Em um movimento que pode redefinir a política externa e de segurança dos Estados Unidos, o presidente Donald Trump assinou uma diretiva secreta autorizando o Pentágono a desenvolver planos para o uso de força militar contra cartéis de drogas latino-americanos recentemente classificados como organizações terroristas. A decisão, confirmada por múltiplas fontes da imprensa internacional, intensifica a postura agressiva da atual administração no combate ao narcotráfico.
O documento, enviado de forma reservada ao Departamento de Defesa, orienta a criação de opções estratégicas para operações militares, seja no mar, seja em território estrangeiro. O alvo seriam cartéis de grande alcance e alta periculosidade, como Sinaloa, Jalisco Nueva Generación, Tren de Aragua e Mara Salvatrucha (MS-13), todos formalmente designados, em janeiro de 2025, como Foreign Terrorist Organizations (FTOs) e Specially Designated Global Terrorists.
Essa designação, raramente aplicada a grupos não estatais de caráter criminoso, abre caminho para que os EUA empreguem recursos militares tradicionalmente reservados ao combate a grupos extremistas como a Al-Qaeda ou o Estado Islâmico. Para especialistas, essa equiparação ao terrorismo eleva consideravelmente a gravidade da resposta americana.
A medida, contudo, gerou reação imediata no México, país mais diretamente impactado pela atuação desses cartéis. A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, declarou publicamente que não há risco de tropas americanas operarem dentro do território mexicano, reafirmando que qualquer colaboração será limitada ao compartilhamento de informações de inteligência e a ações conjuntas de aplicação da lei.
Além das tensões diplomáticas, a ordem de Trump levanta um intenso debate jurídico nos Estados Unidos. Especialistas questionam se o presidente pode autorizar operações militares no exterior sem o aval prévio do Congresso, como exige a legislação em alguns cenários. Há ainda preocupações sobre possíveis vítimas civis e o risco de escalada de conflitos com governos latino-americanos.
Segundo analistas militares, o Pentágono deverá apresentar, nas próximas semanas, um leque de opções que podem incluir desde operações de interdição marítima até ataques a alvos estratégicos vinculados ao narcotráfico. O uso de forças especiais também está sendo cogitado, mas dependerá da avaliação política e legal da Casa Branca.
Enquanto a medida é vista por aliados de Trump como uma resposta necessária a um problema que afeta diretamente a crise de fentanil e outras drogas nos EUA, críticos alertam que a militarização do combate ao narcotráfico pode gerar instabilidade e até aumentar a violência nas regiões afetadas.
Com o tom cada vez mais duro adotado por Washington, a relação entre EUA e países latino-americanos entra em um momento de tensão e incerteza, onde qualquer passo mal calculado pode ter repercussões globais.