Dormir para esquecer a fome

A fome dá sono. A fome deixa traumas nas vítimas para o resto da vida. E, em muitas famílias pobres da periferia do Rio de Janeiro, a fome atravessa gerações.

A fome é descrita por algumas mães como uma dor física que atinge o estômago como um soco. Para outras, ela é acompanhada de um sofrimento emocional imensurável quando não conseguem alimentar adequadamente os filhos pequenos ou têm de enganá-los com alguma coisa que não seja comida de verdade. Quando o alimento é insuficiente em casa, a mãe deixa de comer para alimentar os pequenos.

Essas histórias das mulheres chefes de família para alimentar e criar os filhos estão a apenas 80 quilômetros do centro do Rio de Janeiro, no segundo estado mais rico do país, no município de Japeri, onde há bolsões de pobreza e de fome. O município tem o pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da região metropolitana.

Ana Lúcia Araújo/Agência Pública
A precariedade nos serviços públicos é uma rotina em Engenheiro Pedreira, distrito de Japeri
A miséria é agravada pela violência e pelo desemprego. Três facções de tráfico de drogas – Amigos dos Amigos, Comando Vermelho e Terceiro Comando – disputam o controle de territórios, o que dificulta a circulação e a busca por emprego. Os jornalistas que chegam ao município são aconselhados a circular com as janelas do carro abertas e com o pisca alerta ligado para que os bandidos não os confundam com a polícia ou com integrantes de facções rivais.

Por causa dessa violência, dois dos sete Centros de Assistência Social (Cras) da prefeitura ficaram fechados no segundo semestre de 2018. Os tiroteios ocorrem a qualquer hora do dia ou da noite e nenhum bairro de Japeri é considerado seguro. Nem mesmo Engenheiro Pedreira, distrito que concentra a maior parte da população, do comércio e dos serviços bancários.

Com uma população de 103 mil habitantes estimada pelo IBGE, Japeri tinha 10.323 beneficiários do programa Bolsa Família em dezembro de 2018. Nossa reportagem localizou mulheres em situação de extrema pobreza que hoje não recebem o benefício por falta de documentos, ou que tiveram o pagamento bloqueado. Segundo o secretário de Ação Social do município, Márcio Rosa, o governo federal suspendeu cerca de 6 mil benefícios em 2018 porque as famílias não atenderam aos requisitos exigidos – como recadastramento e pesagem das crianças – ou por divergência de informações sobre o rendimento familiar apontada pelo cruzamento dos dados oficiais.

Cadastramento itinerante
O secretário considera que o número de assistidos é muito pequeno diante da pobreza visível nas ruas. Por isso, ele decidiu montar um sistema itinerante para cadastrar a população carente que está fora do programa. “Acreditamos que muitos não se inscrevem por desinformação, medo, ou falta de dinheiro para se deslocar até a prefeitura”, disse Márcio Rosa. Segundo ele, a prefeitura alugará um ônibus para percorrer bairros pobres e fazer o cadastramento.

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Os beneficiários do Bolsa Família, considerados extremamente pobres, recebem um piso mensal de R$ 89,00. O valor é acrescido de R$ 41 por criança (máximo de cinco, de 0 a 15 anos), de R$ 48 por jovem (de 16 a 17 anos, limitado a dois). Para manter o benefício nas famílias com filhos, é preciso comprovar vacinação, pesagem e medição das crianças até 6 anos.

A ajuda da prefeitura de Japeri para amenizar a fome é mínima. A secretaria distribui apenas 600 cestas básicas por ano. O número, esclarece o secretário, refere-se à quantidade de unidades distribuídas, e não de famílias atendidas. Ou seja, o atendimento não alcança todas as famílias em situação de extrema pobreza.

Por causa da violência, a prefeitura suspendeu eventos públicos para vacinação, corte de cabelo e serviços à população. “Como vamos colocar funcionários públicos e a população na rua com três facções brigando entre si?”, indagou o secretário. No início da entrevista, ele mostrou no celular áudios de tiroteios gravados naquela manhã e na véspera.

Há gerações, o sono funciona para escapar da fome
Dormir é um dos artifícios para ludibriar o estômago vazio, diz Sônia Regina Campos, de 61 anos, ao relatar sua história. Nascida no município vizinho de Mesquita, na Baixada Fluminense, ela tem dez filhos e 14 netos. Abandonou os estudos no terceiro ano do ensino fundamental, como aconteceu com a mãe dela.

As semelhanças com a mãe vão além: ambas tiveram dez filhos que não conseguiram alimentar adequadamente. O pai dela, alcoólatra, teve vários ofícios. “Lembro dos dias sem comida na casa de meus pais. Minha mãe punha a gente pra dormir para a fome passar, porque a fome dá sonolência. Isso durou até eu ficar grande. Aos 14 anos, fui morar com minha avó, porque faltava comida na casa da minha mãe”, disse.

Ana Lúcia Araújo/Agência Pública
Sônia Regina Campos: “Muitas vezes coloquei meus filhos para dormir para esquecer a fome, como minha mãe fazia”
Sônia se casou aos 19 anos, contra a vontade da avó, e repetiu o drama vivido pela mãe. O marido vivia de biscates e frequentemente ficava sem trabalho. Ela fazia faxinas para colocar alguma comida na mesa. Mas era insuficiente. “Muitas vezes coloquei meus filhos para dormir para esquecer a fome, como minha mãe fazia.”

