PRESIDENTE DA ALERJ PRESO PELA PF: OPERAÇÃO EXPÕE CRISE NO ALTO ESCALÃO DA POLÍTICA DO RJ

 

 

O cenário político do Rio de Janeiro viveu um dia de forte tensão nesta quarta-feira (3), após a prisão do presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil). A detenção foi realizada pela Polícia Federal no âmbito da Operação Unha e Carne, que investiga um suposto esquema de vazamento de informações sigilosas relacionadas à Operação Zargun, conduzida anteriormente pela própria PF.

Rodrigo Bacellar, uma das figuras mais influentes do Legislativo fluminense, tornou-se alvo de mandado de prisão preventiva autorizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A medida também incluiu buscas e apreensões em endereços ligados ao parlamentar. De acordo com a Polícia Federal, o parlamentar teria tido acesso privilegiado a informações sensíveis sobre investigações em andamento e, supostamente, as compartilhado ilegalmente com investigados e aliados.

Segundo informações divulgadas pela Agência Brasil, o vazamento de dados sigilosos teria prejudicado investigações importantes da PF, incluindo a operação que resultou na prisão do deputado estadual TH Joias, também acusado de integrar esquemas ilícitos no estado. A suspeita é de que Bacellar atuava como um elo político que alertava aliados sobre passos futuros das operações, permitindo que provas fossem destruídas ou que investigados se antecipassem a ações policiais.

A operação desta quarta-feira mobilizou dezenas de agentes federais em diferentes regiões do Rio. A CNN Brasil confirmou que, além do mandado de prisão, foram cumpridas ordens de busca em gabinetes, endereços residenciais e possíveis locais de armazenamento de documentos e dispositivos eletrônicos. Todo o material recolhido será analisado para reforçar — ou não — a suspeita de participação ativa do presidente da Alerj no esquema de obstrução de investigações.

A repercussão política foi imediata. Aliados de Bacellar afirmam que a prisão é “desproporcional” e que o deputado sempre colaborou com a Justiça. Já opositores classificam o episódio como mais um capítulo de uma crise institucional que há anos assombra o estado, marcado por sucessivas prisões de governadores, deputados e secretários envolvidos em escândalos de corrupção.

Fontes próximas ao caso afirmam que novas medidas judiciais podem ocorrer nos próximos dias, já que a PF considera a investigação complexa e com ramificações em diversas esferas do poder público. A Alerj, por sua vez, deve convocar uma reunião extraordinária para discutir a situação, já que a prisão do presidente da Casa gera impactos diretos no funcionamento do Legislativo fluminense.

Rodrigo Bacellar segue detido enquanto os desdobramentos da Operação Unha e Carne avançam. O caso promete novos capítulos e reforça o clima de instabilidade política no Rio de Janeiro, reacendendo o debate sobre corrupção, influência política e o papel das instituições na fiscalização dos poderes. A população aguarda respostas, enquanto o estado volta a estampar manchetes nacionais por episódios envolvendo acusações graves dentro de sua principal esfera legislativa.