O benefício da saída temporária do Dia das Mães voltou a gerar forte repercussão no Rio de Janeiro após a confirmação de que 117 presos não retornaram às unidades prisionais dentro do prazo estabelecido pela Justiça. Os dados foram divulgados pela Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), por meio da Seppen, e revelam que, dos 1.560 detentos autorizados a deixar os presídios temporariamente, parte deles permanece foragida.
Entre os nomes que mais chamam atenção das autoridades estão Raylander Machado dos Santos, conhecido como “Raylander do Andaraí”, e Emanuel dos Santos Carvalho, apelidado de “Mata Rindo”. Ambos são considerados figuras de alta periculosidade e possuem ligação com crimes graves investigados pelas forças de segurança do estado.
Raylander do Andaraí é apontado pela polícia como líder de uma quadrilha especializada em roubos violentos. Segundo investigações, o grupo atuaria em diferentes regiões do Rio, promovendo ações armadas e ataques que espalhavam medo entre moradores e comerciantes. O criminoso teria aproveitado o benefício da saída temporária e não retornou ao sistema prisional após o encerramento do prazo.
Já Emanuel dos Santos Carvalho, o “Mata Rindo”, é acusado de participação em homicídios e também de envolvimento com o tráfico de drogas no Complexo do Lins, zona norte da capital fluminense. O nome dele aparece em investigações relacionadas à atuação de facções criminosas na comunidade.
A ausência dos detentos reacendeu o debate sobre a eficácia das saídas temporárias concedidas a presos em datas comemorativas. Críticos do benefício afirmam que a medida pode favorecer fugas e fortalecer organizações criminosas, enquanto defensores argumentam que o mecanismo contribui para a ressocialização dos internos que apresentam bom comportamento.
Agora, os presos que não retornaram passam oficialmente à condição de foragidos da Justiça. As autoridades informaram que equipes das polícias Civil e Militar poderão atuar nas buscas para localizar os fugitivos e cumprir novos mandados de prisão.
O caso também deve ampliar a pressão política por mudanças na legislação relacionada às chamadas “saidinhas”, tema que já vem sendo discutido em Brasília e divide opiniões entre especialistas, parlamentares e representantes do sistema penitenciário.