Em caso raro, gêmeas nascem com três dias de diferença, em Francisco Beltrão

Caso raro na medicina, as gêmeas Rebeca e Martina nasceram com três dias de diferença. A primeira veio ao mundo no dia 31 de dezembro, a segunda, na tarde de quinta-feira (3). Ambas nasceram de parto normal.

Segundo a mãe, Fernanda Cerrzolli de Oliveira, de 36 anos, as duas estavam sendo esperadas para o fim de janeiro. Ela e o marido, o pastor Willian Alfred de Oliveira, já têm uma filha, Gabriela, de oito anos.

“A bolsa estourou quatro horas da manhã. Estava meio dormindo ainda, não sabia o que fazer. Pegamos todas as coisas e corremos para o hospital”, conta o pai.

Rebeca nasceu de parto normal, com 2,07 kg e 42 centímetros, no Hospital Regional de Francisco Beltrão, no sudoeste do Paraná.

Prematura de 33 semanas – o ideal é que os nascimentos ocorram com 40 semanas de gestação –, ela foi levada para a incubadora da UTI neonatal.

“É muito comum a gente ter um parto de gemilar e, em seguida, após alguns minutos até meia hora, 40 minutos, uma hora, ter o nascimento do outro nenêm. A gente aguardou esse tempo e esse bebê não vinha, esse bebê não vinha, e a gente optou por não intervir”, disse a médica responsável, a pediatra Fernanda Perotta Consentino.

Rebeca nasceu de parto normal, com 2,07 kg e 42 centímetros, no Hospital Regional de Francisco Beltrão, e precisou ser internada na UTI neonatal — Foto: Michelli Arenza/RPC

A mãe foi mantida na sala de parto por mais algumas horas aguardando que a outra filha nascesse.

Nestes casos, normalmente os médicos decidem por uma cesariana, mas a pediatra Fernanda Perotta Consentino tomou outra decisão. Cada dia na barriga da mãe era importante para Martina, mas também um risco de infecção.

O casal de pastores, Fernanda e Willian, já tinham uma filha, Gabriela, de oito anos — Foto: Michelli Arenza/RPC

Gêmeas idênticas

Manter Martina na barriga da mãe só foi possível por conta de como as duas bebês, que são idênticas, se formaram.

Quando Fernanda engravidou, o mesmo óvulo fecundado se dividiu em dois e, apesar de ocuparem a mesma placenta, elas estavam em bolsas separadas. Por isso, quando uma nasceu a outra pôde ficar um pouco mais na barriga da mãe.

“A gente fez ultrassom, viu que ela tinha virado, já tinha ‘madurado’, então era hora de dar um empurrãozinho para nascer”, comentou o médico Rubens Schir.

O parto foi induzido e não demorou meia hora para Martina nascer, também de parto normal. Graças aos dias a mais na barriga da mãe, ela não precisou ficar na UTI neonatal.

“Quando eu chegava perto lá da incubadora, a Martina começava a mexer muito. Ela mexia demais, assim, sabe? Parecia que as duas queriam se comunicar ali. Bem interessante”, relembra a mãe das gêmeas.

Graças aos dias a mais na barriga da mãe, Martina, que nasceu na quinta-feira (3) não precisou ficar na UTI — Foto: William Brisida/RPC

A mãe teve uma complicação comum em partos de prematuros: a placenta grudou no útero e ela precisou passar por uma cirurgia, mas já está bem.

As filhas também devem ficar mais algum tempo se recuperando no hospital.

“Foi inusitado, bem diferente do que imaginou e até do que a gente sonhou”, comentou o pai. “Na escola é que vai ser complicado para elas explicarem para os colegas que, mesmo gêmeas, elas nasceram em dias e anos diferentes”, completou.

