Dois restaurantes fora da curva para conhecer no Rio

Por trás dos icônicos calçadões, praias e cartões postais mundialmente famosos, o Rio de Janeiro esconde alguns tesouros gastronômicos que valem uma visita com roteiro alternativo. Para quem costuma turistar pela capital carioca, hoje falo de dois restaurantes que são pontos fora da curva e cujas histórias nasceram longe do Rio, mas nele encontraram seu final (ou começo) feliz. O primeiro é a nova casa do jovem chef Rafa Gomes (@rafagomeschef), que traçou uma trajetória diferente até abrir este que é seu terceiro endereço no Rio e quarto no mundo.

Grande vencedor da primeira temporada do Iron Chef Brasil, da qual fui jurada, o Rafa, como já falei em outra coluna, começou uma brilhante carreira em Paris, com seu festejado restaurante Itacoa, depois de passar por cozinhas estreladas como a do nova-iorquino Eleven Madison Park. De volta às raízes, anos depois, ele abriu duas filiais cariocas do Itacoa e, mais recentemente, o ótimo Tiara (@tiara_restaurante), completando o nome do bairro e da praia homônima de Niterói onde nasceu e cresceu – Itacoatiara.

A experiência no Tiara revela muito desse nascimento, crescimento e desabrochar de técnicas e sensibilidades do chef. A estrela do cardápio é o pato, ave pela qual ele desenvolveu uma quase-obsessão desde sua temporada no Eleven e que, desde então, tornou-se tema de pesquisa intensa. No cardápio de tom mediterrâneo, que também trabalha frutos do mar e carnes como cordeiro e coelho, o pato se revela versátil, ora na forma de um elegante patê de foie, ora maturado e laqueado em mel e especiarias, ora em lascas fininhas e de sabor intenso no arroz pérola de polvo e jamón de pato. Exemplo esmerado e muito representativo da seriedade com que esse cozinheiro de talento trata os ingredientes.

Minha segunda dica é, mais do que um restaurante, um passeio gastronômico – e que dá a sensação de sair do Rio de Janeiro sem sair. Trata-se do Ocyá (@ocya.rio), do chef, pescador e mergulhador Gerônimo Athuel (@geronimoathuel), que fica na pequenina Ilha Primeira, próxima à Ilha da Gigoia. Para chegar lá, pega-se o barco que faz o transporte da população local entre ilha e continente, e esse já é um bom começo para entrar no clima do que vai acontecer no Ocyá: uma imersão no jeito de viver e comer dos moradores do lugar, onde a pesca é uma das principais atividades econômicas, mas o pescado que vai para a mesa foge por completo ao bê-a-bá a que estamos acostumados no continente.

Gerônimo conta que o restaurante nasceu das experiências que ele teve na infância em Vitória, no Espírito Santo, convivendo diariamente com os pescadores do píer Iemanjá. Curioso que sempre foi, fazia mil perguntas e foi aprendendo um sem-número de diferentes formas de capturar, limpar e aproveitar todas as partes do peixe. Rolava um combinado entre o menino de nem 11 anos completos e os pescadores: ele limpava os peixes em troca de alguns pedaços, que para ele valiam mais do que qualquer remuneração em dinheiro. Só que aí o pequeno chegava em casa com sacolas e mais sacolas de pedaços de pescado e se metia a limpar na cozinha da mãe, Vânia.

Fazia uma bagunça danada porque, como ele mesmo diz, dando risada, “criança não limpa nada”. No dia em que chegou a achar escama grudada até no teto, a mãe bronqueou – e então ele passou a trazer os peixes já limpos e filetados, para a alegria e o alívio de dona Vânia. Filés a postos, era hora de fazer as experimentações. Gerônimo-menino não deixava ninguém chegar perto do fogão. Era ele que temperava, fritava, assava, fazia “o diabo a quatro” com sua nova paixão. E sentia o maior orgulho de, do alto de seus quase 11 anos, já ser o cozinheiro oficial da família.