Ela lembra que o marido ficava nervoso quando estava desempregado e não havia o que comer, e descarregava a ira espancando-a. “Eu tentava consolar ele, mas ele me batia muito, muito. Batia como se estivesse dando em um homem. Até grávida eu apanhava. Tive meu primeiro filho aos 20 anos. Aos 30, já tinha seis.”

Para alimentar os filhos, Sônia catava sobras de legumes nas feiras e alimentos fora da validade descartados pelos supermercados. “Graças a Deus, meus filhos nunca adoeceram por causa disso.” Ficou viúva aos 53 anos e, como o marido não deixou pensão, passou a sobreviver de faxinas e de R$ 127 por mês que recebe do Bolsa Família.

Hoje, Sônia mora de aluguel em um pequeno cômodo no bairro de Engenheiro Pedreira e divide o espaço com o filho mais novo. Ela dorme na cama de solteiro e o filho, no chão. Não há geladeira nem armário na casa. Há um velho televisor analógico de 14 polegadas e um rádio de pilha.

Suas filhas também têm dificuldade para alimentar os filhos. Uma mora em um cômodo vizinho ao da mãe, com três crianças. Também sobrevive do Bolsa Família e de doações dos vizinhos. Sônia diz que acompanha angustiada a situação da filha e dos três netos pequenos. “Sei que passam fome lá, porque ela vem me pedir comida. Mas posso ajudar pouco, porque também dependo dos vizinhos.”

Sônia Regina Campos com um dos dez filhos durante a pesagem do Bolsa Família

Pesagem do Bolsa Família no posto de saúde em Japeri
Angu com mato
O faminto transforma mato em alimento, como relata Fátima Regina dos Santos, de 53 anos, que nasceu e se criou na pobreza, na Baixada Fluminense:
“Alimentei meus filhos com maxixe e maracujá do mato, com banana verde, angu com mato [capim] e com talo [haste] de pena de galinha assado no fogão a lenha. Passei e ainda passo muita fome. Tem dia que eu queria comer um pão, e não posso”.

Fátima não tem boas lembranças da infância. Contou que a mãe era alcóolatra e se prostituía: “Minha infância foi muito ruim. Passei fome e vestia roupas de saco”, afirmou. Ela teve seis filhos de dois maridos que não a ajudaram no sustento das crianças. Sobrevive com o dinheiro de faxinas ocasionais, com R$ 320 mensais que recebe do Bolsa Família e com a ajuda de vizinhos que às vezes lhe dão “uma pontinha de carne”.

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Fátima Regina dos Santos: uma infância sofrida onde haste de pena de galinha assada substituía o arroz e feijão
Ela mora em uma casa abandonada em uma favela dominada pelo tráfico de drogas do bairro São Jorge, cujos proprietários fugiram para escapar da violência. Vive em companhia de uma neta e da filha mais nova, de 14 anos. Contou que outra filha também mora em casa abandonada na mesma favela e, assim como ela, cria filhos sem a ajuda dos pais e passa fome com frequência.

Comida de presídio
Quem vê Luzia Jesus Mendonça caminhando pelas ruas do bairro Jardim Belo Horizonte, em Japeri, não imagina a dramática situação em que se encontra. Aos 41 anos, sofre de depressão e não possui nenhuma fonte de renda, exceto alguns trocados que obtém com a venda de chinelos e perfumes para vizinhos quase tão pobres quanto ela.

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Luzia Jesus Mendonça busca todos os dias alimentos que sobram do presídio em Japeri
Tem quatro filhos e vive com dois deles e com um companheiro em uma construção inacabada cercada por um matagal, na margem da linha do trem. Do outro lado dos trilhos ficam os presídios onde a família busca diariamente os pães para o café da manhã e as sobras das refeições da guarda.

O filho menor, de 10 anos, é quem busca o pão. Entre 7h e 8h, o menino desce do morro por uma trilha estreita e escorregadia, atravessa a linha do trem, passa pela Escola Municipal Belo Horizonte, onde estuda, e sobe a ladeira até a entrada da Casa de Custódia Cotrim Melo, que faz parte do complexo penitenciário de Japeri, incluindo os presídios Milton Dias e João Carlos da Silva.

Segundo Luzia, nem todos os guardas comem a refeição que é servida. Na maioria das vezes, o garoto volta para casa com pães e manteiga, mas há dias em que leva também guaraná ou achocolatado.

O garoto almoça na escola e por isso à tarde cabe a ela ir ao presídio esperar pelas marmitas recusadas pela guarda, que são distribuídas por volta das 14h. Muitas famílias, segundo ela, matam a fome com a comida do presídio. A marmita – com arroz, feijão, macarrão, farofa e carne – é dividida para o almoço e o jantar da família.

Ela vive sob medicamentos antidepressivos. “Morei na favela do Jacaré [no Rio de Janeiro] quando menina. Vi muitas mortes, muitos tiroteios e fiquei com a cabeça ruim”, resumiu. A família recebe ajuda dos fiéis do templo da Igreja Assembleia de Deus, que ela frequenta. “Tenho ajuda da igreja e do presídio. É lá e cá”, resume.

Excluídas do Bolsa Família
Luzia Mendonça, que depende da comida do presídio para sobreviver, está entre os 6 mil que tiveram o Bolsa Família suspenso. Desde julho, quando o filho de 15 anos foi morar com o pai e abandonou a escola, ela deixou de receber o benefício. A manutenção do pagamento exige frequência escolar mínima de 85% até os 15 anos e de 75% dos 16 aos 17 anos. Com a ausência da sala de aula, veio a perda da ajuda.