Em caso raro, gêmeas nascem com três dias de diferença, em Francisco Beltrão — Foto: Reprodução/RPC

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Crivella anuncia mutirão de cirurgias ortopédicas a partir de domingo (06)

O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, anunciou na tarde desta sexta-feira (04/01), durante reunião com a secretária municipal de Saúde, Beatriz Busch, e diretores de unidades, que começa neste domingo (06) um mutirão de cirurgias ortopédicas na rede de saúde da Prefeitura. O mutirão será realizado nos seguintes hospitais municipais: Salgado Filho, Miguel Couto, Souza Aguiar, Lourenço Jorge, Evandro Freire, Pedro II, Albert Schweitzer e Rocha Faria. E a partir do fim de semana seguinte (12 e 13 de janeiro), o mutirão prossegue com a realização de 25 cirurgias nos sábados e 25 cirurgias nos domingos, enquanto houver demanda de pacientes.
– Nós passamos na manhã de hoje no Hospital Pedro II. E verificamos que nas enfermarias, onde cabem 30 pessoas, tinham 70. Muitos aguardando cirurgias ortopédicas. São pacientes que estão esperando para realização de cirurgias porque neste período de festas de fim de ano, chegam muitas pessoas com traumatismos urgentes e precisam ser operadas emergencialmente. Então, me reuni com a subsecretária de Saúde e com os diretores para começarmos um mutirão neste domingo. E vou percorrer alguns hospitais. Vamos operar 25 pessoas neste domingo – explica o prefeito.
As fraturas abordadas durante o mutirão serão as fechadas e de extremidades – pernas/pés e braços/mãos. São os pacientes com esses quadros que, normalmente, passam alguns períodos internados. Por não serem casos de urgência, muitas vezes têm a cirurgia marcada, mas pode ocorrer de serem retirados do mapa cirúrgico devido à chegada de um trauma grave que precise ser levado imediatamente à sala de operação, sob risco de morte da vítima.
Nesta época de fim de ano, devido às férias e festas, a ocorrência de acidentes de trânsito e domésticos costuma aumentar, elevando também os números de vítimas e sobrecarregando os hospitais de emergência.
A grande quantidade de pessoas à espera de cirurgia reflete a crise financeira que ocorre no Estado do Rio de Janeiro. O Rio perdeu uma grande quantidade de empregos e muitos trabalhadores perderam plano de saúde, passando a recorrer à rede municipal de Saúde. Também é comum que pessoas de municípios vizinhos, especialmente da Baixada Fluminense, busquem atendimento na rede da Prefeitura, que continuará de portas abertas para atender a população.
– Os profissionais da Saúde do município se dedicam intensamente ao trabalho, todos os dias. Mas as notícias não mostram as pessoas que são salvas diariamente por nossos profissionais. Só saem notícias que causam revolta, mas que são exceção. O normal é o tratamento humanizado – explica o prefeito.
Em 2018, a Secretaria Municipal de Saúde realizou o Corujão Carioca, mutirão de cirurgias eletivas no terceiro turno e fins de semana nos hospitais Souza Aguiar, Salgado Filho, Miguel Couto, Lourenço Jorge, Piedade, Francisco da Silva Telles, Nossa Senhora do Loreto e Jesus. De março a novembro, foram realizadas 8.018 cirurgias de hérnia (inguinal, umbilical e epigástrica), oftalmológicas (pterígio e calázio), vasectomia e postectomia (fimose), que são alguns dos procedimentos com maiores demandas na plataforma do SISREG.

Idosos órfãos de filhos vivos são os novos desvalidos do século XXI.

Atenção e carinho estão para a alegria da alma, como o ar que respiramos está para a saúde do corpo. Nestas últimas décadas surgiu uma geração de pais sem filhos presentes, por força de uma cultura de independência e autonomia levada ao extremo, que impacta negativamente no modo de vida de toda a família.

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Muitos filhos adultos ficam irritados por precisarem acompanhar os pais idosos ao médico, aos laboratórios. Irritam-se pelo seu andar mais lento e suas dificuldades de se organizar no tempo, sua incapacidade crescente de serem ágeis nos gestos e decisões

A ordem era essa: em busca de melhores oportunidades, vinham para as cidades os filhos mais crescidos e não necessariamente os mais fortes, que logo traziam seus irmãos, que logo traziam seus pais e moravam todos sob um mesmo teto, até que a vida e o trabalho duro e honesto lhes propiciassem melhores condições.

Este senhor, com olhos sonhadores, rememorava com saudade os tempos em que cavavam buracos nas terras e ali dormiam, cheios de sonho que lhes fortalecia os músculos cansados. Não importava dormir ao relento. Cediam ao cansaço sob a luz das estrelas e das esperanças.

