Acidente de trem na Espanha deixa ao menos 68 mortos

O acidente de trem perto de Urda, na província espanhola de Toledo, deixou ao menos 68 mortos e dezenas de feridos. Além disso, o governo informou que o número de vítimas fatais confirmadas pode aumentar.

A colisão ocorreu por volta das 8h54 no horário local (4h54 em Brasília), a cerca de 140 quilômetros ao sul de Madri. Enquanto um trem AVE seguia da capital para Sevilha, uma composição da empresa Iryo vinha no sentido contrário.

Com o impacto, quatro vagões tombaram por um barranco. Enquanto isso, as equipes de emergência trabalham no local para socorrer os feridos e localizar possíveis sobreviventes.

Acidente de trem envolveu centenas de passageiros

O AVE transportava 397 passageiros. Já a composição da Iryo levava 147 pessoas, entre elas um bebê. Em uma declaração nas redes sociais, o presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, afirmou que os serviços de emergência atendiam as pessoas afetadas em coordenação com as autoridades.

Posteriormente, Sánchez visitou o centro de emergência montado perto do local. “Hoje, toda a Espanha está de luto”, disse o primeiro-ministro. Além disso, afirmou que vidas foram destruídas e famílias, dilaceradas.

O ministro dos Transportes, Oscar Puente, apresentou informações iniciais sobre as possíveis causas. Segundo ele, uma falha no sistema computacional levou à interrupção inicial de seis trens em movimento, incluindo as duas composições envolvidas na colisão.

Falha no sistema e retomada da circulação

Puente explicou que, em caso de falha, o centro de controle assume o comando. Além disso, de acordo com o ministro, o próprio centro decidiu autorizar a retomada da circulação sem restrição de velocidade.

Segundo Puente, o centro tomou essa decisão em circunstâncias que ele classificou como inexplicáveis. Em seguida, após a retomada, o trem da Renfe colidiu com a composição da Iryo, que estava parada mais adiante nos trilhos.

A Renfe informou que suspendeu os serviços entre Madri, Ciudad Real e a Andaluzia. Enquanto isso, equipes da Guarda Civil e bombeiros das províncias de Toledo e Ciudad Real, voluntários da Proteção Civil e profissionais do Serviço de Saúde de Castilla-La Mancha se deslocaram ao local para atender a ocorrência.

Passageira relata caos após acidente de trem

Eduarda, uma passageira de 17 anos, contou à rádio SER que viu pessoas presas sob os vagões. Ela disse que uma freada forte a lançou para a frente junto com a poltrona e descreveu cenas de choro, gritos e vítimas no local.

A jovem viajava com dois gatos. “Muita gente sem conseguir sair, gritos… Um horror”, relatou.

O acidente ocorreu poucos meses depois de outra colisão ferroviária entre as mesmas empresas, no mesmo trecho. Em 9 de janeiro, 45 pessoas morreram na província de Córdoba, no sul da Espanha; na ocasião, os trens de alta velocidade colidiram.

Na ocasião, um trem da Iryo que fazia o trajeto entre Málaga e Madri transportava cerca de 300 passageiros. Seus três últimos vagões descarrilaram e invadiram a via ao lado, atingindo outra composição que operava a linha entre Madri e Huelva. Além disso, o segundo trem também descarrilou e levava 184 passageiros.

Acidente de trem interrompe campanha eleitoral

As cenas na linha de alta velocidade ao sul de Toledo interromperam, por ora, a campanha para as eleições gerais espanholas, marcadas para 29 de novembro. Por isso, o Partido Popular (PP), liderado por Alberto Núñez Feijóo, suspendeu todas as atividades de campanha.

Feijóo afirmou que a prioridade era atender as vítimas. Enquanto isso, o Partido Socialista (PSOE), de Pedro Sánchez, também cancelou seus eventos nesta quarta-feira; o primeiro-ministro manifestou solidariedade às pessoas atingidas.

O partido de extrema-direita Vox não anunciou uma suspensão semelhante. Já seu líder, Santiago Abascal, condenou o que chamou de deterioração da infraestrutura e das instituições espanholas e atribuiu responsabilidade ao governo atual.

Após o desastre ferroviário de Adamuz, ocorrido em janeiro na mesma linha de alta velocidade e que resultou em 46 mortes, Abascal também se recusou a interromper a campanha para uma eleição regional realizada naquele mês.