideia de “liberou geral”, dificilmente o Rio de Janeiro viverá um novo pico, com tão alta onda nos números de contágios e mortes como aconteceu entre abril e maio. “O que não significa que pessoas vão continuar se contaminando e, infelizmente, perdendo a vida”, frisa o virologista Márcio Costa.
“Muita gente ficou doente e morreu ao mesmo tempo. E a maioria das comunidades já tem imunidade de grupo”, pontuou Soranz.
As recomendações para que se evite aglomerações, uso de máscaras, higienização constante das mãos e de ambientes, entre outras, continuam valendo, alertam os especialistas.