A trajetória de aprendizado do chef também passa longe do que a gente vê por aí. Ao invés de buscar formação na Europa ou nos Estados Unidos, ele se mudou para a Costa Rica, na América Central, com a ideia de ganhar experiência em hotéis e absorver tudo que pudesse da culinária local. Praticante de pesca submarina, vivia atrás do budião-azul, uma espécie excelente para o preparo do ceviche, que revendia para o fish market de um casal de californianos de quem virou fã e amigo. Foi esse fish market, localizado em um micro-shopping a céu aberto, a segunda grande inspiração para o formato do Ocyá, que é nada menos do que o epicentro dos dois mundos que o chef mais ama: a pesca e a cozinha.

Gerônimo fala que a experiência por lá não é só apreciar a comida, que é na essência aquilo que comem os moradores da ilha, mas sentir o momento como um todo – é o vento no rosto, é o rasante das aves no mar, é a capivara na beira da água, é o barco em movimento. À mesa, o chef serve somente peixes e frutos do mar da região, capturados por ele e outros pescadores da ilha, priorizando os menos comercializados. Não trabalha com garoupa, linguado, cherne, robalo e badejo, por exemplo, mas sim espécies menos conhecidas e apreciadas, ainda que muito nutritivas, como pirajica, barbeiro, ubarana e bonito, que são aproveitados em sua integralidade. É um trabalho de tentar entender o que dá para tirar de um produto que não tem valor de mercado. Daí brotam sacadas geniais como o mandiopã de olho de peixe – ele dá uma braseada nos olhos, filtra para extrair o sumo, cozinha o sagu no extrato e desidrata para depois fritar. Tem ovas na sobremesa, escamas salpicadas para finalizar receitas. É coisa bem séria.

 foco dessa cozinha tão singular está em uma câmara de maturação instalada no salão do Ocyá, que possibilita ao chef trabalhar o peixe sem a necessidade de congelar, com um controle minucioso de temperatura e umidade. A beleza também entra aqui: graças à câmara, a preservação do estado do pescado em seus detalhes, indo da manutenção das cores até o brilho dos olhos, é impressionante – e isso pode se manter por até 40, 50 dias após a pesca. É uma forma de armazenamento que também permite manejar o produto em partes: um dia ele tira o filé, no outro o colar, e vai fazendo avaliações gustativas para entender se prepara um filé na brasa ou um sashimi, por exemplo, dependendo do nível de gordura. “Você tem mais tempo para criar uma intimidade com aquela peça”, diz.

Uma boa oportunidade para conhecer essa história bonita é o projeto que vai ser inaugurado no final deste mês, o Chef a Bordo. A ideia de Gerônimo é receber convidados para elaborar jantares a quatro ou seis mãos no Ocyá, fazendo um intercâmbio entre os chefs, com seus diferentes estilos de cozinha e técnicas. Serão novos nomes a cada mês, alternando profissionais que atuam no Rio e em outros estados. A estreia, no dia 23 de março, será com Thomas Troisgros, que sairá com o anfitrião de barco na véspera do jantar para pescar o que será preparado no menu degustação de cinco etapas da noite seguinte.

Em abril, será a vez dos chefs Rubens Salfer, do D.O.M., e Eduardo Nava Ortiz e Luana Sabino, do Metzi. Ao longo do ano também participam nomes como Gonzalo Vidal (74 Restaurant), Saulo Jennings (Casa do Saulo), Danilo Faria (Uni Sushi-ya e Suzushi), Gustavo Rinkevich (Rocka Restaurant), Félix Sanchez (Místico Restaurant) e Fabrício Lemos e Lisiane Arouca (Grupo Origem). Todos prontos para embarcar, literalmente, na potente viagem gastronômica criada por esse chef que não é um “menino do Rio” propriamente dito, mas é, sem dúvida alguma, o menino dos mares e rios.

