Um episódio inusitado e preocupante marcou a manhã desta segunda-feira na Emei Antônio Bento, em São Paulo. Quatro policiais armados foram chamados à unidade escolar após a denúncia de um pai, que se irritou ao ver um desenho feito por sua filha de apenas quatro anos, inspirado na orixá Iansã (também chamada de Iansã ou Oyá), figura central das religiões de matriz africana.
Segundo relatos do Sindicato dos Profissionais em Educação do Município de São Paulo (Sinpeem), a presença dos agentes causou forte constrangimento, medo e abalo emocional em toda a equipe escolar. A abordagem teria sido hostil e completamente desproporcional à situação — afinal, tratava-se de um simples desenho infantil, produzido como parte de uma atividade pedagógica.
A diretora da escola, bastante abalada com a ação policial, chegou a passar mal durante o episódio e precisou ser amparada por funcionários. Educadores afirmam que o acontecimento representa um grave ataque ao ambiente escolar e um desrespeito ao trabalho pedagógico, além de reforçar episódios de intolerância religiosa.
O Sinpeem repudiou a ação e destacou que a escola deve ser um espaço de aprendizado, diversidade e acolhimento — e não de coerção armada. O sindicato também ressaltou que manifestações culturais e religiosas, especialmente relacionadas às tradições afro-brasileiras, fazem parte da formação cidadã e devem ser tratadas com respeito.
O caso reacende o debate sobre intolerância religiosa, principalmente contra religiões de matriz africana, que ainda enfrentam preconceito e desinformação em diversas regiões do país. Pais, professores e especialistas em educação alertam para a importância de proteger o ambiente escolar e garantir que crianças possam aprender livremente sobre cultura, arte e diversidade.
A Prefeitura de São Paulo e a Secretaria de Educação ainda não se pronunciaram oficialmente sobre o ocorrido. Enquanto isso, a comunidade escolar segue abalada, aguardando esclarecimentos e medidas que impeçam novos episódios como este.