Já Luciene da Costa Lima e seus quatro filhos foram suspensos do programa Bolsa Família em setembro de 2018. Segundo ela, o governo bloqueou o pagamento mensal de R$ 525 que recebiam porque o cruzamento dos dados de renda mostrou que a filha menor, de 3 anos, passou a receber pensão do INSS de um salário mínimo em razão da morte do pai, em um acidente de trem.

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Luciene da Costa Lima, analfabeta, luta para ter alimento no prato todos os dias
Sob a ótica fria dos números, a pensão de R$ 950 que a menina passou a receber tirou a família da situação de extrema pobreza. Mas a realidade é outra. Com a pensão da menina, Luciene paga o aluguel da casa, de R$ 250 mensais, e corre para o supermercado para garantir a compra do mês: 35 quilos de arroz, 8 quilos de feijão, oito latas de óleo, 20 quilos de açúcar, sete caixas de leite e bastante fubá para o angu. Não compra café por economia. A carne entra eventualmente no cardápio, mas só as partes menos nobres da galinha, que são mais baratas. “As crianças pedem um iogurte, mas não posso dar”, diz.

A casa é minúscula – sala, quarto e cozinha –, mas os cômodos são limpos e enfeitados com os brinquedos das crianças doados por igrejas. Luciene é analfabeta. Abandonou a escola no segundo ano do ensino fundamental e só sabe desenhar as letras do próprio nome.

Resignação e luta
Aos 29 anos, Joice Aparecida dos Santos Ferreira desdobra-se para criar seis filhos. Os dois mais velhos são pré-adolescentes e a mais nova tem 1 ano. Todas as crianças têm nomes iniciados com K: Kauã, Kaio, Kaíque, Karen, Kailane e Kauane.

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Joice Aparecida dos Santos Ferreira enfrenta uma jornada duro de trabalho para criar seus seis filhos
Todos são filhos do auxiliar de pedreiro Agnaldo Orlando Silva. Sem emprego fixo, ele vive de “bicos”. O casal separou-se e ela precisou ir à Justiça para obrigá-lo a ajudar no sustento dos filhos. Mas a jovem mostra-se resignada com suas duras condições de vida. Não se queixa do ex-marido omisso e elogia uma tia dele, empregada doméstica em Copacabana, que a ajuda com dinheiro e mantimentos.

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Joice vive com as crianças em um “puxadinho” de dois cômodos nos fundos da casa da avó, Maria Ernestina Santos, de 70 anos, ex-empregada doméstica que se alfabetizou depois de aposentada. A avó diz que sofre ao ver as dificuldades da neta. “Ela não me pede nada, mas sei que passa muita dificuldade. Eu a ajudo disfarçadamente, pra não deixá-la com vergonha.”

Os filhos maiores de Joice estudam na Escola Espírita Joanna de Angelis, onde tomam o café da manhã, almoçam e fazem o lanche da tarde. Os menores estão em uma creche municipal, onde também almoçam. A casa em que vivem não tem guarda-roupas, geladeira, mesa nem cadeiras. Apenas uma cama de casal e uma de solteiro, um velho armário e um fogão na cozinha. A única distração na casa é uma pequena TV analógica de 14 polegadas.

Para sustentar os filhos, Joice se desdobra: faz três faxinas por semana e borda vestidos e bermudas em casa, enquanto os filhos estão na escola ou dormindo. Ela presta serviços a uma costureira que paga R$ 2 por short bordado. O pastor da igreja que ela frequenta é feirante e costuma lhe dar verduras.

Ela não imaginava assim seu futuro: “Pensava que seria muito melhor, mas farei tudo o que puder para que meus filhos tenham uma situação melhor que a minha”.

Moradores de Japeri recebem ajuda de religiosos
Na Vila Santa Amélia, um dos bairros mais desassistidos de Japeri, a Instituição Espírita Joanna de Angelis mantém uma escola com 125 alunos em horário integral. Fundada em 1980 pela alagoana Terezinha Oliveira Lopes, de 86 anos, é um projeto liderado por mulheres. As mães dos alunos dedicam um dia do mês para ajudar na cozinha, limpar e cuidar das instalações. As salas são arejadas e enfeitadas com flores e cortinas coloridas. Árvores frutíferas dão sombra que amenizam a temperatura. O amplo refeitório é usado pelos moradores para festas de casamento e aniversários.

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Bairro Santa Amélia, em Japeri. A violência é constante no município com características rurais
A fundadora nasceu em uma família de 20 filhos. Eram pobres, mas nunca passaram fome. “Se não fosse a comida daqui, muitos passariam fome”, conta Terezinha.

Os alunos recebem uniforme e material escolar e têm café da manhã, almoço e lanche da tarde. Além das matérias curriculares, aprendem música, informática e costura. Os custos são bancados por integrantes do Centro Espírita Joanna de Angelis, de Copacabana, e por amigos da fundadora. As famílias dos alunos contribuem com 1 quilo de alimento por mês.

Terezinha é professora aposentada e mora em Botafogo, na zona sul do Rio de Janeiro, cerca de 100 quilômetros de distância dali. Apesar da idade avançada, enfrenta o calor e os engarrafamentos e vai todos os dias úteis a Japeri. “Nunca fui assaltada nem abordada por traficantes. Tampouco recebi ordem de toque de recolher na escola. Sou respeitada por meu trabalho”, diz.