Justiça condena motorista de ônibus no Rio

O motorista de ônibus José Carlos Verdam da Silva foi condenado pela Justiça a três anos de prisão. Há quase quatro anos, em 19 de março de 2019, ele atropelou e matou o ciclista e empresário Artur Vinícius de Oliveira Sales, de 43 anos, na Avenida Embaixador Abelardo Bueno, próximo ao Parque Olímpico, na Barra da Tijuca, Zona Oeste da cidade. A pena, no entanto, foi convertida em prestação serviços comunitários e pagamento de multa.

— Posso dizer que considero a sentença justa, com análise perfeita da prova produzida, trazendo certo conforto à viúva e a toda família pela perda — disse Marcos Crissiuma, advogado da família de Artur.

Em sua decisão, o juiz André Felipe Veras de Oliveira, da 32ª Vara Criminal do Rio, afirma que “o atropelamento fatal que agora o faz responder a este processo mostrou ter sido o ponto culminante de um histórico de infrações de trânsito e de incidentes de trânsito que abarcam, inclusive, episódios de avanço de sinal e de excesso de velocidade”. No texto, o juiz avalia que a conduta é “algo ruim para quem se dispõe a viver profissionalmente do transporte de pessoas, função que requer, sobretudo, senso de responsabilidade, atenção, prudência, equilíbrio, paciência, gentileza para com os demais usuários do trânsito e respeito às normas de circulação viária e às leis”.

Na manhã do acidente, por volta das 7h, Artur treinava com outros 50 ciclistas de um grupo do qual fazia parte desde 2015. À época, o professor de educação física Roberto Vitorio, que estava cerca de um quilômetro e meio à frente relatou que os ciclistas pedalavam na pista quando o ônibus da viação Turismo Três Amigos fechou o grupo e atropelou o empresário ao tentar parar num ponto.

— Ele ia parar no ponto e, ao invés de reduzir a velocidade, veio na pista tirando fino do nosso grupo, sem respeitar a lei (o artigo 201 do Código de Trânsito Brasileiro) que exige que, para ultrapassar um ciclista, o condutor esteja a 1,5 metro de distância. Se o motorista do ônibus tivesse esperado 10 segundos para nós passarmos, esse acidente não teria acontecido — disse Vitorio, em 2019.

O professor disse ainda que quando os bombeiros chegaram ao local para prestar socorro, Artur ainda respirava:

— Ele estava respirando, mas não conseguia se mexer. Pedimos a ele para ficar calmo. Quando os bombeiros chegaram, tentaram reanimá-lo, mas, infelizmente, na ambulância, ele acabou morrendo — contou.

Em nota divulgada à época, a Turismo Três Amigos lamentou o acidente:

“A Turismo Três Amigos lamenta o acidente ocorrido nesta manhã, dia 19/03/2019 envolvendo um coletivo de sua frota e um ciclista. O carro da empresa trafegava dentro do limite de velocidade permitida para a via naquele local, bem como na faixa permitida, e o motorista do coletivo permaneceu no local, acionando socorro e aguardando a chegada da autoridade policial para registro do acidente. A empresa se coloca à disposição das autoridades para esclarecer as circunstâncias do lamentável acidente”.

Vazamento de gás interdita trecho da Avenida Vicente de Carvalho

Um vazamento de gás em via pública interditou um trecho da Avenida Vicente de Carvalho, na manhã desta quinta-feira (16), no bairro da Vila Kosmos, na Zona Norte do Rio. O trafégo chegou a ser totalmente interrompido na altura do BRT Vila Kosmos, no sentido Praça do Carmo, e um congestionamento se formou na região. O tráfego foi liberado por volta das 12h30. Não houve vítimas.