A evasão dos mais jovens em busca de recursos de sobrevivência e de desenvolvimento, sempre ocorreu. Trabalho, estudos, fugas das guerras e perseguições, a seca e a fome brutal, desde que o mundo é mundo pressionou os jovens a abandonarem o lar paterno.

Também os jovens fugiram da violência e brutalidade de seus pais ignorantes e de mau gênio. Nada disso, porém, era vivido como abandono: era rompimento nos casos mais drásticos. Era separação vivida como intervalo, breve ou tornado definitivo, caso a vida não lhes concedesse condição futura de reencontro, de reunião.

Separação e responsabilidade

Assim como os pais deixavam e, ainda deixam seus filhos em mãos de outros familiares, ao partirem em busca de melhores condições de vida, de trabalho e estudos, houve filhos que se separaram de seus pais. Em geral, porém, isso não é percebido como abandono emocional. Não há descaso nem esquecimento.

Os filhos que partem e partiam, também assumiam responsabilidades pesadas de ampará-los e aos irmãos mais jovens. Gratidão e retorno, em forma de cuidados ainda que à distância. Mesmo quando um filho não está presente na vida de seus pais, sua voz ao telefone, agora enviada pelas modernas tecnologias e, com ela as imagens nas telinhas, carrega a melodia do afeto, da saudade e da genuína preocupação.

E os mais velhos nutrem seus corações e curam as feridas de suas almas, por que se sentem amados e podem abençoá-los. Nos tempos de hoje, porém, dentro de um espectro social muito amplo e profundo, os abandonos e as distâncias não ocupam mais do que algumas quadras ou quilômetros que podem ser vencidos em poucas horas.

Nasceu uma geração de ‘pais órfãos de filhos’. Pais órfãos que não se negam a prestar ajuda financeira. Pais mais velhos que sustentam os netos nas escolas e pagam viagens de estudo fora do país. Pais que cedem seus créditos consignados para filhos contraírem dívidas em seus honrados nomes, que lhes antecipam herança.

Mas que não têm assento à vida familiar dos mais jovens, seus próprios filhos e netos, em razão – talvez, não diretamente de seu desinteresse, nem de sua falta de tempo – mas da crença de que seus pais se bastam.

Este estilo de vida, nos dias comuns, que não inclui conversa amena e exclui a ‘presença a troco de nada, só para ficar junto’, dificulta ou, mesmo, impede o compartilhar de valores e interesses por parte dos membros de uma família na atualidade, resulta de uma cultura baseada na afirmação das individualidades e na política familiar focada nos mais jovens, nos que tomam decisões ego-centradas e na alta velocidade: tudo muito veloz, tudo fugaz, tudo incerto e instável.

Vida líquida, como diz Zygmunt Bauman, sociólogo polonês. Instalou-se e aprofundou-se nos pais, nem tão velhos assim, o sentimento de abandono. E de desespero. O universo de relacionamento nas sociedades líquidas assegura a insegurança permanente e monta uma armadilha em que redes sociais são suficientes para gerar controle e sentimento de pertença.

Não passam, porém de ilusões que mascaram as distâncias interpessoais que se acentuam e que esvaziam de afeto, mesmo aquelas que são primordiais: entre pais e filhos e entre irmãos. O desespero calado dos pais desvalidos, órfãos de quem lhes asseguraria conforto emocional e, quiçá material, não faz parte de uma genuína renúncia da parte destes pais, que ‘não querem incomodar ninguém’, uma falsa racionalidade – e é para isso que se prestam as racionalizações – que abala a saúde, a segurança pessoal, o senso de pertença.

É do medo de perder o pouco que seus filhos lhes concedem em termos de atenção e presença afetuosa. O primado da ‘falta de tempo’ torna muito difícil viver um dia a dia em que a pessoa está sujeita ao pânico de não ter com quem contar.

A irritação por precisar mudar alguns hábitos. Muitos filhos adultos ficam irritados por precisarem acompanhar os pais idosos ao médico, aos laboratórios. Irritam-se pelo seu andar mais lento e suas dificuldades de se organizar no tempo, sua incapacidade crescente de serem ágeis nos gestos e decisões.

Desde os poucos minutos dos sinais luminosos para se atravessar uma rua, até as grandes filas nos supermercados, a dificuldade de caminhar por calçadas quebradas e a hesitação ao digitar uma senha de computador, qualquer coisa que tire o adulto de seu tempo de trabalho e do seu lazer, ao acompanhar os pais, é causa de irritação.

