A ocupação irregular de espaços públicos por ambulantes tem gerado um conflito crescente no coração de Campo Grande, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Taxistas denunciam que um ponto tradicional da categoria, localizado no início da Rua Coronel Agostinho — principal calçadão comercial do bairro — praticamente deixou de existir devido à presença maciça de camelôs instalados no local.
O ponto de táxi, que possui capacidade para cerca de seis veículos e foi conquistado após anos de reivindicações junto ao poder público, hoje se encontra completamente tomado por barracas e estruturas improvisadas. Em registros recentes feitos pelos próprios taxistas, apenas um carro aparece estacionado, e ainda assim fora do espaço destinado oficialmente à categoria, já que toda a área regulamentada está ocupada por vendedores ambulantes.
Segundo os profissionais, a situação afeta diretamente o sustento de quem depende do táxi como única fonte de renda. Além disso, o desaparecimento do ponto prejudica também a população, que perde um local de fácil acesso para transporte, especialmente idosos, pessoas com mobilidade reduzida e trabalhadores que circulam diariamente pelo centro comercial do bairro.
Os taxistas afirmam que não são contrários ao trabalho dos ambulantes e reconhecem a dificuldade enfrentada por quem vive da informalidade. No entanto, ressaltam que a falta de ordenamento urbano acaba colocando trabalhadores contra trabalhadores, quando o problema deveria ser resolvido por meio de fiscalização e organização por parte do poder público.
“Não queremos tirar o direito de ninguém trabalhar, mas também precisamos garantir o nosso. Esse ponto é regulamentado, existe há anos e foi fruto de muita luta”, relatou um taxista que atua na região há mais de duas décadas.
A categoria informa que já buscou apoio junto a órgãos responsáveis pela fiscalização e pelo ordenamento urbano, mas, até o momento, nenhuma medida efetiva foi tomada para resolver o impasse. A ausência de uma resposta concreta aumenta o sentimento de abandono e insegurança entre os profissionais.
Sem saber a quem recorrer, os taxistas fazem um apelo urgente às autoridades municipais para que intervenham na situação. Eles defendem uma solução que concilie o direito ao trabalho de todos, com organização, diálogo e respeito às áreas regulamentadas. Para a categoria, a devolução do ponto de táxi na Rua Coronel Agostinho é essencial não apenas para garantir renda aos profissionais, mas também para manter a mobilidade e o ordenamento no principal calçadão de Campo Grande.