O escapamento de gás aconteceu na altura do nº 1.086, que fica próximo ao Hospital Semiu e a entrada do conjunto residencial do Ipase. De acordo com testemunhas, três ambulâncias e um caminhão do Corpo de Bombeiros atuaram local. Segundo o Centro de Operações Rio (COR), da prefeitura, a Naturgy, concessionária responsável pelo serviço de distribuição de gás na cidade, também foi acionada.
Em nota, a empresa informou que sua rede de gás foi atingida acidentalmente durante obras realizadas por terceiros e que “técnicos realizaram os reparos necessários”e  “toda a rede está sendo monitorada pelo Centro de Controle e Operações de Rede”. A Naturgy disse ainda que, para evitar situações como esta, desenvolveu um guia para obras em vias públicas nos municípios abastecidos por gás canalizado, que recomenda que as concessionárias entrem em contato antes de executar qualquer trabalho, para obter o cadastro das redes de gás.
“A Companhia mantém um cadastro atualizado e equipes especializadas na vigilância e no acompanhamento de obras que podem orientar a perfuração do solo para evitar que a rede de gás seja atingida”, continuou a nota. A Central de Emergência da Naturgy está disponível para os moradores pelo telefone 08000-240197.

Tentativa de feminicídio no Rio de Janeiro; família diz que vítima foi esfaqueada por negar sexo

Um homem foi preso suspeito de tentativa de feminicídio contra a companheira, na manhã desta quinta-feira (16) em Queimados, na Baixada Fluminense. A família da vítima afirma que ela estava dormindo, quando ele tentou ter relações sexuais com ela, que negou.

Segundo informações da Polícia Civil, Rodrigo Almeida Neves Pinheiro, de 44 anos, estava tentando fugir para não ser preso quando foi encontrado por policiais civis da 55ªDP (Queimados). Ele já havia sido preso anteriormente suspeito de outros crimes.

De acordo com os familiares de Michele Vila Pinto, de 33 anos, ela estava dormindo com a filha de 1 ano e 6 meses, quando Rodrigo chegou.

Ao g1, a filha mais velha da vítima disse que acordou com o choro da irmã e correu para ver o que havia acontecido.

“Me deparei com a minha irmãzinha sentada na cama chorando e minha mãe no chão toda ensanguentada pedindo por socorro. Foi uma cena aterrorizante! Eu tive que tentar estancar o sangue e pedir socorro. Ele tinha trancado todo mundo dentro de casa”, relembra Letícia.

A cunhada afirma que enquanto tentava socorrer Michele, ela contou que estava deitada e Rodrigo havia tentado ter relação sexual com ela. Depois que ela negou, ele teria começado a dar facadas nela, até que a faca ficasse presa no pescoço, de acordo com a vítima.

“Ela deitada no chão e dizendo ‘ele fez isso porque eu não quis ter relação’, a gente está aterrorizado”, contou Thamires Guedes.

Ainda de acordo com o relato da família, a vítima foi socorrida em cima de uma porta de geladeira, que foi arrancada para servir como maca. Michele foi levada para o Hospital Geral de Nova Iguaçu, onde passou por cirurgia de emergência para retirar a faca e estava internada em estado grave no CTI ainda nesta quinta (16).

“A gente ligou para a polícia e ninguém veio, pro SAMU e ninguém veio. Tivemos que arrancar a porta da geladeira e colocar ela em cima! Ela teve que fazer uma cirurgia porque a faca estava dentro dela”, relata a filha.

Procurada, a Polícia Militar disse ao chegar no local a vítima já havia sido socorrida.

Os familiares relatam que só recebem informações do estado de saúde dela no horário de visita, que é todo dia às 15h30 e torcem para que ela se recupere.

O homem vai responder por tentativa de feminicídio, segundo a Polícia Civil. A ocorrência foi registrada na 55ª DP (Queimados).

As investigações apontam que ele chegou a se esconder em um bairro de Nova Iguaçu, mas foi ameaçado por milicianos da região, que se incomodaram com os policiais na comunidade. Rodrigo teve a prisão temporária decretada. Portanto, ficará ao menos 30 dias detido.

“A gente quer justiça, só isso. Queremos que ele fique preso, que pague pelo que ele fez. Ele já havia tentado matar a ex-mulher dele da mesma forma. Ele precisa pagar”, pede a cunhada Thamires Guedes.

Informações da Polícia Civil dão conta que ele havia deixado a cadeia em março do ano passado. Rodrigo estava preso por suspeita de tráfico de drogas e tentativa de homicídio.

