Rocinha – O “Resort do Tráfico”
A Rocinha, uma das maiores favelas do Rio de Janeiro, tornou-se um ponto de refúgio para traficantes de diversos estados brasileiros. Em uma investigação conduzida pelo jornal O GLOBO em colaboração com a Polícia Civil, descobriu-se que criminosos de estados como Goiás, Ceará, Espírito Santo e Amazonas buscam abrigo nas encostas da Rocinha para escapar das autoridades policiais.
O levantamento revela um esquema complexo de pagamento de taxas, onde traficantes de fora desembolsam valores que variam entre R$ 50 mil e R$ 100 mil mensais para os líderes locais. Estima-se que os criminosos da Rocinha estejam arrecadando até R$ 12 milhões por mês, sendo a extorsão uma fonte de lucro mais significativa do que o comércio de drogas.
No decorrer do último ano, as autoridades identificaram a presença de dois traficantes importantes na Rocinha: Anastácio Pereira, conhecido como Paizão, Doze ou Paulinho Maluco, de 33 anos, um dos principais líderes do Comando Vermelho no Ceará; e Kaio César, também de 33 anos, conhecido pelos apelidos de Barney, Tio K e Heisenberg, figura de destaque na facção em Goiás. Ambos encontram na Rocinha um esconderijo estratégico, de onde coordenam suas operações e evitam as investidas policiais em seus respectivos estados.
Atualmente, o controle da Rocinha está nas mãos de Johny Bravo e Goiabada, considerados os braços direitos de Rogério Avelino, o conhecido Rogério 157, chefe do tráfico no Vidigal e na própria Rocinha, que cumpre pena em um presídio federal. A presença desses líderes confirma a complexidade e a dinâmica do tráfico de drogas que permeia as comunidades cariocas, transformando a Rocinha em um verdadeiro “resort do tráfico” para criminosos de todo o Brasil.




