Os veículos elétricos e híbridos, que simbolizam modernidade, economia e sustentabilidade, passaram a figurar também no radar da criminalidade no Rio de Janeiro. Dados recentes revelam um salto alarmante nos casos de roubos e furtos desse tipo de automóvel em 2026. Apenas nos três primeiros meses do ano, foram registrados 366 ocorrências — uma média de quatro por dia. No mesmo período de 2025, haviam sido contabilizados 150 casos, o que representa um crescimento expressivo de 144%.
O aumento chama a atenção de especialistas em segurança pública e do próprio setor automotivo. A expansão da frota de veículos eletrificados no estado é apontada como um dos fatores que contribuem para esse cenário. Com mais carros circulando, cresce também o interesse de criminosos, que enxergam nesses modelos uma oportunidade lucrativa, seja para revenda ilegal, desmontagem ou exportação de peças.
Outro ponto levantado é a sofisticação tecnológica desses veículos. Apesar de muitos contarem com sistemas avançados de segurança, como rastreamento e bloqueio remoto, quadrilhas especializadas têm desenvolvido métodos cada vez mais eficazes para burlar essas proteções. Em alguns casos, os criminosos utilizam equipamentos eletrônicos para interceptar sinais e destravar os carros sem deixar vestígios.
Além disso, a alta demanda por baterias e componentes específicos no mercado paralelo pode estar incentivando ainda mais os crimes. As baterias de veículos elétricos, por exemplo, possuem alto valor e são difíceis de rastrear quando desmontadas, o que as torna um alvo atrativo.
Diante desse cenário, autoridades reforçam a importância de medidas preventivas por parte dos proprietários. Estacionar em locais seguros, utilizar dispositivos adicionais de segurança e manter sistemas de rastreamento sempre ativos são algumas das recomendações. Ao mesmo tempo, especialistas defendem o fortalecimento de políticas públicas voltadas para o combate ao crime organizado, que muitas vezes está por trás dessas ações.
O crescimento acelerado dos roubos e furtos acende um alerta não apenas para motoristas, mas para toda a cadeia envolvida na mobilidade elétrica. O desafio agora é equilibrar inovação e segurança, garantindo que a transição para veículos mais sustentáveis não venha acompanhada de novos riscos para a população.