Médico responsável por procedimentos estéticos que podem ter causado morte de duas pacientes presta depoimento

O médico Heriberto Ivan Arias Camacho chegou no fim da manhã desta quinta-feira (16) à 16ª DP (Barra da Tijuca) para prestar depoimento. Ele é o cirurgião-plástico responsável pelos procedimentos estéticos que podem ter causado a morte de duas mulheres na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio de Janeiro.

Ao menos outras quatro mulheres já procuraram a distrital para denunciar possíveis erros médicos cometidos pelo especialista.

Uma das pacientes é Lindama Benjamin de Oliveira, de 59 anos, que morava em Cabo Frio, na Região dos Lagos, e morreu na semana passada. A família diz que Heriberto demorou para socorrê-la quando o quadro de saúde piorou. O médico nega e diz que socorreu a mulher “com todas as técnicas médicas possíveis”.

Os parentes contam que, na última quinta-feira (9), Lindama veio ao Rio fazer cirurgia plástica no abdômen no Hospital Bitée Cirurgia Plástica e Estética. Ela pagou R$ 16 mil pelo procedimento e chegou à clínica por uma indicação de amigos.

Após a denúncia, o marido de outra paciente, Mônica Sueli da Silva, contou que ela fez com Heriberto uma abdominoplastia e colocou prótese de silicone nos seios no dia 30 de maio no Hospital Semiu, em Vicente de Carvalho, na Zona Norte. Chegou a receber alta no dia seguinte, mas vomitava toda vez que se alimentava.

Após tentativas frustradas de falar com o médico, o marido da paciente contou que ela foi internada novamente no dia 7 de junho, na UTI. Submetida a um novo procedimento, Mônica precisou ter 10 cm de intestino cortados, sob a alegação de Heriberto de que havia uma hérnia.

O marido nega que a paciente tivesse hérnia e acredita que o médico tenha perfurado o intestino dela quando fez a abdominoplastia. O quadro de saúde da paciente piorou, e ela morreu no dia 26 de junho.

Assim como Lindama, ela chegou ao médico por indicação de amigas.

Clínica interditada e diretor preso

 

Na última segunda (13), policiais da Delegacia do Consumidor (Decon) e agentes da Vigilância Sanitária interditaram o Hospital Bitée Cirurgia Plástica e Estética, clínica onde Lindama fez o procedimento estético.

O estabelecimento foi fechado por falta de documentação e de equipamentos para o pós-operatório, segundo a Decon. No momento em que os agentes chegaram, quatro pessoas passavam por cirurgia.

O diretor-médico da clínica, o colombiano Iovanni Villabona Esparza, foi preso em flagrante. Na quarta-feira (15), a juíza Daniele Lima Pires Barbosa, da 28ª Vara Criminal da Comarca da Capital, converteu a prisão em preventiva, durante audiência de custódia.

O que diz a defesa do médico

A defesa do médico Heriberto Ivan Arias Camacho disse que se solidariza com a família e amigos e lamenta a morte da paciente. Afirma ainda que, em cumprimento à determinação do Conselho Federal de Medicina, não pode dar detalhes do procedimento.

A defesa informou ainda que Lindama foi atendida com todas as técnicas médicas possíveis para reversão do quadro. Disse também que nenhum tipo de laudo pericial constatou conduta negligente, imperícia ou imprudência da parte de Heriberto e que ele está à disposição para dar esclarecimentos.

Bebê internada por picada na testa tem parte do dedo amputada após corte na hora de tirar atadura

Uma bebê de 1 ano e 7 meses acabou com parte do dedo mindinho direito amputada por causa de um erro na hora de tirar uma atadura. A amputação nada teve a ver com a internação: Lara de Souza deu entrada no Pronto-Socorro de São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio, com uma inflamação na testa.

A família acusa a unidade de imperícia. A prefeitura disse lamentar “o ocorrido” .