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Terezinha Oliveira de Souza com estudantes: ““Se não fosse a comida daqui, muitos passariam fome”
Ela atribui às entidades espíritas a decisão de construir a escola. Tinha recebido dois lotes em herança e foi até lá com a intenção de vendê-los. Ao ver que não havia nenhuma escola na região, comprou mais dois lotes. “Esta é minha fonte de energia e minha razão de vida”, resume.

Poucos líderes religiosos locais têm a segurança de ir e vir descrita por ela. O pastor Marcos Antônio, 43 anos, da igreja Assembleia de Deus, em Vila Laranjal – outro bairro de Japeri – dirigia seu Ford Focus quando um menino com aparência de 12 anos lhe apontou uma arma e gritou: “Perdeu pastor! Precisamos do seu carro”. Horas depois, outro garoto lhe avisou sobre o local onde o carro havia sido abandonado.

Marcos Antônio imaginava que seria a última pessoa no bairro a ser alvo dos bandidos, não só porque conhece todos os moradores, mas principalmente porque todas as segundas-feiras ele “põe o juízo de lado” e vai às bocas de fumo pregar a Bíblia para os traficantes. Começa as pregações dizendo: “Jesus te ama. Aceite a palavra de Jesus”.

Segundo o pastor, 300 famílias vivem na Vila Laranjal e pelo menos 40% estão em extrema miséria e dependem do Bolsa Família. Nenhum fiel da igreja paga conta de luz. Todos têm ligações clandestinas. Os moradores cortaram o cano de água da igreja para abastecer as casas. “A pobreza aqui é muito grande: há desemprego e violência. As meninas se tornam mães com 14 anos ou menos, e a vida para os rapazes acaba muito cedo. A situação é muito complexa. É preciso reestruturar as famílias.”

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Suelen Paulino de Assis na luta para recuperar o benefício do Bolsa Família: uma enchente inundou seu barraco e ela perdeu os seus documentos e as certidões dos filhos
Pastoral é fonte de alimentação para moradores da Baixada

Toda primeira semana de mês, o pátio da igreja católica Sagrada Família, no bairro da Posse, município de Nova Iguaçu, também na Baixada Fluminense, é tomado pela algazarra de cerca de 50 crianças que são levadas pelas mães para serem medidas e pesadas. Ao final, recebem suplementos alimentares e roupas doadas por fiéis. A equipe da Pastoral da Criança, entidade da Igreja Católica, conhece as necessidades de cada mãe e faz o acompanhamento permanente das mais necessitadas.

É o caso de Suelen Paulino de Assis, de 24 anos, que teve o quinto filho três dias antes do réveillon, uma menina, registrada como Alícia. Ela mora só com os filhos em uma casa abaixo do nível da rua. Quando chove, a água cobre os poucos móveis e o fogão. Mãe e filhos trazem manchas de escabiose, um tipo de sarna transmitida por cachorros. Eles perderam o benefício do Bolsa Família em 2017 porque as certidões de nascimento e as carteiras de vacinação foram levadas pela enchente e não providenciaram novos documentos.

A história de Suelen é igual à de muitas outras jovens pobres da Baixada Fluminense. Os cinco filhos são de quatro pais diferentes. Ela os cria sozinha, sem ajuda financeira de nenhum deles. Engravidou dos namorados no início dos relacionamentos e foi mãe pela primeira vez aos 15 anos. Como consegue alimentar os seus filhos? “Com a ajuda dos outros, dou arroz e feijão. Às vezes, as pessoas me dão um litro de leite”, conta. Verduras e legumes não fazem parte de nenhuma refeição das crianças.

Também atendidas pela Pastoral, Marcela da Cruz Barbosa, de 25 anos, e Marcela Ferreira da Silva, de 36, vivem igualmente na extrema pobreza. A primeira estudou até o quarto ano do ensino fundamental e mora com o marido e três filhos em um barraco de tábua e piso de terra batida. A outra tem cinco filhos e mora na beira de um valão, na periferia de Nova Iguaçu.

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Marcela da Cruz Barbosa com a sogra Marilene Gomes dos Santos: vida difícil para quem mora em um barraco e depende da rede de solidariedade
“Meu sonho é ter uma casa de tijolos. Mas sou caprichosa e mantenho tudo limpo”, acrescenta, com orgulho, Marcela Barbosa. Ela faz faxinas e o marido recebe R$ 216 por semana em um lava-jato. A renda do casal é completada com R$ 350 do Bolsa Família. Eventualmente, os pais dormem com fome.

A outra Marcela é analfabeta, tal como a sua mãe, que também mora na Baixada. “Sempre quis estudar e ser cuidadora de idosos, mas minha mãe não deixou. Ela dizia: se eu não pude ir à escola, você também não pode.”

Ana Lúcia Araújo/Agência Pública
Analfabeta como a mãe, Marcela Ferreira da Silva tem cinco filhos e mora na beira de um valão na periferia de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense
Ela trabalhou como babá até o nascimento do segundo filho e faz faxinas para completar os R$ 241 mensais que recebe do Bolsa Família. O cardápio se limita a arroz com feijão, mas ela diz que não falta esse básico para as crianças. “Sou supermãe. Meus filhos estão sempre em primeiro lugar na minha vida.”

