TSE avalia suspender canais políticos no WhatsApp durante eleição

Uma minuta do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) prevê desativar canais políticos no WhatsApp com mais de 200 mil seguidores nas 48 horas anteriores e nas 24 horas posteriores ao segundo turno, marcado para o próximo domingo (25). Além disso, a proposta ainda depende de aprovação do plenário.

Se aprovada, a medida entrará em vigor imediatamente, conforme o texto. Além disso, a minuta começou a circular entre os ministros após eles discutirem o tema em reuniões informais na sexta-feira (16) e na terça-feira (20).

O que prevê a proposta para canais políticos no WhatsApp

O ministro André Mendonça, vice-presidente do TSE, redigiu a minuta. Em nota, seu gabinete afirmou que a autoria coube a ele por tradição, já que o vice-presidente costuma redigir as normas eleitorais, e que a iniciativa não foi pessoal.

Segundo a nota, o objetivo discutido é proteger a integridade do pleito no período próximo à votação, quando pode não haver tempo hábil para responder a conteúdos ilícitos ou corrigi-los. Além disso, o gabinete informou que o texto partiu de um consenso interno.

A nota acrescenta que os critérios em análise são objetivos e impessoais. Além disso, eles se aplicariam igualmente a canais político-eleitorais de grande alcance, independentemente de candidato, partido ou orientação política.

Se a proposta for aprovada, poderá atingir o canal “Exército do Lula”, que chegou a 7 milhões de inscritos no WhatsApp nesta quarta-feira (21). Além disso, a medida desativaria o canal “Tropa do Flávio”, com 2 milhões de inscritos.

13/10/2026 – Canal do Whatsapp exército do Lula . Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Restrições e risco apontado na minuta

O texto prevê aplicar aos canais de transmissão político-eleitorais com mais de 200 mil seguidores as mesmas restrições que já valem para conteúdo de campanha impulsionado, cujo alcance é ampliado mediante pagamento às plataformas.

A minuta também considera que canais com grande audiência podem ter alcance desproporcional na difusão de conteúdos ilícitos. Além disso, aponta que o intervalo entre as 48 horas anteriores e as 24 horas posteriores à eleição concentra risco de dano irreversível à formação livre da vontade do eleitorado.

O texto justifica esse entendimento pela falta de tempo hábil para resposta, esclarecimento ou tutela jurisdicional efetiva durante esse período.

Disputa judicial sobre o canal Exército do Lula

A proposta surgiu após decisões divergentes sobre o canal “Exército do Lula”. Na semana passada, o presidente do TSE, ministro Kássio Nunes Marques, retirou o canal do ar após um pedido da campanha do presidenciável Flávio Bolsonaro, que alegou disseminação de desinformação.

Em seguida, o corregedor-nacional da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, restabeleceu o canal. Ele afirmou que não havia elementos para justificar a medida e que Nunes Marques não poderia suspendê-lo por via administrativa, pois o caso já tramitava judicialmente em processo relatado pelo próprio corregedor.

Pouco depois, Nunes Marques voltou a suspender o canal. O ministro alegou que, embora a ferramenta fosse administrada por um apoiador — o deputado André Janones (Rede-MG) —, ela teria vínculo com a campanha oficial e deveria estar registrada no TSE como tal.

Por fim, o presidente do TSE liberou o canal após a campanha oficial realizar o registro.

São Paulo (SP), 19/10/2026 – O deputado federal André Janones (Rede-MG) teve alta do Hospital Vila Nova Star, no início da tarde desta terça (20). O parlamentar havia sido internado na madrugada de segunda (19) com arritmia cardíaca grave e falta de ar. Foto: andrejanones/Instagram