A menina foi picada por um inseto na face, acima dos olhos, e a ferida acabou inflamando. A família a levou para a Pediatria do Pronto Socorro, onde os médicos prescreveram antibiótico e soro na veia e recomendaram enfaixar as mãos para que Lara não removesse o acesso.

Segundo os pais, na última terça-feira (14) uma enfermeira foi tirar as ataduras de Lara com uma tesoura, mas, ao rasgar o curativo, acabou cortando parte do dedo mindinho direito da criança. A mãe notou o sangramento, mas não percebeu a gravidade.

A menina foi levada às pressas ao centro cirúrgico, de onde saiu com a ponta do dedo amputada. Só nesse momento a família soube do incidente.

“Perdeu a unha, e agora ela é uma criança amputada”, disse Adriana dos Santos, avó de Lara.

‘Ela já tem um trauma’

A avó disse que Lara está bastante assustada. “Quando alguém que não seja um familiar chega, ela já joga a mãozinha para o lado e começa a gritar: ‘Dedo, dedo, dedo!’. Ela já tem um trauma”, descreveu.

“Agora imagino a dor que essa criança sentiu de ter amputado sem anestesia, sem nada, um dedo com a tesoura.”

 

Segundo Adriana, a direção disse que foi “uma fatalidade”. “‘A gente aqui só pode cuidar agora dos pontos’”, citou a avó. “‘A senhora que procure o seu direito’”, emendou.

“A gente quer justiça, mas, quando a gente passa por uma situação dessa, a gente nem sabe o que está falando, porque o dedo não vai voltar para o lugar”, disse.

Os pais chamaram a PM, que os orientou a registrar o caso na 72ª DP (São Gonçalo). Os militares disseram, no entanto, que seria necessário obter uma cópia do boletim médico para anexar ao inquérito. Como a menina ainda está internada, os parentes aguardam a alta para receber o documento.

O que dizem as autoridades

A Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil de São Gonçalo disse, em nota, que “lamenta o ocorrido” e informou que “a criança está estável e sendo avaliada por equipe multidisciplinar diariamente”. “O Pronto-Socorro Infantil está prestando todo suporte neste momento.”

“A profissional, uma técnica de enfermagem concursada há 20 anos no município, foi imediatamente afastada até a conclusão da sindicância que foi aberta para apuração do caso”, emendou.

Gasto com auxílio-combustível de vereadores do Rio cresceu 17% na pandemia, com sessões híbridas; foram R$ 5,9 milhões em 20 meses

Levantamento feito pela GloboNews revela que o gasto da Câmara Municipal do Rio de Janeiro com auxílio-combustível cresceu 17% no período em que os vereadores puderam participar das sessões pela internet por causa da pandemia do novo coronavírus.

Entre agosto de 2020 e abril de 2022, mesmo com o plenário mais vazio, os vereadores ganharam juntos R$ 5,9 milhões para abastecer os próprios carros. O gasto entre agosto de 2018 e abril de 2020, no período pré-pandemia, foi de R$ 5 milhões.

Todo mês, os vereadores têm direito ao valor correspondente a mil litros de gasolina. Atualmente o benefício é de R$ 5 mil para cada.

Em março, 48 dos 51 vereadores receberam a cota integral. Pelas regras da Câmara, ninguém precisa prestar contas dos gastos ou apresentar as notas fiscais dos abastecimentos.

Com mil litros de gasolina e um carro popular, um vereador poderia viajar 223 entre a Câmara, no Centro do Rio, e Santa Cruz, o bairro mais distante. O cartão do auxílio só pode ser usado em postos credenciados.

“Esse gasto com gasolina precisa ser transparente. A população precisa acompanhar efetivamente se foi o vereador que utilizou aquela gasolina, se teve a finalidade a qual se destina, que é acompanhar a prestação de serviço público, acompanhar a necessidade da população na ponta. E não para uso pessoal, ou qualquer outra finalidade não-republicana”, explica a presidente do Instituto de Direito Coletivo, Tatiana Bastos.

