Uma operação da Polícia Civil do Rio de Janeiro desarticulou uma das maiores redes de distribuição de cigarros eletrônicos ilegais no estado. O principal alvo da ação, realizada por agentes da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), era um homem apontado pelas investigações como o maior fornecedor de vapes clandestinos em todo o território fluminense.
A prisão ocorreu após semanas de monitoramento, em um galpão usado para armazenar e distribuir os produtos ilícitos. No local, os policiais encontraram mais de mil cigarros eletrônicos importados de forma ilegal. Segundo a Polícia Civil, o esquema movimentava grandes quantias de dinheiro e abastecia tanto lojistas quanto vendedores autônomos em diferentes regiões do estado.
De acordo com as autoridades, os vapes apreendidos não eram produtos comuns. Muitos deles estavam abastecidos com THC, o Tetrahidrocanabinol, principal substância psicoativa presente na maconha. Esse detalhe chamou a atenção dos investigadores, uma vez que o mercado ilegal de cigarros eletrônicos com drogas tem crescido exponencialmente no Brasil, especialmente entre jovens e frequentadores de festas e eventos.
Ainda segundo a polícia, o suspeito preso era considerado um verdadeiro “barão dos vapes”, comandando uma rede que se estendia por comunidades, pontos comerciais e plataformas digitais. Ele utilizava redes sociais e aplicativos de mensagens para divulgar os produtos, oferecendo opções com sabores variados, alto teor de nicotina e, em alguns casos, dispositivos com substâncias ilícitas.
As investigações apontam que o grupo criminoso importava os cigarros eletrônicos principalmente de países asiáticos, como China e Malásia, burlando a fiscalização alfandegária e distribuindo os produtos sem qualquer controle sanitário. O carregamento de produtos ilegais entrava no Brasil escondido entre cargas lícitas e era redistribuído para pequenos comerciantes e ambulantes.
A venda de vapes no Brasil é proibida pela Anvisa desde 2009, justamente pelos riscos à saúde e à falta de controle sobre a composição dos líquidos utilizados nos dispositivos. Mesmo assim, o mercado clandestino cresce de forma acelerada, alimentado pelo apelo entre adolescentes e pela sensação de modernidade associada ao uso desses aparelhos.
Os policiais ressaltaram ainda que o uso de THC nos dispositivos aumenta ainda mais os riscos, podendo provocar dependência química, crises de ansiedade, surtos psicóticos e até problemas respiratórios graves. “É uma mistura perigosa, uma bomba-relógio para os usuários”, afirmou um dos investigadores envolvidos na ação.
Com a prisão do suspeito, a Polícia Civil acredita ter dado um golpe significativo no mercado ilegal de vapes no Rio de Janeiro. No entanto, os agentes afirmam que as investigações continuam para identificar outros integrantes da rede e desmantelar por completo o esquema.
O homem preso foi autuado por tráfico de drogas, contrabando e associação criminosa. Ele foi encaminhado para o sistema prisional, onde ficará à disposição da Justiça. A polícia também reforçou o alerta à população sobre os perigos do consumo de produtos ilegais, especialmente aqueles que misturam substâncias psicoativas com vaporizadores sem qualquer tipo de controle ou regulamentação.
A operação é mais um capítulo da luta contra o mercado ilegal que envolve o uso de novas tecnologias para facilitar o tráfico e o consumo de drogas no estado do Rio de Janeiro.