Candidata do PL aparece em registros do Bolsa Família e Gás do Povo

 

 

Uma candidata do PL que ganhou notoriedade nas redes sociais por criticar programas de assistência do governo federal aparece no Portal da Transparência como beneficiária de programas que ela própria já questionou publicamente. O caso envolvendo Sophia Barclay, candidata a deputada federal por São Paulo, provocou repercussão nas redes sociais nesta quarta-feira (19).

Segundo dados citados pelo UOL, Barclay aparece em registros oficiais como beneficiária de diferentes programas federais desde 2018. Ao todo, os pagamentos vinculados ao seu nome somam R$ 27.024,23, considerando Bolsa Família, Auxílio Emergencial, Auxílio Brasil e Gás do Povo.

Entre os registros mais recentes estão um pagamento de R$ 600 referente ao Bolsa Família, em junho de 2026, e outro de R$ 100,23 relacionado ao Gás do Povo. Os dados também indicam que a candidata começou a receber Bolsa Família em maio de 2018, quando vivia no Rio de Janeiro.

A situação chamou atenção principalmente por causa das declarações feitas por Sophia nas redes sociais. Em publicações, ela já criticou o Bolsa Família e questionou a política de distribuição de auxílio para compra de gás de cozinha. Em uma manifestação, chegou a comparar o apoio ao programa social com uma situação de dependência financeira. Também afirmou que existem pessoas que, segundo sua avaliação, se aproveitam dos benefícios sem realmente precisar deles.

A candidata, porém, apresentou uma explicação para os registros. Em entrevista ao UOL, afirmou que passou por um período de vulnerabilidade depois de ser expulsa de casa e que, naquele momento, precisou de ajuda financeira. Segundo ela, posteriormente conseguiu se reerguer, abriu uma empresa e passou a trabalhar como influenciadora digital.

Sophia também contestou a interpretação dos registros mais recentes. De acordo com seu relato, ela teria permanecido vinculada ao Cadastro Único de familiares com quem morou depois de deixar a própria casa. Segundo a candidata, essas pessoas continuaram recebendo benefícios e ela permaneceu registrada no mesmo núcleo familiar, fazendo com que seu nome aparecesse no Portal da Transparência como beneficiárias

Ela afirmou ainda que não estaria recebendo diretamente os valores mais recentes e classificou a situação como um possível problema cadastral. A candidata disse que procurou familiares para entender por que ainda aparecia vinculada ao cadastro.

O episódio reacendeu o debate sobre a fiscalização dos programas sociais e também sobre a coerência entre discursos políticos e situações pessoais. Apesar da repercussão, não há, até o momento, confirmação de que Sophia tenha cometido fraude ou recebido os benefícios de maneira ilegal.

Assim, o fato comprovado pelos registros é que o nome da candidata aparece relacionado aos programas. Já a explicação sobre a origem dos pagamentos e a permanência de seu cadastro é contestada pela própria candidata, que afirma não ter recebido diretamente parte dos valores recentes.

O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome foi questionado sobre o caso e, segundo o UOL, ainda não havia apresentado esclarecimento definitivo até a publicação da reportagem. Caso deverá continuar provocando forte debate político.