Polícia investiga clínica estética em Nova Iguaçu

A Polícia Civil investiga uma clínica estética no Centro de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, por suspeita de realizar procedimentos invasivos com profissionais sem habilitação. A apuração inclui, por exemplo, intervenções com características de lipoaspiração. Nesta quinta-feira, agentes fizeram buscas no estabelecimento e na casa da proprietária.

Clínica estética é investigada após denúncia

A investigação da 52ª DP (Nova Iguaçu) começou em 5 de outubro de 2026, quando policiais civis foram ao local apurar uma denúncia de irregularidades. Na ocasião, os agentes apreenderam 16 ampolas de Midazolam, medicamento controlado usado para sedação. A polícia ainda investiga a origem dos produtos.

Durante as buscas desta quinta-feira, os agentes também recolheram medicamentos, cânulas e uma máquina de sucção. Para a delegada Kelly Goularte, os equipamentos podem indicar a realização de lipoaspirações. Em seguida, o material seguirá para perícia.

Mensagens no grupo de WhatsApp da clínica investigada — Foto: Reprodução

Paciente relata desmaios em procedimento estético

Uma paciente contou à polícia que se submeteu a um procedimento anunciado como “hidrolifting”. Segundo o relato, a profissional introduziu uma cânula, aspirou gordura do abdômen e, em seguida, aplicou o material nos glúteos. A paciente afirmou que recebeu sedativos e desmaiou três vezes durante o atendimento.

Ela também disse que a profissional ainda não havia concluído a formação. Além disso, relatou dores e nódulos na região glútea após outro procedimento estético. A Polícia Civil informou que o exame de corpo de delito confirmou lesões corporais.

Em mensagens de um grupo de WhatsApp da clínica, usado para divulgar procedimentos e promoções, clientes mencionam dores intensas durante os atendimentos. Uma paciente escreveu que “apagou mais de uma vez” e saiu “grogue” do consultório. Além disso, ela afirmou que não teria feito o procedimento se soubesse que receberia anestesia local.

Polícia apura uso de dados de responsável técnico

No mesmo grupo, o responsável pela clínica respondeu a reclamações de dor. Ele afirmou que procedimentos que penetram a pele podem causar desconforto e escreveu que “ninguém morreu ou vai morrer por causa disso”. Em outra mensagem, por exemplo, ironizou clientes que não queriam sentir dor.

A investigação também apura possível uso indevido dos dados de um profissional apresentado como responsável técnico. Em depoimento, ele negou ter assumido essa função, recebido pagamentos ou autorizado o uso de um carimbo com seu nome, encontrado no estabelecimento.

A Polícia Civil investiga suspeitas de exercício ilegal da medicina, lesão corporal, exposição da vida ou da saúde de terceiros a perigo, falsidade documental e crimes contra as relações de consumo. A apuração continua para esclarecer quais procedimentos foram realizados e identificar outras possíveis vítimas, bem como determinar a responsabilidade dos envolvidos.