Médico responsável por procedimentos estéticos que podem ter causado morte de duas pacientes presta depoimento

O médico Heriberto Ivan Arias Camacho chegou no fim da manhã desta quinta-feira (16) à 16ª DP (Barra da Tijuca) para prestar depoimento. Ele é o cirurgião-plástico responsável pelos procedimentos estéticos que podem ter causado a morte de duas mulheres na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio de Janeiro.

Ao menos outras quatro mulheres já procuraram a distrital para denunciar possíveis erros médicos cometidos pelo especialista.

Uma das pacientes é Lindama Benjamin de Oliveira, de 59 anos, que morava em Cabo Frio, na Região dos Lagos, e morreu na semana passada. A família diz que Heriberto demorou para socorrê-la quando o quadro de saúde piorou. O médico nega e diz que socorreu a mulher “com todas as técnicas médicas possíveis”.

Os parentes contam que, na última quinta-feira (9), Lindama veio ao Rio fazer cirurgia plástica no abdômen no Hospital Bitée Cirurgia Plástica e Estética. Ela pagou R$ 16 mil pelo procedimento e chegou à clínica por uma indicação de amigos.

Após a denúncia, o marido de outra paciente, Mônica Sueli da Silva, contou que ela fez com Heriberto uma abdominoplastia e colocou prótese de silicone nos seios no dia 30 de maio no Hospital Semiu, em Vicente de Carvalho, na Zona Norte. Chegou a receber alta no dia seguinte, mas vomitava toda vez que se alimentava.

Após tentativas frustradas de falar com o médico, o marido da paciente contou que ela foi internada novamente no dia 7 de junho, na UTI. Submetida a um novo procedimento, Mônica precisou ter 10 cm de intestino cortados, sob a alegação de Heriberto de que havia uma hérnia.

O marido nega que a paciente tivesse hérnia e acredita que o médico tenha perfurado o intestino dela quando fez a abdominoplastia. O quadro de saúde da paciente piorou, e ela morreu no dia 26 de junho.

Assim como Lindama, ela chegou ao médico por indicação de amigas.

Clínica interditada e diretor preso

 

Na última segunda (13), policiais da Delegacia do Consumidor (Decon) e agentes da Vigilância Sanitária interditaram o Hospital Bitée Cirurgia Plástica e Estética, clínica onde Lindama fez o procedimento estético.

O estabelecimento foi fechado por falta de documentação e de equipamentos para o pós-operatório, segundo a Decon. No momento em que os agentes chegaram, quatro pessoas passavam por cirurgia.

O diretor-médico da clínica, o colombiano Iovanni Villabona Esparza, foi preso em flagrante. Na quarta-feira (15), a juíza Daniele Lima Pires Barbosa, da 28ª Vara Criminal da Comarca da Capital, converteu a prisão em preventiva, durante audiência de custódia.

O que diz a defesa do médico

A defesa do médico Heriberto Ivan Arias Camacho disse que se solidariza com a família e amigos e lamenta a morte da paciente. Afirma ainda que, em cumprimento à determinação do Conselho Federal de Medicina, não pode dar detalhes do procedimento.

A defesa informou ainda que Lindama foi atendida com todas as técnicas médicas possíveis para reversão do quadro. Disse também que nenhum tipo de laudo pericial constatou conduta negligente, imperícia ou imprudência da parte de Heriberto e que ele está à disposição para dar esclarecimentos.