O bicheiro Rogério Andrade e o filho, Gustavo Andrade, serão novamente interrogados pela Justiça do Rio de Janeiro nesta segunda-feira, às 15h. A audiência será realizada no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) e faz parte da análise de uma nova denúncia apresentada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ).
Preso atualmente em um presídio federal em Campo Grande, Rogério Andrade participará da audiência por videoconferência. Já Gustavo Andrade deverá comparecer presencialmente, uma vez que responde ao processo em liberdade. A sessão é considerada estratégica para o avanço das investigações, que apuram a suposta ligação da família Andrade com a exploração ilegal de um bingo localizado no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste do Rio.
Segundo o Ministério Público, a nova denúncia reforça indícios de que o estabelecimento funcionaria como parte de um esquema maior de jogos de azar, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Os promotores sustentam que o bingo seria utilizado para movimentar recursos provenientes do jogo do bicho, atividade ilegal historicamente associada a grupos poderosos no estado.
Pai e filho já haviam sido presos em 2022 durante a Operação Calígula, uma das maiores ofensivas já realizadas contra a cúpula do jogo do bicho no Rio de Janeiro. A operação revelou uma complexa estrutura criminosa que, segundo as investigações, mantinha influência sobre setores econômicos, culturais e até eventos populares.
Em 2023, Gustavo Andrade deixou a prisão após decisão do ministro Kássio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal. Inicialmente, ele passou a cumprir medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica, que acabou sendo retirada em 2024 por determinação judicial. Desde então, Gustavo responde em liberdade, mas segue como investigado em novos desdobramentos do caso.
A defesa dos acusados nega qualquer envolvimento com atividades ilegais e afirma que irá demonstrar a inocência de Rogério e Gustavo durante a audiência. Já o Ministério Público aposta no interrogatório como peça-chave para fortalecer a denúncia e avançar rumo a uma possível ação penal.
O caso segue sob sigilo parcial, mas é tratado como prioritário pelas autoridades, devido ao histórico dos investigados e ao impacto do crime organizado no estado do Rio de Janeiro.