*Colaboraram Angelina Nunes, Claudia Lima e Cristina Alves.

Este texto é resultado do Concurso de Microbolsas de Reportagem Fome, realizado pela Agência Pública em parceria com a Oxfam Brasil.

CABRAL PROMETE ENTREGAR AÉCIO NEVES

Sérgio Cabral está disposto a contar fatos graves sobre Aécio Neves. Em especial, sobre supostos esquemas ilegais do tucano para formar sua chapa de 2014, na disputa pela Presidência da República.

O MPF do Rio de Janeiro já foi informado sobre isso.

 

Em 2014, o PMDB do Rio de Janeiro apoiou oficiosamente Aécio Neves, e incitou o voto Aezão — em Aécio Neves e em Luiz Fernando Pezão.

Cabral disse que ele sabe cada detalhe sobre o que o PSDB e o PMDB fizeram naquele verão.

Veja a lista com o nome dos 29 empresários, que teriam feito sexo com adolescente de 15 anos

Estamos divulgando neste sábado a lista com os 29 nomes de empresários nque teriam feito sexo com uma adolescente de 15 anos em Manaus.

Entre os nomes, como já divulgamos, estão o filho do ex-senador Romero Jucá, Rodrigo, e o gerente da concessionária Mercedes-Benz em Manaus, Ítalo Vasconcelos.

VEJA A LISTA COMPLETA:

1. Bruno Oliveira Lima (namorado)

2. Professor Júnior Vieira

3. Willer Lira #colanopai

4. Felikis

5. Jhontan de Jesus

6. Rodrigo Jucá

7. Italo Vasconcelos

8. Daniel Pinheiro

9. Thales Israel

10. Rodrigo Maciel Castro

11. Felipe Albuquerque 3

12. Gabriel Mourão

13. Eduardo Furlin

14. Rodrigo Mesquita

15. Márcio Gondim

16. Fernando C Fernandes

17. Iago Campos

18. Estacio Mello

19. Yuri Leitao

20. Luis Guilherme

21. Felipe Seabra

22. Fabrissio Gyn

23. Neto pereira

24. Rodrigo Talamas

25. Matheus Tomaz

26. Aldo Neto

27. Bebeto Reis

28. Fernando Alves

29. Christian Otero

Cientistas dizem que há risco de cancer por usar fones de ouvido sem fio

Um grupo de cientistas assinou uma petição, enviada à Organização das Nações Unidas e à Organização Mundial da Saúde, para alertar contra os perigos potenciais de fones de ouvido sem fio, como os AirPods, da Apple, e os Gear Icon e Galaxy Buds, da Samsung. De acordo com informações do jornal The Atlanta Journal-Constitution, os 250 especialistas que assinaram a petição acreditam que os fones de ouvido capresentam possíveis riscos de câncer devido à tecnologia Bluetooth.

A tecnologia usa ondas de rádio de frequência eletromagnética para transmitir dados. A Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer reportou recentemente que as essas ondas podem ser cancerígenas para humanos, especialmente quando usadas em um dispositivo tão próximo ao crânio do usuário.

Segundo os especialistas, altos níveis de exposição a ondas de frequência eletromagnética também podem causar problemas neurológicos e danos ao DNA. “Com base em pesquisas publicadas e revisadas por pares, temos sérias preocupações em relação à exposição onipresente e crescente de campos eletromagnéticos gerados por dispositivos elétricos e sem fio”, diz a petição.

As diretrizes da Organização Mundial da Saúde em relação aos níveis de exposição às ondas eletromagnéticas dizem respeito a quantidades bem maiores do que as emitidas pelos fones de ouvido sem fio. Entretanto, os defensores da petição não acham que as recomendações são boas o suficiente.

“As várias agências que definem padrões de segurança não conseguiram impor diretrizes suficientes para proteger o público em geral, particularmente as crianças, que são mais vulneráveis ​​aos efeitos da EMF”, explica a petição. “Ao não agir, a OMS não está cumprindo seu papel de agência de saúde pública internacional proeminente.”

Sobre o risco de radiação, a Maçã diz que “os produtos da Apple são sempre projetados e testados para atender ou exceder todos os requisitos de segurança”, conforme afirmou Alex Kirschner, porta-voz da Apple, à WSB-TV de Atlanta em 2016, quando os AirPods foram lançados pela primeira vez.

Fonte: Canaltech

WhatsApp cria mecanismo para impedir que você seja adicionado a grupos sem o seu consentimento

Quem nunca se viu insatisfeito por ter sido adicionado a um grupo e, a um só tempo, não querer permanecer nele e também não querer cometer a deselegância de sair?

Segundo o WhatsApp, esses dias de contrariedades estão contados.

Conforme publicação do site WABetaInfo, a plataforma de mensagens está desenvolvendo uma função para impedir que as pessoas sejam incluídas em grupos sem permissão prévia.

Assim que implementada essa nova função, você será convidado a participar do grupo, antes de ser adicionado. E o convite ficará valendo por 72 horas.

Que venha a inovação, afinal, a maioria dos grupos em que somos inseridos não dizem respeito aos nossos interesses.

MULHER DESISTE DO VEGANISMO APÓS DOENÇAS E HOJE COME ATÉ CÉREBRO

A vida de Alma-Jade Chanter sofreu grandes reviravoltas alimentícias. A inglesa resolveu aderir ao veganismo aos 13 anos após se chocar ao assistir vídeos de maus-tratos aos animais. Mas após uma série de problemas em seu organismo, ela voltou a consumir proteína animal e chega a comer 2 kg de carne por dia, inclusive partes como o cérebro e a medula óssea.

