QUEM É O POLICIAL MILITAR QUE FOI PRESO COM BICHEIRO NO RIO?

 

 

 

A prisão que abalou os bastidores da segurança pública do Rio de Janeiro nesta quinta-feira (data não divulgada) revelou uma ligação direta entre um policial militar da ativa e o alto escalão do jogo do bicho. O PM Diego de Lima foi preso em flagrante ao lado do bicheiro Adilsinho, considerado até então o criminoso mais procurado do estado, durante uma operação realizada em Cabo Frio, na Região dos Lagos.

Segundo informações da Polícia Civil, Diego de Lima atuava como segurança pessoal de Adilsinho, oferecendo proteção armada e apoio logístico ao contraventor, que estava foragido havia anos. A prisão ocorreu após um trabalho de inteligência que monitorava os deslocamentos do bicheiro, apontado como um dos principais articuladores do jogo do bicho no Rio de Janeiro, com influência em diversas regiões da capital e do interior do estado.

O que mais chama atenção no caso é o fato de Diego de Lima ser policial militar da ativa e estar lotado na UPP da Fazendinha, unidade instalada em uma das áreas mais sensíveis do Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio. A revelação levanta questionamentos sobre possíveis falhas nos mecanismos de controle interno da corporação e sobre a infiltração do crime organizado nas forças de segurança.

De acordo com os investigadores, o PM utilizava seus conhecimentos operacionais e acesso a informações estratégicas para garantir a segurança de Adilsinho, além de alertá-lo sobre possíveis ações policiais. Ainda segundo a polícia, a relação entre os dois não era recente, o que reforça a suspeita de envolvimento prolongado do agente com a contravenção.

Adilsinho é apontado como integrante da cúpula do jogo do bicho, com atuação em áreas da Zona Sul, Centro e Zona Norte do Rio, além de ser investigado por envolvimento em outros crimes, como lavagem de dinheiro e associação criminosa. Sua prisão representa um duro golpe contra a estrutura da contravenção no estado.

Já Diego de Lima foi encaminhado para a corregedoria da Polícia Militar e deve responder por crimes como organização criminosa, corrupção e colaboração com atividade ilegal. O caso segue sob investigação, e a polícia não descarta novas prisões nos próximos dias.

A prisão reacende o debate sobre a necessidade de fortalecer os mecanismos de fiscalização e transparência dentro das instituições de segurança pública, especialmente em um estado historicamente marcado pela relação entre crime organizado e agentes do poder público.