Inclusive por que o próprio lazer, igualmente, é executado com horário marcado e em espaço determinado. Nas salas de espera veem-se os idosos calados e seus filhos entretidos nos seus jornais, revistas, tablets e celulares. Vive-se uma vida velocíssima, em que quase todo o tempo do simples existir deve ser vertido para tempo útil, entendendo-se tempo útil como aquele que também é investido nas redes sociais.

Enquanto isso, para os mais velhos o relógio gira mais lento, à medida que percebem, eles próprios, irem passando pelo tempo. O tempo para estar parado, o tempo da fruição está limitado. Os adultos correm para diminuir suas ansiosas marchas em aulas de meditação. Os mais velhos têm tempo sobrante para escutar os outros, ou para lerem seus livros, a Bíblia, tudo aquilo que possa requerer reflexão.

Ou somente uma leve distração. Os idosos leem o de que gostam. Adultos devoram artigos, revistas e informações sobre o seu trabalho, em suas hiper especializações. Têm que estar a par de tudo just in time – o que não significa exatamente saber, posto que existe grande diferença entre saber e tomar conhecimento.

Já, os mais velhos querem mais é se livrar do excesso de conhecimento e manter suas mentes mais abertas e em repouso. Ou, então, focadas naquilo que realmente lhes faz bem como pessoa. Restam poucos interesses em comum a compartilhar. Idosos precisam de tempo para fazer nada e, simplesmente recordar. Idosos apreciam prosear. Adultos têm necessidade de dizer e de contar. A prosa poética e contemplativa ausentou-se do seu dia a dia. Ela não é útil, não produz resultados palpáveis.

A dificuldade de reconhecer a falta que o outro faz.

Do prisma dos relacionamentos afetivos e dos compromissos existenciais, todas as gerações têm medo de confessar o quanto o outro faz falta em suas vidas, como se isso fraqueza fosse. Montou-se, coletivamente, uma enorme e terrível armadilha existencial, como se ninguém mais precisasse de ninguém.

A família nuclear é muito ameaçadora. para o conforto, segurança e bem-estar: um número grande de filhos não mais é bemvindo, pais longevos não são bem tolerados e tudo isso custa muito caro, financeira, material e psicologicamente falando. Sobrevieram a solidão e o medo permanente que impregnam a cultura utilitarista, que transformou as relações humanas em transações comerciais. As pessoas se enxergam como recursos ou clientes.

Pais em desespero tentam comprar o amor dos filhos e temem os ataques e abandono de clientes descontentes. Mas, carinho de filho não se compra, assim como ausência de pai e mãe não se compensa com presentes, dinheiro e silêncio sobre as dores profundas as gerações em conflito se infringem.

Por vezes a estratégia de condutas desviantes dão certo, para os adolescentes conseguirem trazer seus pais para mais perto, enquanto os mais idosos caem doentes, necessitando – objetivamente – de cuidados especiais. Tudo isso, porém, tem um altíssimo custo. Diálogo? Só existe o verdadeiro diálogo entre aqueles que não comungam das mesmas crenças e valores, que são efetivamente diferentes.

Conversar, trocar ideias não é dialogar. Dialogar é abrir-se para o outro. É experiência delicada e profunda de auto revelação. Dialogar requer tempo, ambiente e clima, para que se realizem escutas autênticas e para que sejam afastadas as mútuas projeções. O que sabem, pais e filhos, sobre as noites insones de uns e de outros? O que conversam eles sobre os receios, inseguranças e solidão? E sobre os novos amores? Cada geração se encerra dentro de si própria e age como se tudo estivesse certo e correto, quando isso não é verdade.

A dificuldade de reconhecer limites característicos do envelhecimento dos pais. Este é o modelo que se pode identificar. Muito mais grave seria não ter modelo. A questão é que as dores são tão mascaradas, profundas e bem alimentadas pelas novas tecnologias, inclusive, que todas as gerações estão envolvidas pelo desejo exacerbado de viver fortes emoções e correr riscos desnecessários, quase que diariamente.

