Um ex-miliciano identificado como “Percevejo” ou “Pé de Rato”, que fazia parte da milícia liderada por Chico Bala, foi morto nesta segunda-feira (18) na favela da Carobinha, Zona Oeste do Rio de Janeiro. Após passar anos preso, ele havia sido solto no ano passado e, segundo informações, abandonado a vida do crime para trabalhar como motorista de Uber, utilizando a conta do irmão na plataforma.
O crime aconteceu quando Percevejo transportava um casal com dois filhos pequenos. De acordo com testemunhas, o motorista não obedeceu a uma ordem de parada de criminosos que atuam na região. O motivo, segundo relatos, seria o temor de ser reconhecido pelos milicianos, que hoje controlam a área. A tentativa de fuga resultou em uma série de disparos contra o veículo.
Cena de terror para passageiros
Os tiros não apenas tiraram a vida do ex-miliciano, mas também deixaram o casal de passageiros e as crianças aterrorizados. Felizmente, nenhum dos ocupantes foi atingido pelos disparos, mas o carro ficou completamente crivado de balas, evidenciando a violência da ação.
Moradores relatam que o clima na região é de constante tensão. “Aqui, ou você obedece ou paga o preço. Mesmo que ele estivesse tentando recomeçar, os milicianos não perdoam. Eles não aceitam traição ou qualquer desafio à autoridade”, disse um morador, que preferiu não se identificar.
Histórico de violência
“Percevejo” era conhecido por sua ligação com a milícia de Chico Bala, uma das facções mais temidas da Zona Oeste. No entanto, após sua prisão, ele teria decidido deixar o mundo do crime. Ao ganhar liberdade, procurou reconstruir sua vida, optando por um trabalho legal como motorista de aplicativo.
Especialistas apontam que a história de Percevejo reflete um padrão comum em territórios dominados por milícias: a dificuldade de antigos integrantes em se desvincular completamente das organizações criminosas. Mesmo afastados do crime, eles permanecem em risco, especialmente em áreas controladas por antigos aliados ou rivais.
Resposta oficial e investigações
Até o momento, a Polícia Civil não identificou os responsáveis pelos disparos, mas investiga o caso como mais um capítulo da guerra pelo controle de territórios na Zona Oeste. A Uber também se manifestou, lamentando o ocorrido e reforçando a política de cooperação com as autoridades.
Enquanto isso, a tragédia reacende o debate sobre a atuação das milícias no Rio e a dificuldade de reintegração de ex-criminosos na sociedade. Para o casal de passageiros e seus filhos, o episódio será lembrado como um dia em que escaparam por pouco de uma fatalidade.