O cenário político brasileiro pode ganhar novos contornos com a possibilidade de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) disputar a Presidência da República por fora do Partido Liberal (PL). A movimentação ganhou força após declarações do presidente da legenda, Valdemar Costa Neto, que afirmou que, caso o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), decida entrar na corrida presidencial, Eduardo teria que procurar outro partido para lançar sua candidatura.
A sinalização gerou forte desconforto no deputado federal, que interpreta a manobra como uma forma de preservar o chamado “espólio político” do ex-presidente Jair Bolsonaro, mas sem a presença dele ou de seus filhos como protagonistas diretos no pleito. Segundo aliados, Eduardo avalia que, com Jair Bolsonaro inelegível, o PL tenta reposicionar seu apoio em figuras consideradas mais competitivas, como Tarcísio, enfraquecendo seu espaço dentro da legenda.
De acordo com a coluna da jornalista Bela Megale, publicada em O Globo, o comentarista político Paulo Figueiredo afirmou que há “90% de chance” de Eduardo deixar o PL, caso o governador paulista seja mesmo lançado como candidato. A avaliação é que o deputado não estaria disposto a abrir mão de disputar a cadeira presidencial em nome da unidade do partido, especialmente diante da pressão de sua base eleitoral mais fiel, que cobra protagonismo da família Bolsonaro.
O site Pleno.News também ouviu fontes próximas a Eduardo, que confirmaram a possibilidade real de saída da legenda. Segundo essas informações, o deputado já teria iniciado conversas preliminares com outros partidos, embora nenhuma negociação oficial tenha sido confirmada até o momento.
Essa disputa interna expõe um dilema estratégico dentro da direita brasileira: de um lado, o pragmatismo político de Valdemar Costa Neto, que enxerga em Tarcísio de Freitas um nome competitivo e com maior apelo nacional; de outro, a resistência de Eduardo Bolsonaro em abrir mão da herança política construída pelo pai.
Enquanto as definições não ocorrem, o clima de incerteza aumenta dentro do PL. A escolha entre apoiar Tarcísio ou viabilizar Eduardo pode redesenhar não apenas os rumos da legenda, mas também a configuração das alianças da direita no pleito presidencial. O movimento de Eduardo, caso confirme sua saída, promete acirrar ainda mais a disputa pelo eleitorado conservador em 2026.