Drogas e violência toldam a visão de consequências e sequestram as responsabilidades. Na infância e adolescência os pais devem ser responsáveis pelos seus filhos. Depois, os adultos, cada qual deve ser responsável por si próprio. Mais além, os filhos devem ser responsáveis por seus pais de mais idade.

E quando não se é mais nem tão jovem e, ainda não tão idoso que se necessite de cuidados permanentes por parte dos filhos? Temos aí a geração de pais desvalidos: pais órfãos de seus filhos vivos. E estes respondem, de maneira geral, ou com negligência ou, com superproteção. Qualquer das formas caracteriza maus cuidados e violência emocional.

Na vida dos mais velhos alguns dos limites físicos e mentais vão se instalando e vão mudando com a idade. Dos pais e dos filhos. Desobrigados que foram de serem solidários aos seus pais, os filhos adultos como que se habituaram a não prestarem atenção às necessidades de seus pais, conforme envelhecem.

Mantêm expectativas irrealistas e não têm pálida ideia do que é ter lutado toda uma vida para se auto afirmar, para depois passar a viver com dependências relativas e dar de frente com a grande dor da exclusão social. A começar pela perda dos postos de trabalho e, a continuar, pela enxurrada de preconceitos que se abatem sobre os idosos, nas sociedades profundamente preconceituosas e fóbicas em relação à morte e à velhice.

Somente que, em vez de se flexibilizarem, uns e outros, os filhos tentam modificar seus pais, ensinando-lhes como envelhecer. Chega a ser patético. Então, eles impõem suas verdades pós-modernas e os idosos fingem acatar seus conselhos, que não foram pedidos e nem lhes cabem de fato.

De onde vem a prepotência de filhos adultos e netos adolescentes que se arrogam saber como seus pais e avós devem ser, fazer, sentir e pensar ao envelhecer? É risível o esforço das gerações mais jovens, querendo educa-los, quando o envelhecimento é uma obra social e, mais, profundamente coletiva, da qual os adultos de hoje – que justa, porém indevidamente – cultivam os valores da juventude permanente e, da velhice não fazem a mais pálida ideia.

Além do que, também não têm a menor noção de como haverão eles próprios de envelhecer, uma vez que está em curso uma profunda mudança nas formas, estilos e no tempo de se viver até envelhecer naturalmente e, morrer a Boa Morte. Penso ser uma verdadeira utopia propor, neste momento crítico, mudanças definidas na interação entre pais e filhos e entre irmãos.

Mudanças definidas e, de nenhuma forma definitivas, porém, um tanto mais humanas, sensíveis e confortáveis. O compartilhar é imperativo. O dialogar poderá interpor-se entre os conflitos geracionais, quem sabe atenuando-os e reafirmando a necessidade de resgatar a simplicidade dos afetos garantidos e das presenças necessárias para a segurança de todos.

Quando a solidão e o desamparo, o abandono emocional, forem reconhecidos como altamente nocivos, pela experiência e pelas autoridades médicas, em redes públicas de saúde e de comunicação, quem sabe ouviremos mais pessoas que pensam desta mesma forma, porém se auto impuseram a lei do silêncio. Por vergonha de se declararem abandonados justamente por aqueles a quem mais se dedicaram até então.

É necessário aprender a enfrentar o que constitui perigo, alto risco para a saúde moral e emocional para cada faixa etária. Temos previsão de que, chegados ao ano de 2.035, no Brasil haverá mais pessoas com 55 anos ou mais de idade, do que crianças de até dez anos, em toda a população. E, com certeza, no seio das famílias. Estudos de grande envergadura em relação ao envelhecimento populacional afirmam que a população de 80 anos e mais é a que vai quadruplicar de hoje até o ano de 2.050.

O diálogo, portanto, intra e intergeracional deve ensaiar seus passos desde agora. O aumento expressivo de idosos acima dos 80 anos nas políticas públicas ainda não está, nem de longe, sendo contemplado pelas autoridades competentes.

As medidas a serem tomadas serão muito duras. Ninguém de nós vai ficar de fora. Como não deve permanecer fora da discussão sobre o envelhecimento populacional mundial e as estratégias para enfrentá-lo.

Por Ana Fraiman, Mestre em Psicologia Social pela USP.

Mesmo sofrendo bullying, menino deixa cabelo crescer para fazer perucas a crianças com câncer

Quais eram suas preocupações aos 8 anos?

