O empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido nacionalmente como “Careca do INSS”, voltou a ocupar as manchetes após um novo episódio ocorrido dentro do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. Preso por suspeita de envolvimento no esquema bilionário de fraudes contra aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), ele foi flagrado durante uma revista de rotina com um produto contendo cannabis dentro de sua cela.
Segundo informações divulgadas pela Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal (Seape), agentes encontraram um protetor labial que continha cannabis e ácido hialurônico. O item não é permitido nas dependências da unidade prisional e acabou gerando a abertura de um procedimento interno para apurar como o produto entrou no presídio.
O caso rapidamente ganhou repercussão nas redes sociais e levantou uma série de questionamentos sobre a fiscalização dentro da penitenciária. Internautas passaram a discutir como um objeto considerado irregular conseguiu chegar até a cela de um dos presos mais conhecidos do país.
A defesa do empresário, no entanto, apresentou outra versão para os acontecimentos. Os advogados afirmaram ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, que o empresário estaria sendo pressionado por autoridades para aceitar um acordo de colaboração premiada, a chamada delação.
A Seape rebateu imediatamente essa versão e informou que em nenhum momento houve qualquer tipo de pressão contra o preso. De acordo com a administração da Papuda, a conversa realizada com Antônio Carlos Camilo Antunes teve apenas caráter administrativo, sendo motivada exclusivamente pela apreensão do cosmético durante a fiscalização da cela.
Ainda segundo a secretaria, o objetivo era esclarecer a origem do produto e verificar de que forma ele entrou na unidade prisional, sem qualquer relação com as investigações conduzidas pela Polícia Federal.
Conhecido como “Careca do INSS”, Antônio Carlos Camilo Antunes é apontado pela Polícia Federal como um dos principais operadores do esquema que teria causado prejuízos bilionários a aposentados e pensionistas por meio de descontos considerados irregulares em benefícios previdenciários.
As investigações indicam que ele teria atuado como articulador entre entidades e pessoas envolvidas no esquema, que passou a ser alvo de diversas operações policiais ao longo dos últimos meses.
Enquanto as apurações continuam, o novo episódio aumenta ainda mais a repercussão em torno do caso e coloca novamente o empresário no centro das atenções. O procedimento disciplinar instaurado pela administração penitenciária deverá apontar como o produto chegou até a cela e se houve eventual descumprimento das normas internas da Papuda.
O caso segue sendo acompanhado pelas autoridades e pode trazer novos desdobramentos nos próximos dias, tanto na esfera administrativa quanto nas investigações relacionadas ao escândalo das fraudes no INSS.