Atualmente com 25 anos e morando na Holanda, a estudante vivia com uma dieta restrita baseada em frutas e vegetais. Entretanto, Chanter revelou em reportagem ao tabloide Daily Mail que a falta de vitaminas e minerais fez com que ela sofresse queda de cabelos, perdesse 22 kg, um dente e contraísse uma doença auto-imune que afeta a tireoide.

“Eu fui completamente sugada pela narrativa do veganismo e comprei tudo o que eles diziam. Mas isso estava me deixando tão doente que percebi que não podia mais continuar porque aquilo estava me matando”, afirmou ao tabloide.

“Dentro de apenas uma semana comendo carne eu me senti incrível, e pela primeira vez em muito tempo meu corpo estava livre de dores”, explicou.

Alma-Jade voltou a comer carne aos 19 anos, e atualmente consome apenas proteína animal, inclusive partes como cérebro, corações e fígados. “Eu sei que as pessoas ficam um pouco assustadas com isso, mas eu só acho que se você vai matar um animal, você pode pelo menos ser educado o suficiente para comer ele inteiro.”

Apesar de ter abandonado o veganismo, Chanter afirma que ainda concorda com certas questões defendidas por eles.

“Eu concordo totalmente com veganos de que a agricultura industrial está errada. É por isso que eu nunca compro nada de supermercados e pego toda minha carne de um açougueiro ou do fazendeiro local”, disse.

‘MEU BEBÊ TEM 1 SEMANA E MEU MARIDO PERGUNTOU QUANDO VOU EMAGRECER’

Confira o desabafo de uma mãe que acabou de ter um bebê e está lidando com cobranças absurdas do marido

Fazia apenas uma semana que a mãe havia dado à luz seu bebê quando seu marido jogou a seguinte pergunta: “Você já emagreceu no passado quando estava com seu ex. Você não me ama o suficiente para emagrecer agora por mim?”.  Sim, ele perguntou isso para esposa apenas UMA SEMANA após ela ter dado à luz primeiro filho deles!

Agora o filho do casal já tem dois meses e a mãe emagreceu 13 quilos, mas a pressão do marido para que ela perca o peso restante continua imensa. A mãe então recorreu a rede social materna, Mumsnet, em busca de ajuda.

A mãe fez o seguinte desabafo sobre seu relacionamento: “Tudo começou quando uma semana após dar à luz eu flagrei uma mensagem no celular do meu marido para uma mulher que frequentava a mesma academia que a gente. Ele estava elogiando os braços definidos dela e flertando. Isto obviamente me deixou devastada. Então, eu passei a ver o celular do meu marido com frequência e achei várias fotos de mulheres magras da nossa academia e até de ex-namoradas dele. Isto partiu meu coração, mas eu não falei nada pelo bem do meu bebê”.

O marido acabou descobrindo que ela havia mexido no celular. “Ele disse que eu havia quebrado sua confiança. Mas mesmo assim não falei nada sobre os flagras. Foi quando ele me perguntou: ‘Você já emagreceu no passado quando estava com seu ex. Você não me ama o suficiente para emagrecer agora por mim?’”, contou a mãe.

Sim, ele perguntou isso. A mãe havia engordado 23 quilos na gravidez, apenas uma semana após o parto é perfeitamente normal e esperado que ela tenha emagrecido apenas o peso do bebê e da placenta. Afinal, o normal é demorar cerca de NOVE MESES após o parto para se perder o peso ganho na gestação.

Após este comentário, o bullying do marido continuou e foi piorando. Agora, o filho do casal está com dois meses e a mãe já perdeu 13 quilos, mas as cobranças continuam. “Eu cheguei ao ponto de ir às lagrimas e falar para ele: ‘não é justo!’. E ele continuou dizendo: ‘você não me ama o suficiente para perder o peso que ganhou’. Eu não consigo parar de chorar, estou devastada. Eu realmente acreditava que havia me casado com alguém que me amava por quem eu era, não pela minha aparência. Mas acho que ele se importa só com o corpo. Eu estou muito insegura, me sentindo muito mal no momento, não sei o que fazer”, desabafou a mãe.

Diversas mães opinaram sobre a situação. “Primeiramente, sim, você espiou o celular dele, mas porque você suspeitou de que algo estava errado e de fato havia algo errado! Quem errou foi ELE, não você e não deixe ele te fazer pensar o contrário. Em segundo lugar, é totalmente normal demorar meses para perder o peso da gravidez, foque no seu bem-estar e no do seu filho e não pense em peso agora. Não dê atenção para as cobranças do seu marido. Eu acho que este relacionamento é abusivo e eventualmente é melhor você deixá-lo. Mas eu também sei que estamos muito frágeis neste momento pós-parto. Então, foque em você e no seu bebê e quando se sentir mais forte, se separe do seu marido”, afirmou uma internauta.

Outra internauta ainda disse: “Eu acho que você consegue se livrar de uns 80 kg de peso indesejável se mandar esse homem pra fora da sua casa!”. Uma internauta comentou: “Se separe deste homem! Ele te desrespeitou duas vezes: ao flertar com outras mulheres e também ao querer que você emagreça logo após ter dado à luz ao filho dele!”.