Para o jovem morador da Flórida, nos Estados Unidos, Christian McPhilamy, era deixar seu cabelo grande o suficiente para poder doá-los.

Essa ideia nasceu há cerca de dois anos, quando ele viu um comercial na TV sobre um hospital no país que trata de crianças com câncer, o St. Jude Children’s Hospital.

Desde então passou a cultivar sua longa cabeleira loira que se tornaria perucas para crianças que perdem o cabelo devido ao tratamento da doença.

O determinado garoto doou mais de 25 centímetros de seu cabelo. Porém, para alcançar seu objetivo, ele teve que enfrentar um dos maiores medos de qualquer criança da idade dele: o bullying na escola.

“Seus colegas de escola chamando-o de menina, até mesmo professores e amigos da família dizendo que ele deveria cortar o cabelo e até mesmo oferecendo dinheiro para que ele cortasse. Mesmo assim, ele nunca se desviou do objetivo e procurou educar os outros sobre o porque da escolha de deixar o cabelo crescer”, contou a mãe do garoto, Deeanna Thomas.

As crianças que receberam a ajuda agradecem que ele não tenha desistido diante de piadas, ofensas e a falta de compreensão. E, além dele ter ajudado quem precisa, sua história leva adiante essa informação e o conhecimento que muitos não tinham.

Agora conheça Christian McPhilamy e seu cabelo do bem!

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Família se nega a sepultar jovem acreditando que ela ressuscitaria

Uma situação no mínimo inusitada movimentou a cidade de Delmiro Gouveia, no sertão de Alagoas, neste sábado (5). A polícia precisou agir para convencer a família de Jéssica Lima a sepultá-la.

A jovem morreu na quinta-feira (3), vítima de uma infecção generalizada, enquanto estava internada no hospital de um município próximo – Palmeira dos Índios -, após passar mal e sofrer várias paradas cardíacas. Ela deu entrada na unidade de saúde no dia 23 de dezembro.

O impasse teve início durante o velório de Jéssica, que acontecia na casa dos pais dela. De acordo com informações do portal Uol, uma tia evangélica fez uma série de orações e informou que a jovem ressuscitaria às 7h de hoje.

Depois disso, o que não faltou foi esperança. E relatos de pessoas que juravam ter visto o corpo, já no caixão, se movimentar. Houve também quem garantisse que a temperatura do cadáver estava voltando ao normal e que os músculos não estavam tão rígidos.

Tremor de terra é registrado na região de Tarauacá, no Acre

Cães seguem ambulância e esperam dono ser atendido em hospital

Familiares de Jéssica, então, decidiram colocar o corpo sobre a cama de um dos quartos. Na porta da residência, dezenas de curiosos à espera do grande acontecimento. Foi preciso acionar a polícia que tentou, sem sucesso, convencer os pais da jovem a levá-las ao hospital. O objetivo era fazê-los ouvir, novamente, a confirmação do óbito.

Sem acordo, o jeito foi levar o profissional de saúde à residência. “A família disse que não deixaria levarmos o corpo para o hospital para ser examinado, mas convencemos os pais da falecida a deixar um médico examinar o corpo. Trouxemos o médico e ele reforçou o atestado de óbito”, conta o delegado Daniel Mayer.

A missão foi dada ao médico Petrúcio Bandeira. “Depois de muito conversar, tive acesso ao corpo e fiz umas manobras para identificar se a paciente foi a óbito, como analisar a dilatação das pupilas, a temperatura do corpo, que estava gelado, apesar de ainda não apresentar rigidez nas articulações”, detalhou o médico. “Não havia movimento toráxico, não tinha batimento cardíaco e esse conjunto aponta que o paciente está em óbito. A parte religiosa não discuto, mas não há como contestar que ali se tratava de um cadáver”, completou.

Apesar de contrariada, a família realizou o sepultamento de Jéssica, às 17h (horário local). Mas segue acreditando na ressurreição e faz uma vigília no cemitério municipal de Delmiro Gouveia. Os pais da jovem não quiseram falar.

“Se ele quiser morrer, o problema é dele”: atendente do Samu é afastada por resposta a cidadão

A Secretaria Municipal da Saúde de Curitiba afastou, neste sábado (5), uma atendente do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), que deu uma resposta um tanto quanto inusitada a um cidadão que ligou para o telefone 192 pedindo ajuda para socorrer um homem que teria ferimentos na cabeça.

