Ônibus sequestrados no Rio foram usados como barricadas em 135 ocorrências entre janeiro e outubro deste ano, segundo dados do sindicato patronal Rio Ônibus. No mesmo período, 322 motoristas foram afastados do trabalho com depressão e síndrome do pânico, conforme levantamento do Sindicato dos Rodoviários.
Ônibus sequestrados no Rio preocupam rodoviários
De acordo com a categoria, a frequência dos casos tem agravado problemas de saúde mental entre os trabalhadores. Além disso, o porta-voz do Sindicato dos Rodoviários, Antônio Bustamante, relatou aumento nos atendimentos psicológicos oferecidos a motoristas e familiares.
O serviço registrou 25 atendimentos em junho do ano passado e chegou a 80 até maio deste ano. Agora, segundo Bustamante, são cerca de 110 atendimentos por mês. Assim, a procura envolve tanto condutores de coletivos quanto pessoas próximas a eles.
Categoria pede mais patrulhamento nas vias
José Maria, presidente do Sindicato dos Rodoviários, defendeu que as forças de segurança intensifiquem o patrulhamento. Ele destacou a Avenida Brasil, por onde circula a maioria das linhas de ônibus.
“Os trabalhadores do setor não suportam mais conviver diariamente com ônibus sequestrados, incendiados e até tendo seu itinerário alterado para atender ao tráfico, ou seja, o estado perdeu totalmente o controle sobre o território”, afirmou.
Os ônibus sequestrados no Rio fazem parte de um contexto mais amplo de violência contra o transporte coletivo. De acordo com o Instituto de Segurança Pública (ISP), a cidade registrou 4.449 assaltos a ônibus ao longo do ano passado.
A maioria dos assaltos ocorreu entre 4h30 e 7h da manhã e entre 17h e 21h30. As ocorrências se concentraram principalmente no trecho entre Campo Grande e Caju.