Polícia Civil desmascara venda ilegal de “caneta do emagrecimento” em Campo Grande

 

 

Policiais civis da Delegacia do Consumidor (Decon) realizaram, nesta semana, a terceira fase da Operação Estética Segura, com foco no combate à venda clandestina de medicamentos para emagrecimento no Rio de Janeiro. A ação teve como alvo clínicas e profissionais da área estética suspeitos de comercializar substâncias de uso controlado sem autorização legal, colocando em risco a saúde de pacientes.

Durante a operação, foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão nos bairros de Campo Grande e Guaratiba, ambos na Zona Oeste da capital fluminense. No decorrer das diligências, quatro investigados foram conduzidos à delegacia para prestar depoimento e esclarecer seu envolvimento no esquema.

Segundo as investigações, profissionais da área estética estariam vendendo, de forma irregular, medicamentos à base de tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, fármaco originalmente indicado para o tratamento de diabetes tipo 2, mas que vem sendo amplamente utilizado de maneira indevida para fins de emagrecimento. A substância só pode ser prescrita por médicos e comercializada em farmácias autorizadas, mediante receita, o que não estava sendo respeitado nos casos investigados.

A Polícia Civil alerta que o uso indiscriminado da tirzepatida pode causar efeitos colaterais graves, como náuseas intensas, vômitos, hipoglicemia, alterações gastrointestinais e até complicações mais severas, principalmente quando administrada sem acompanhamento médico adequado. Além disso, a procedência desconhecida dos medicamentos aumenta o risco de falsificação e contaminação.

De acordo com a Decon, os investigados podem responder por crimes como venda de produto terapêutico sem registro, exercício ilegal da medicina, crime contra as relações de consumo e até associação criminosa, dependendo do avanço das apurações. Os materiais apreendidos passarão por perícia, e novas fases da operação não estão descartadas.

A Operação Estética Segura tem como objetivo principal proteger o consumidor e coibir práticas abusivas no setor estético, que tem crescido rapidamente e, muitas vezes, opera à margem da legislação sanitária. A Polícia Civil reforça que clínicas e profissionais devem seguir rigorosamente as normas da Anvisa e orienta a população a desconfiar de promessas de emagrecimento rápido, denunciando práticas ilegais.

As investigações continuam, e outras pessoas podem ser chamadas para depor nos próximos dias.