No áudio gravado pelo cidadão, a atendente, que não foi identificada, argumentou que era preciso autorização do ferido para que fosse enviada uma ambulância que prestaria o atendimento.

Ela afirmou que se o rapaz quisesse morrer com o ferimento, seria a vontade dele e nada poderia ser feito.

 

“Tem que perguntar para ele, a gente não pode pegar ele à força. E se chegar aí e ele não quiser? A ambulância faz o quê? Se ele não quiser e quiser morrer, o problema é dele. Tem que perguntar para ele se ele quer atendimento”, disse a mulher.

A Prefeitura de Curitiba se manifestou por meio de nota e afirmou que “retirou atendente do plantão, por não atender os protocolos do Samu” e que “ela também irá responder a processo administrativo”.

A administração municipal também disse lamentar o episódio e “pede desculpas ao cidadão que fez a ligação para ajudar a pessoa que estava precisando de atendimento”.

Por fim, a nota frisa que “o protocolo de atendimento do Samu prevê que se tenha o maior número de informações possíveis da pessoa que será atendida. Se está ferida, qual o tipo de ferimento, se está consciente, se consegue falar e explicar como está se sentindo. Essas informações são decisivas para saber que tipo de ambulância será enviada ao local”.

O estado de saúde do rapaz que precisava de atendimento não foi atualizado.

Terremoto de 6,8 é sentido em cidade no interior do Acre

Os moradores de Tarauacá, no interior do Acre, sentiram um terremoto na tarde deste sábado (5), que, de acordo com Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), chegou a magnitude 6,8.

O tremor foi sentido logo após às 14h (horário do Acre). Alguns moradores disseram que não conseguiram sentir nada, outros alegam que em algumas regiões foi possível perceber o terremoto.

A comerciante Sandida Viana mora na rua João de Paiva e, segundo ela, logo percebeu que se tratava de um terremoto.

“Estava deitada na cama quando senti, levantei e então vi que a casa estava toda tremendo. Foram alguns segundos até parar”, conta.

Morador do bairro da Praia, também de Tarauacá, Ildivan Coelho disse que se assustou com o tremor.

“Do nada, senti a terra tremer duas vezes, balançou mesmo. Perguntei se minha esposa tinha sentido também pra confirmar e ela disse que sim, mas foi pouco tempo”, lembra.

MULHERES AO VOLANTE: ESTUDOS AFIRMAM QUE ELAS DIRIGEM MELHOR DO QUE OS HOMENS.

por TABATHA BENJAMIN

Ainda é comum ouvir que mulher e direção não combinam. Muita gente acredita que as mulheres são menos aptas a dirigir do que os homens. Mas não é o que as estatísticas apontam. De acordo com o Infosiga SP, que recebe e apura dados baseados nos boletins e registros da Polícia Civil (RDOs) e da Polícia Rodoviária Federal no estado de São Paulo, as mulheres se envolvem menos em acidentes graves de trânsito: em 2017 apenas 6,4% dos condutores envolvidos nesse tipo de acidente foram do sexo feminino, contra 93,1% do sexo masculino.

 

Segundo o mesmo sistema, em 94% dos acidentes fatais a principal causa é a falha humana. Ou seja, o comportamento do motorista é fator crucial no trânsito, seja homem ou mulher. Não há qualquer diferença biológica que torna os homens mais aptos a dirigir que as mulheres. É basicamente uma questão cultural, que, inclusive, explica por que os homens costumam se envolver em mais acidentes graves.

