O Estado do Rio de Janeiro enfrenta um cenário preocupante na área da saúde pública. De acordo com dados divulgados pelo Boletim InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o estado foi classificado em nível de alerta para casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), devido ao elevado número de ocorrências e à tendência de crescimento das infecções nas últimas semanas.
Desde o início de 2026, já foram registradas 7.042 internações relacionadas à doença e 424 mortes em todo o território fluminense. Os números acenderam o sinal de alerta entre especialistas e autoridades de saúde, que reforçam a importância da vacinação como principal forma de prevenção contra os quadros mais graves.
Segundo a pesquisadora Tatiana Portella, integrante da equipe responsável pelo monitoramento do InfoGripe, os indicadores atuais mostram uma situação que exige atenção imediata da população.
“Os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave estão em nível alto e com tendência de crescimento. Classificamos o estado em nível de alerta para SRAG”, destacou a especialista.
Um dos fatores que mais preocupa os profissionais da área é a baixa adesão à campanha de vacinação contra a gripe. Apesar dos esforços das autoridades sanitárias, a cobertura vacinal entre os grupos prioritários permanece distante da meta estabelecida pelo Ministério da Saúde.
Até o dia 3 de junho, apenas 27,5% do público-alvo havia recebido a dose do imunizante. O percentual inclui idosos, crianças menores de seis anos, gestantes e outros grupos considerados mais vulneráveis às complicações respiratórias. Ao todo, pouco mais de 1,2 milhão de doses foram aplicadas no estado. A meta nacional é atingir pelo menos 90% de cobertura vacinal.
Especialistas alertam que a baixa procura pela vacina pode contribuir para o aumento das internações e dos casos graves, especialmente durante os meses mais frios do ano, período em que as doenças respiratórias costumam apresentar maior circulação.
O crescimento das ocorrências de SRAG tem sido impulsionado principalmente pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR), que afeta com mais intensidade crianças menores de dois anos. O vírus é uma das principais causas de bronquiolite e outras complicações respiratórias graves na infância, podendo levar à necessidade de hospitalização.
Além disso, o vírus Influenza, responsável pela gripe, continua sendo motivo de preocupação. Entre a população idosa, ele está associado ao maior número de óbitos registrados por síndrome respiratória grave. A combinação entre baixa vacinação e aumento da circulação viral cria um ambiente favorável para a expansão da doença.
A capital fluminense concentra atualmente o maior número de internações por SRAG. Na sequência aparecem os municípios de São Gonçalo, Niterói, Petrópolis, Macaé e Nova Iguaçu, que também apresentam números expressivos de atendimentos e hospitalizações relacionadas às infecções respiratórias.
Diante do avanço dos casos, a Prefeitura do Rio decidiu prorrogar por tempo indeterminado a campanha de vacinação contra a gripe. A medida busca ampliar o acesso da população ao imunizante e aumentar os índices de cobertura vacinal.
As doses continuam disponíveis gratuitamente nas Clínicas da Família, nos Centros Municipais de Saúde e também nas três unidades do Super Centro Carioca de Vacinação.
As autoridades reforçam que a vacinação continua sendo a ferramenta mais eficaz para reduzir o risco de hospitalizações, complicações e mortes causadas pelos vírus respiratórios. Além da imunização, recomenda-se manter hábitos de higiene, como lavar frequentemente as mãos, evitar contato próximo com pessoas doentes e procurar atendimento médico diante de sintomas persistentes.
Enquanto os números seguem em alta, especialistas alertam que a participação da população será fundamental para impedir que o cenário se agrave ainda mais nas próximas semanas. O momento é de atenção, prevenção e responsabilidade coletiva para conter o avanço das doenças respiratórias no estado.