Foto: Reprodução Mumsnet – A resposta de uma mãe ao desabafo da mulher com um bebê que está sofrendo cobranças absurdas do marido

Ainda restam ingressos para show do Los Hermanos no Maracanã

Daqui a 47 dias, mais precisamente na data de 04/05 (sábado), a banda carioca Los Hermanos invade o Maracanã, em apresentação única na capital fluminense referente à turnê 2019, que passará também por outras cidades, como São Paulo, Brasília e Salvador, após quase 4 anos longe dos palcos.

O quarteto formado por Marcelo Camelo, Rodrigo Amarante, Bruno Medina e Rodrigo Barba promete um show completo no estádio mais famoso do mundo, com grandes clássicos da carreira da banda, como, por exemplo, O VencedorTodo Carnaval Tem Seu FimSentimental e a absurdamente popular Anna Júlia.

Los Hermanos durante show na Marina da Glória, em 2015 – Foto: Reprodução/Internet

Com ingressos sendo vendidos desde dezembro de 2018, os bilhetes referentes à ”Pista Comum”, ”Área Premium” e ”Cadeira Inferior Leste” já estão esgotados, mas ainda há entradas disponíveis para os outros 6 setores do evento: ”Cadeira Superior Sul – Nível 2”, ”Cadeira Superior Sul – Nível 5”, ”Cadeira Superior Leste”, ”Cadeira Inferior Oeste”, ”Cadeira Premium Lounge Leste” e ”Cadeira Maracanã Mais Oeste”. Os valores (de inteira) variam entre R$ 100 e R$ 280.

E, após o grande sucesso da campanha Natal Sem Fome, o Los Hermanos está apoiando a Campanha da APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais). De 11/03 até a data do show, além dos ingressos normais e os de meia-entrada, serão disponibilizados em todos os pontos de venda e no site o Ingresso Benfeitor, que terá 50% de desconto do valor da inteira + R$ 10. Estes 10 reais serão revertidos integralmente para a ampliação dos atendimentos às pessoas com deficiência intelectual.

Além disso, em respeito à diversidade humana, assim como na turnê de 2015, jovens com síndrome de Down estarão trabalhando em todos os shows.

SERVIÇO

Los Hermanos no Maracanã
Data: 04 de maio (sábado)
Abertura da Casa: 17h / Show: 21h
Endereço: Rua Professor Eurico Rabelo, s/n – Maracanã – Rio de Janeiro/RJ
Classificação Etária: 18 anos (6 a 17 anos, acompanhados de responsável)
Ingressos

Valores dos Ingressos

Cadeira Superior Sul – Nível 2 (1º lote)
R$ 50 (meia-entrada solidária 1kg alimento)
R$ 50 (meia-entrada Clientes Elo)
R$ 50 (meia-entrada)
R$ 100 (inteira)

Cadeira Superior Sul – Nível 5 (1º lote)
R$ 50 (meia-entrada solidária 1kg alimento)
R$ 50 (meia-entrada Clientes Elo)
R$ 50 (meia-entrada)
R$ 100 (inteira)

Cadeira Superior Leste (1º lote)
R$ 70 (meia-entrada solidária 1kg alimento)
R$ 70 (meia-entrada Clientes Elo)
R$ 70 (meia-entrada)
R$ 140 (inteira)

Cadeira Inferior Oeste (1º lote)
R$ 95 (meia-entrada solidária 1kg alimento)
R$ 95 (meia-entrada Clientes Elo)
R$ 95 (meia-entrada)
R$ 190 (inteira)

Cadeira Premium Lounge Leste (1º lote)
R$ 130 (meia-entrada solidária 1kg alimento)
R$ 130 (meia-entrada Clientes Elo)
R$ 130 (meia-entrada)
R$ 260 (inteira)

Cadeira Maracanã Mais Oeste (1º lote)
R$ 140 (meia-entrada solidária 1kg alimento)
R$ 140 (meia-entrada Clientes Elo)
R$ 140 (meia-entrada)
R$ 280 (inteira)

Área Premium (esgotada)
Cadeira Inferior Leste (esgotada)
Pista Comum (esgotada)

Estudo de psicólogos diz que ninguém é 100% heterossexual ou 100% homossexual

A ideia de uma sexualidade fluida não é exatamente nova, uma vez que já foi proposta pelo biólogo e sexólogo Alfred Kinsey, um pesquisador que foi fundamental para o campo da sexologia.

 

Suas ideias foram alimentadas pelo psicólogo e especialista em estudos de gênero, Ritch C Savin-Williams, que mantém a visão de que a sexualidade é um espectro. Segundo ele, devido a influência das sociedades e culturas que crescemos, há um estigma em admitirmos nossas preferências sexuais, especialmente entre os homens.

A afirmação de que ninguém é completamente heterossexual foi baseada em um estudo de 2015, liderado pelo Dr. Gerulf Rieger, do Departamento de Psicologia da Universidade de Essex, no Reino Unido, que durou dois anos e analisou 345 mulheres de diferentes orientações sexuais. Estas se identificavam como “heterossexuais”, “maioria das vezes heterossexuais”, “bissexuais com uma inclinação maior a heterossexualidade”, “bissexuais com uma inclinação maior a homossexualidade” e “lésbicas”.

