Auditorias realizadas pelo Governo do Rio de Janeiro identificaram relações empresariais entre empresas ligadas ao deputado estadual Douglas Ruas (PL), candidato ao governo do estado, e negócios associados à família do deputado federal Altineu Côrtes (PL), presidente estadual do partido. O levantamento analisou contratos firmados durante o período em que Ruas comandou a Secretaria Estadual das Cidades, entre setembro de 2023 e março de 2026.
Segundo os relatórios da Controladoria-Geral do Estado (CGE), os auditores identificaram o que classificaram como um “circuito de relações interligadas” entre os grupos empresariais. O material foi encaminhado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro à Procuradoria-Geral da República (PGR), em razão do foro do deputado federal, para avaliação de eventuais medidas nas áreas cível e criminal.
Um dos pontos analisados envolve a Mineração Santa Edwiges, que possui entre seus sócios Altineu Côrtes Paesler Coutinho, filho do deputado. A empresa forneceu massa asfáltica utilizada em contratos da Secretaria das Cidades. Parte do material foi empregada em pelo menos cinco etapas de obras realizadas em São Gonçalo, município administrado pelo prefeito Capitão Nelson, pai de Douglas Ruas. Os serviços mencionados no relatório somaram R$ 4,9 milhões.
A auditoria também apontou relações entre a Saur Construção, Terraplanagem e Locação, empresa da qual Douglas Ruas possui 90% do capital, e a Normandia Empreendimentos e Participações, ligada à família Côrtes. Segundo os documentos, as empresas realizaram operações envolvendo ativos imobiliários e direitos creditórios, principalmente a partir de 2023.
Outro dado destacado é o resultado financeiro da Saur. Até novembro de 2025, a empresa havia acumulado R$ 19,6 milhões em lucro líquido, dos quais R$ 15,9 milhões foram destinados a Ruas como dividendos.
O relatório também questionou um contrato inicialmente firmado por R$ 99,7 milhões. Conforme os auditores, 17 dias após o início das obras foi formalizado um aditivo de R$ 45,3 milhões, elevando o valor para R$ 144,9 milhões, aumento de aproximadamente 45,4%.
Douglas Ruas nega irregularidades e sustenta que os contratos seguiram a legislação. Altineu Côrtes também nega qualquer ato ilícito e afirma que as empresas mencionadas não tiveram vinculação com o poder público. A PGR deverá avaliar os elementos encaminhados pelos órgãos de controle antes de decidir sobre eventuais providências.


