Em meio à escalada de casos e mortes pelo novo coronavírus no estado, o governo do Rio anunciou ontem que decidiu prorrogar por mais uma semana as medidas de isolamento social e fechamento do comércio. De acordo com o executivo estadual, hoje será realizada uma reunião para tratar da reabertura gradual da economia. No encontro, serão discutidos o cronograma de flexibilização das medidas restritivas e as regras técnicas para cada área ou serviço.
Discussão sobre a Reabertura
Em meio à discussão sobre reabertura do comércio no Rio, comerciantes veem com cautela, a transição para o chamado ‘’novo normal’’. Os empresários dizem que com faturamento reduzido (para quem passou a operar com delivery, por exemplo) ou zerado por conta das medidas iniciadas em março, é preciso retomar as atividades econômicas, mas sem desprezar os cuidados sanitários para evitar que uma nova escalada de casos que sobrecarregue hospitais e exija novas interdições.
Sócio com os filhos de uma barbearia e estúdio de tatuagem no Américas Shopping (Recreio dos Bandeirantes), Nilson Russo diz que é pouco provável que consiga abrir tão rapidamente. Ele reclama que até o momento, a exemplo de outros setores da economia, as autoridades sanitárias não divulgaram diretrizes para o funcionamento da atividade. O empresário diz que precisa conhecer as diretrizes para fazer adaptações.
—São medidas sanitárias. As cadeiras de barbeiro terão que ficar mais espaçadas. Também teremos que limitar o acesso de pessoas. Devemos suspender por dois ou três meses, cafés, água e cerveja que oferecemos de cortesia para os clientes, para reduzir a manipulação de produtos. Apesar de estarmos há dois meses sem faturar gente precisa retomar, mas com cautela — ressalta Nilson.
Vera Podiacki, dona de uma cafeteria no Humaitá, não pretende trabalhar com consumo no local por pelo menos um mês:
— Há ainda há risco dos casos voltarem a subir —disse.
Expectativa sobre o Witsel
A expectativa é que o governador Wilson Witzel comece a liberar ainda este mês o funcionamento parcial de indústrias e permita a abertura de shoppings e lojas de rua com 50% da lotação. O processo deverá ser feito em etapas. A primeira fase deve levar duas semanas. As atividades com público continuarão suspensas e as escolas fechadas.
Especialistas divergem sobre a retomada
Entre especialista não há consenso sobre o momento mais adequado para a reabertura. O professor de Infectologia da Universidade Federal do Rio (UFRJ), Edimilson Migowski, ressalta que a retomada do comércio deve ocorrer de forma gradual com base na avaliação de redução do número de casos da Covid, possibilidade de tratamento e número de leitos.
— Acho que deve abrir, com escalonamento das atividades. Por exemplo, os shoppings vão abrir em horários reduzidos. Os trabalhadores da construção civil vão entrar e sair mais cedo.
O epidemiologista Guilherme Werneck, da Universidade do Rio de Janeiro (Uerj), avalia como precoce a reabertura das atividades:
— Eu não vejo como a melhor recomendação no momento. A redução da velocidade de casos e óbitos não pode ser analisada de um dia para outro, para verificar a redução sustentada. E ainda há fila de leitos.