As contas do Estado do Rio de Janeiro passaram por uma mudança expressiva ao longo de 2026, segundo números divulgados pelo governo e declarações do governador em exercício, desembargador Ricardo Couto de Castro. Em março, a previsão para o ano apontava um déficit de aproximadamente R$ 18,9 bilhões. Em 18 de setembro, Couto afirmou que o Estado havia saído do vermelho e projetou o encerramento da gestão com cerca de R$ 5 bilhões em caixa.
A declaração foi feita durante um evento na sede da Polícia Rodoviária Federal, em Irajá, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo Couto, o reforço das barreiras fiscais e a atuação integrada das forças de segurança contribuíram para melhorar a arrecadação e combater irregularidades na circulação de mercadorias.
Um dos principais movimentos de contenção ocorreu na estrutura administrativa. Entre 23 de março e 16 de setembro, foram exonerados 6.685 servidores comissionados. O governo estima que a medida represente uma economia de aproximadamente R$ 315 milhões na folha de pagamento até o fim de dezembro. A participação dos cargos exclusivamente comissionados no total de servidores ativos caiu de 7,9% em março para 6,1% em agosto.
A redução, porém, não significou interrupção completa das nomeações. No mesmo período, foram registradas 3.020 nomeações, mantendo um saldo líquido de redução dos cargos de confiança. A Casa Civil concentrou parte importante dos desligamentos, dentro de uma reorganização que atingiu diferentes áreas da administração.
Além da folha, o governo afirma ter revisado despesas e contratos. Em junho, Couto havia declarado que a administração já acumulava aproximadamente R$ 2,3 bilhões em economia. Projetos de grande porte também entraram no processo de análise, incluindo o Programa Sentinela, ligado ao videomonitoramento e a uma licitação estimada em cerca de R$ 2 bilhões.
Outro ponto destacado foi a mudança no regime fiscal. Em junho, o Rio aderiu ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados, o Propag, deixando o Regime de Recuperação Fiscal, adotado pelo Estado desde 2022.
Apesar dos números positivos anunciados, permanecem desafios importantes. Entre eles está a situação do Rioprevidência e as aplicações relacionadas ao Banco Master. Mais de R$ 3 bilhões foram investidos pela autarquia em ativos ligados ao banco. Couto afirmou que o governo busca recuperar parte desses recursos e que medidas de transparência e controle foram adotadas.
A diferença entre a previsão inicial de déficit e a meta de caixa anunciada chama atenção, mas os números precisam ser acompanhados pelos balanços oficiais. A afirmação de que o Estado já está superavitário foi feita pelo próprio governador em exercício, enquanto os R$ 5 bilhões representam uma projeção para o encerramento da gestão.
Assim, o resultado definitivo dependerá da execução das receitas e despesas até dezembro. Os dados divulgados mostram uma estratégia baseada em redução de cargos, revisão de gastos, fiscalização e mudanças na gestão fiscal e arrecadação estadual no período. A confirmação da situação financeira caberá aos registros oficiais do Estado ao final do exercício.