No próprio site, a Câmara se apresenta como “campeã em transparência pública”. Mas quem tenta se aprofundar nos gastos dos parlamentares não concorda com esse título: “O poder legislativo do município do Rio de Janeiro ainda precisa avançar muito na questão da transparência”, afirma Bastos.

Câmara se recusa a revelar saldos dos vereadores

Há mais de três meses, a GloboNews tenta se aprofundar na prestação de contas do auxílio-combustível, mas a Câmara se recusa a fornecer as informações públicas.

“Quanto cada vereador tem acumulado no cartão do auxílio-combustível?”: foi essa pergunta que a equipe de reportagem fez em janeiro, num requerimento com base na Lei de Acesso à Informação. Apesar de o benefício ser bancado com dinheiro público, os dados não foram enviados.

A GloboNews entrou, então, com 51 novos requerimentos, um para cada parlamentar. O chefe de gabinete da Presidência da Câmara, Cesar Rodrigues Abrahão, respondeu que “entende que não cabe responder sobre o referido saldo, uma vez que isso é uma informação do mandato de cada vereador”.

Tatiana Bastos, do Instituto de Direito Coletivo, ressalta que quem se recusa a fornecer informações públicas pode ser punido por improbidade administrativa.

“A Presidência da Câmara deveria receber (os requerimentos) e destinar cada um dos ofícios para os respectivos gabinetes, que têm obrigação legal de responder”, disse.

MP cobra na Justiça mais transparência

 

Desde 2019, o Ministério Público cobra na Justiça mais transparência da Câmara. Em dezembro de 2022, o promotor do caso questionou: “Quanto cada gabinete ganha? Decerto também não se sabe”.

O MP listou uma série de gratificações que não estavam detalhadas no site da Câmara. Entre elas, o auxílio-alimentação natalino.

O que diz a Câmara

 

Veja abaixo a íntegra da nota da Câmara:

Todos os itens apontados (pelo Ministério Público) já foram atendidos e encontram-se disponíveis no Portal da Transparência da Câmara. A Câmara do Rio trabalha constantemente no aprimoramento de suas informações públicas, por iniciativa própria e por meio do TAC firmado em 2019.

A Câmara Municipal do Rio de Janeiro, ao contrário de outras casas legislativas, não disponibiliza veículos aos mandatos por meio de verbas de gabinete.

Para possibilitar que os mandatos possam cumprir seu papel de fiscalizar as ações da prefeitura, visitar bairros, ouvir a população em seus bairros e participar de eventos institucionais, a Casa disponibiliza uma cota que contempla não só combustível, mas também despesas de manutenção, lubrificação, lavagem e troca de óleo do veículo, utilizado para tal fim, que deve se dar em estabelecimentos credenciados pela prestadora de serviço junto a esta Câmara Municipal.

Como cada mandato recebe a sua cota mensalmente no cartão magnético e a utiliza de acordo com as necessidades decorrentes do exercício de seu mandato, por sua exclusiva responsabilidade, o saldo remanescente nos cartões deve ser averiguado diretamente com cada gabinete.

Cabe esclarecer ainda que o valor dessa cota varia todo mês de acordo com a média de preços do combustível no estado do Rio de Janeiro, apurado pela Agência Nacional de Petróleo (ANP), e que o saldo acumulado nos cartões retorna aos cofres públicos ao final de cada mandato.

Por fim, destacamos que o crédito dado mensalmente, desde 2018, já está disponibilizado no site da CMRJ, em planilhas de Excel, que podem ser acessadas pelo link http://transparencia.camara.rj.gov.br/2021/413-tabela-combustivel-2021/file.”

Favelas do Rio, dentro de unidades de conservação, serão reflorestadas

Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima do Rio pretende reflorestar cinco comunidades cariocas. Além de transformar as unidades de conservação, o projeto buscará reduzir os riscos durante os temporais e na prevenção de danos ambientais.

De acordo com a titular da pasta, Tainá de Paula, a ideia já foi apresentada ao prefeito Eduardo Paes. Na noite de terça-feira, (14/03), durante o lançamento do Climate Hub Rio, um centro de pesquisas e conexões sobre mudanças climáticas em parceria com a Universidade de Columbia, de Nova York, Tainá de Paula disse que é preciso reposicionar o Rio no debate mundial das questões ambientais.