Para Silvia Lisboa, coordenadora do Movimento Paulista de Segurança no Trânsito, os homens são estimulados a ser mais agressivos e competitivos, enquanto as mulheres têm um senso mais empático e cuidadoso, e isso reflete no comportamento de ambos ao volante. “Basta ver a diferença de reação diante de uma ‘fechada’ ou acidentes. O homem sente-se agredido e tende a revidar. Já a mulher pode até reclamar, mas costuma trazer para si a responsabilidade e assumir o dano”, afirma ela.
Pesquisadores de todo o mundo têm entendido que, devido a fatores sócio-culturais, o perfil masculino hoje é de maior agressividade e disputa, inclusive ao conduzir um carro. O que historicamente também é associado aos carros, quando são explorados aspectos como a potência e a aceleração. Isso instiga o espírito de competitividade ao volante, o que já é muito presente no universo masculino.
“Os homens acabam usando o veículo como um objeto de dominação do ambiente e do espaço por meio do uso da velocidade, do torque e da força do motor”, afirma o psicólogo Renan da Cunha Soares Junior, representante do Conselho Federal de Psicologia na Câmara Temática de Saúde e Meio Ambiente no Departamento Nacional de Trânsito.
O machismo inserido na cultura da sociedade também não dá abertura para homens exporem suas emoções. E onde eles podem “descontar” todo o sentimento acumulado? A doutora em psicologia do trânsito Ingrid Neto explica: “Culturalmente um homem não tem espaço para expor suas emoções, e no trânsito ele acredita que pode extrapolar a raiva e a agressividade”.

Morre primeiro policial militar vítima da violência no Rio em 2019

Jorge Henrique Mariotti é o primeiro policial militar vítima da violência no Rio de Janeiro em 2019. O soldado de 30 anos, lotado no 22º BPM (Maré), foi baleado na cabeça quando estava em serviço, em deslocamento de motocicleta na Linha Amarela com outros policiais, quando o grupo se deparou com criminosos armados em tentativa de arrastão em Bonsucesso, na Zona Norte do Rio. Ele foi levado para o Hospital Federal de Bonsucesso (HFB), onde passou por cirurgia, mas não resistiu. Sua morte foi anunciada, em nota de pesar, pelo governador Wilson Witzel.

“O Rio de Janeiro acaba de perder mais um herói nesta guerra contra os terroristas nas ruas do nosso Estado. Quero manifestar meu mais profundo pesar pelo assassinato do soldado PM Mariotti e minhas condolências à família. Que Deus o abençoe e o receba. Como governador, a morte de um policial é como perder um filho. Vamos investigar este caso com todo o rigor e não vamos parar o combate ao crime até devolvermos a paz ao Estado”, disse Witzel, na nota.

Mais cedo, o governador já havia comentado o caso. Segundo ele, o protocolo de atuação de deslocamento de policiais deve ser revisto. “Todos os dias têm tiroteios no Rio. O policial está em estado grave. Ele estava de moto e foi vítima de arma de fogo. Precisamos rever este protocolo, pois ele estava sozinho na moto no momento do crime”, disse durante coletiva em uma agenda.

Segundo o comando do 22ºBPM (Maré), os bandidos atiraram ao avistar a aproximação dos policiais na saída 7 da Linha Amarela. O agente ficou ferido na ação e foi socorrido pelos colegas ao HFB. No atendimento inicial foi imediatamente estabilizado. Enquanto aguardava avaliação de neurocirurgiões do HFB, convocados para assisti-lo, neurocirurgiões da Polícia Militar estavam presentes no hospital para agilizar sua transferência para a cirurgia. Apesar disso, não resistiu e morreu às 19h20. “Todos os esforços foram feitos no sentido de garantir sua estabilidade mas os ferimentos form muito graves”, informou, em nota, a equipe do hospital.

A Delegacia de Homicídios da Capital (DH) investiga a tentativa de homicídio contra o policial militar.

Morador de rua tem AVC e cachorros aguardam notícias na porta do hospital

Em Cianorte, no noroeste do Paraná, seis cachorros são flagrados aguardando ansiosamente por notícias após verem o seu dono, o sr. Luiz, ser levado ao pronto atendimento de ambulância após ter um AVC.

Companheirismo e amizade

Segundo uma postagem realizada pela ONG Amigos de Patas Cianorte, Luiz é bastante conhecido na cidade e é morador de rua por opção.

Ele, que convive com seis cachorros, procura dividir tudo o que tem e ganha com os animais, tornando o vínculo humano – animal como uma espécie de família.

Nesta quinta-feira (3), Luiz teve um AVC e foi levado pelo SAMU até a Santa Casa. Desesperados, os seis animais do homem o acompanharam e ficaram aos choros do lado de fora do hospital na espera de notícias, sempre em vigília.

Luiz teve alta

Nesta sexta-feira (4), Luiz teve alta do hospital e descansa ao lado dos seis animais em uma residência familiar.