Rio das Pedras e Muzema, entenda as semelhanças entre as duas tragédias.

 

Rio das Pedras e Muzema, entenda as semelhanças entre as duas tragédias.

 

Desabamento ocorrido hoje na comunidade Rio das Pedras – Foto reprodução Rede Globo.

 

A cidade do Rio de Janeiro amanheceu no dia de hoje com a notícia de mais uma tragédia envolvendo construções irregulares em comunidades carentes.

 

Em todos os noticiários, a principal matéria é sobre o desabamento de um prédio de quatro andares na comunidade do Rio das Pedras, onde os bombeiros trabalham incansavelmente desde a madrugada, para controlar o incêndio que se deu logo após o desabamento, e para resgatar possíveis sobreviventes.

 

O que se sabe até agora é que um bebê não resistiu à queda do prédio e morreu, quatro adultos foram resgatados com ferimentos leves e uma pessoa ainda é buscada sob os escombros.

 

A região está sem energia elétrica, moradores de prédios vizinhos foram orientados pelo Corpo de Bombeiros a se retirarem de suas residências e a Defesa Civil trabalha no local para avaliar danos estruturais em construções próximas.

 

Mas quais as semelhanças entre a tragédia do Rio das Pedras e o desabamento ocorrido em 2019 na comunidade da Muzema?

 

Rio das Pedras e Muzema

Desabamento na Muzema em 2019 Foto: José Lucena/Futura Press/Estadão Conteúdo pelo G1

 

12 de abril de 2019, quatro dias após a cidade do Rio de Janeiro ter sido atingida pela chuva mais intensa dos últimos 22 anos, uma tragédia de proporções ainda maiores do que a que ocorreu hoje no Rio das Pedras, se abateu  sobre a cidade, dois prédios desabaram, deixando um total de 24 mortes.

 

Segundo analistas o que  há em comum nas duas tragédias é que as comunidades cresceram desordenadamente, sem atuação e controle do poder público para oferecer infraestrutura básica, assim como acontece em tantas outras comunidades e favelas espalhadas pelo país.

 

Mas no caso do Rio das Pedras e Muzema, um dos agravantes é que são áreas de mangue, que, em tese, deveriam ser locais de proteção ambiental e não de aterramento, sobretudo clandestinos, sem a menor verificação de segurança.

 

Junto a isso, se soma a atuação das milícias que se apropriam de terrenos e edificam prédios, sem cumprir as mínimas exigências de segurança, ou sequer passar por vistorias de órgãos reguladores municipais.

 

Além dos fatores apresentados, o que contribui também para a falta de segurança dessas construções nessas comunidades é a imensa quantidade de ligações clandestinas de água e esgoto e de luz elétrica, o que pode fazer com que o solo fique mais frágil e instável e as ligações elétricas sejam mais suscetíveis a curtos circuitos, e, consequentemente, explosões, que podem levar ao desabamento de um prédio.