 

A elas foram apresentados todos os tipos de pornografia, envolvendo todos os tipos de homens, mulheres e ambos, de modo que suas respostas fisiológicas corporais eram medidas para que fosse verificado o que as despertavam. O experimento também incluiu rastreamento da dilatação das pupilas, bem como mudanças de pulso e fluxo sanguíneo em seus órgãos genitais enquanto assistiam aos filmes.

Os resultados, publicados no periódico Journal of Personality and Social Psychology, mostraram que aquelas que se identificavam como lésbicas eram mais significativamente estimuladas por pessoas do mesmo sexo do que o oposto. No entanto, também mostrou que aquelas que se identificavam como unicamente heterossexuais foram, em média, estimuladas por pessoas do gênero masculino e feminino.

 

A parte importante dessa constatação, no entanto, é o “em média”, segundo os pesquisadores. Isso significa que, embora algumas das mulheres que se identificaram como heterossexuais tenham ficado excitadas com pornografia feminina, isso atesta que elas podem não ser 100% heterossexuais como afirmaram antes do estudo.

 

Além disso, os resultados indicam que, embora as mulheres declaradas como lésbicas no estudo tenham ficado mais “significativamente estimuladas” quando a pornografia era puramente feminina, elas não descartaram a excitação quando observavam aos homens, o que indica que também não eram puramente gays.

 

Uma das críticas que foram apresentadas sobre o estudo fala sobre a diferença entre a excitação sexual e orientação sexual. “Embora a maioria das mulheres se identifique como heterossexuais, nossa pesquisa demonstra claramente que, quando se trata do que as transforma, elas são bissexuais ou gays, mas nunca somente heterossexuais“, disse Rieger.

O estudo também observou que, ao contrário dos homens, a atração sexual de uma mulher pode ser menos afetada pelo sexo do parceiro e mais influenciada por fatores culturais e sociais, incluindo histórico de relacionamento, experiências educacionais, crenças religiosas e assimilação cultural. Como resultado disso, a atitude sexual de uma mulher pode variar muito mais do que a de um homem, e estudos como esse parecem apoiar tal ideia. Os níveis de exposição hormonal também são citados como uma possível explicação para a variabilidade geral nas respostas aos estímulos sexuais.

 

Segundo os autores, o tema do estudo é assunto extremamente complicado, uma vez que “existe uma variabilidade considerável entre o sexo na excitação sexual fisiológica e estímulos masculinos ou femininos”. Eles apontaram que a pesquisa se baseia de fato em padrões ocidentais e, portanto, não podem ser aplicados com precisão à população de maneira mais ampla – ou global.

 

Ainda, a ideia por trás do estudo não é exatamente uma novidade. Há muito tempo psicólogos vem aceitando que a sexualidade é menos definida do que muita gente gostaria de pensar, e sim contínua. Savin-Williams escreveu um livro sobre o assunto, concentrando-se em como os homens “heterossexuais” enfrentam pressões sociais quando se trata de admitir que acham pessoas do mesmo sexo bonitas, dado os estigmas sociais que ainda enfrentamos quando o assunto é homossexualidade.

MP pede prisão de ex-pastor suspeito de pedofilia em igreja no RJ

O Ministério Público do Estado (MPRJ) pediu a prisão do ex-pastor Paulo Giovanni Moraes Bezerra, suspeito de estupro de adolescentes na Segunda Igreja Batista de Vieira Fazenda na comunidade do Jacarezinho, no Jacaré, Zona Norte do Rio. O caso foi revelado pelo DIA no início de fevereiro. Segundo as vítimas, Paulo Giovani Moraes teria praticado os abusos entre os anos de 2013 e 2016, quando elas, membros da mesma igreja, tinham entre 12 e 16 anos.

O suspeito já foi absolvido em outro caso semelhante, que tramitou na 40ª Vara Criminal em 2010, também envolvendo estupro de vulnerável. Na ocasião, o processo foi arquivado.

De acordo com o promotor Sauvei Lai, o pedido da prisão foi feito nesta sexta-feira. “Existem dois riscos: dele continuar praticando os abusos tendo em vista o seu histórico e também o risco da fuga”, afirma. “Os crimes praticados por ele são gravíssimos, estamos falando de pedofilia”, completa.

O caso veio à tona quando a mãe de um dos menores desconfiou da mudança de comportamento do filho, que passou a demorar mais no banheiro, dormir pouco e ficar muito tempo no celular. Segundo a mulher, que não quis se identificar, um quadro de depressão fez com que ela investigasse o que estava acontecendo com o filho. Ao checar o telefone do adolescente, ela encontrou mensagens antigas e fotos de partes íntimas de Giovanni, que pedia para o menor enviar também.

“Ele se sentia ameaçado, tinha medo, porque o Giovanni falava que ninguém ia acreditar nele. Meu filho entrou em depressão duas vezes. Em novembro de 2017 ele não levantava da cama, não tomava banho, não abria o olho, tudo devido a essa situação”, desabafou ao DIA a mãe do rapaz.

O promotor diz que após a mãe tornar público o abuso, outras duas vítimas denunciaram. “É como uma avalanche, depois que um denuncia outros vão tomando coragem de denunciar também. O caso do João de Deus mostra muito bem isso”, compara.

Sauvei Lai faz um apelo para que vítimas do ex-pastor tomem coragem de denunciar na polícia e no Ministério Público. Paulo Giovani foi denunciado pelo órgão pelos crimes de estupro de vulnerável, estupro comum qualificado e produção de imagens pornográficas. Somando todas as penas o homem pode pegar até 351 anos de prisão.