“Um dos nossos projetos é produzir cinco novas florestas urbanas. Cada favela será uma floresta. As favelas sempre são vistas como algo que tem que ser retirado. Por que não fazer reflorestamento?”, disse a secretária, durante o painel “Dilemas da sustentabilidade urbana: as cidades na era da crise climática”, no Museu do Amanhã, no Centro do Rio.

Tainá ainda explica que a secretaria terá seis meses para elaborar o projeto, ainda sem orçamento definido. Ela não quis revelar quais seriam as cinco comunidades, mas destacou que as prioritárias seriam as que estão inseridas em unidades de conservação ambiental. No debate, ao falar da proposta, ela citou o Morro do Borel, que fica na Tijuca.

PGJ e superintendente da Polícia Federal no Rio discutem estratégias de cooperação entre as duas instituições

O procurador-geral de Justiça, Luciano Mattos, recebeu, nesta quarta-feira (15/03), a visita do novo superintendente da Polícia Federal no Rio de Janeiro, o delegado Leandro Almada. No encontro, trataram da cooperação entre as duas instituições em investigações e discutiram estratégias relacionadas ao inquérito que apura os assassinatos de Marielle Franco e Anderson Gomes.

“É importantíssimo ter esse apoio institucional da Polícia Federal nos casos em que for possível. Estamos estreitando esse diálogo institucional para avançarmos em questões importantes que servirão para o trabalho do Ministério Público no enfrentamento ao crime organizado”, disse Luciano Mattos. O delegado Leandro Almada completou: “A visita serve para materializar essa cooperação, não só na investigação do caso Marielle, mas sempre que essa parceria for necessária”.

Também participaram da reunião membros do MPRJ que atuam no combate às organizações criminosas e delegados da Polícia Federal.

Por MPRJ

MPRJ investiga contratos sem licitação que somam R$ 217 milhões para gestão de unidades de saúde de Nova Iguaçu

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) instaurou inquéritos civis para apurar a contratação emergencial, por dispensa de licitação, de duas OSs (organizações sociais) para gerir cinco unidades de saúde no Município de Nova Iguaçu. De acordo com a 1ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva da Saúde da Região Metropolitana I, os contratos somam cerca de R$ 217 milhões.

Segundo a promotoria, o Município de Nova Iguaçu firmou, na segunda-feira (13/03), três contratos alegando a existência de situação emergencial que dispensaria licitação e transferiu a gestão de cinco unidades de saúde para OSs. Os contratos foram celebrados com a OS Ideas para a gestão, operacionalização e execução dos serviços de saúde do Hospital Geral de Nova Iguaçu (R$ 138 milhões) e da Maternidade Mariana Bulhões (R$46.8 milhões) e com a OS IMP (Instituto Medicina e Projeto) para a gestão de três UPAs municipais, também em caráter emergencial, por valor que supera R$ 32 milhões.

As contratações teriam sido feitas de forma abrupta, sem aparentes razões de saúde pública que justificassem a celeridade e dispensa de licitação. Ao MPRJ, o município de Nova Iguaçu vinha reportando, ao longo dos últimos meses, estar promovendo estudos e levantamentos necessários à realização de concurso público para preenchimento dos cargos vagos, inclusive no HGNI e Maternidade Mariana Bulhões.

“É histórica e reiterada a omissão do município de Nova Iguaçu em regularizar o quadro de servidores efetivos por meio da realização de concurso público, tendo havido, ao longo dos anos, a propositura de ação civil pública para compelir o ente municipal a realizar o certame e, inclusive, a propositura de ação civil por improbidade administrativa em face de ex-gestores ante a não realização”, diz a promotoria.

Como medida preliminar, o MPRJ requisitou informações e documentos ao município de Nova Iguaçu para conhecer os fundamentos fáticos e jurídicos adotados para justificar as contratações emergenciais.