Vítimas do coronavírus em Campo Grande e região são mais jovens

 

Em bairros da Zona Oeste do Rio — para onde a Covid-19 avança, mas onde a adesão ao isolamento social enfrenta resistência —, o novo coronavírus adoece e mata pessoas mais jovens que na média da cidade, revela o detalhamento do painel da prefeitura sobre a pandemia. Nos dados compilados até anteontem, na área administrativa (AP) 5.2, que inclui Campo Grande e adjacências, a média de idade dos infectados era a menor do Rio, de 47,7 anos. No município como um todo, era de 49,8 anos, chegando a 54,1 anos na AP 2.2, da Grande Tijuca.

 

Já em relação às mortes, a região de Santa Cruz, Paciência e Sepetiba (AP 5.3) era a única do Rio em que a maioria das vítimas não era idosa. Nesses bairros, as pessoas com 60 anos ou mais representavam cerca de 36% dos mortos, contra um percentual de 69,7% na cidade. Para se ter ideia da diferença, na Zona Sul, por exemplo, esse índice era 81,3%. Para infectologistas, uma série de fatores pode estar por trás desse perfil dos acometidos pela doença na Zona Oeste: da idade da população local às dificuldades do distanciamento social.

Nesse compasso, o município registrava ontem 7.283 casos confirmados, com 670 óbitos pela Covid-19, com os populosos bairros da Zona Oeste entre os mais afetados. Com 36 mortos, Bangu se tornou ontem o segundo bairro com mais vítimas fatais na cidade, apenas um a menos que Copacabana, que lidera esse triste ranking. Campo Grande vem logo atrás: é o terceiro em número óbitos (34). E tampouco há boas notícias para os moradores de Realengo, com 27 mortos, e Santa Cruz, onde a epidemia já matou 24 pessoas. Na AP 5.3, onde fica esse último bairro, eram 40 mortos, entre os quais 24 tinham entre 20 e 59 anos.

Na região, adultos nessa faixa etária também são mais numerosos, proporcionalmente em comparação com a cidade, quando se trata do total de diagnosticados com o coronavírus. Anteontem, eles batiam os 78% dos casos na área administrativa de Campo Grande e 77% na de Santa Cruz. Apenas na AP 5.1 (Bangu, Realengo e vizinhança), esse percentual era mais baixo, de 69,2%.

Enquanto a cresce a preocupação com as consequências da doença na Zona Oeste, as cenas de aglomeração continuam se repetindo. Ontem, em Campo Grande, as filas em frente a agências da Caixa Econômica, de pessoas em busca do auxílio de R$ 600 do governo federal, reuniam centenas de pessoas. No fim de semana, segundo dados do Centro de Operações (COR) da prefeitura, em conjunto com a operadora de telefonia TIM, bairros da região ficaram entre os que registraram maiores picos de pessoas nas ruas.

No próprio domingo, o prefeito Marcelo Crivella chegou a cogitar o fechamento de vias importantes da região, como os calçadões de Bangu e Campo Grande. Ao menos por enquanto, o município informa que a medida será a utilização de 300 câmeras do COR e a parceria com a TIM para identificar os os locais de aglomeração, principalmente na Zona Oeste. A partir dessas informações, as equipes do Disk Aglomeração serão enviadas a esses pontos para recomendar o distanciamento social e o uso de máscaras.