Canetas emagrecedoras usadas sem orientação profissional podem provocar efeitos adversos e dificultar a manutenção do peso. Ao mesmo tempo, o lipedema exige avaliação própria, pois não deve ser confundido simplesmente com excesso de peso. Por isso, o cuidado individualizado considera a saúde e a qualidade de vida.
Canetas emagrecedoras exigem avaliação médica
Formada pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), a médica Vanessa Afonso Magalhães tem 32 anos de experiência profissional, incluindo atuação no Corpo de Bombeiros. Atualmente, trabalha com emagrecimento e longevidade, com atenção à saúde metabólica de homens e mulheres.
Em sua prática, atende pacientes que usaram medicamentos para emagrecer por conta própria e depois enfrentaram efeitos adversos, dificuldade para manter o peso ou recuperação dos quilos perdidos. Náuseas, vômitos, diarreia e desidratação estão entre os riscos do uso inadequado. Em situações mais graves, podem surgir complicações que exigem atendimento médico.
Além disso, a perda acelerada de peso pode levar à redução excessiva de massa muscular e a deficiências nutricionais. Queda de cabelo e unhas enfraquecidas também podem ocorrer, especialmente sem acompanhamento alimentar adequado.
“Quando entendemos que a obesidade é uma doença crônica, precisamos mudar a forma como enxergamos o emagrecimento. Por isso, não se trata simplesmente de utilizar uma caneta emagrecedora, mas de compreender o organismo, identificar possíveis fatores associados ao ganho de peso e construir um tratamento seguro e individualizado”, explica Vanessa.
O tratamento considera a saúde como um todo
Segundo a médica, o planejamento deve levar em conta idade, histórico clínico, exames laboratoriais e necessidades de cada paciente. A avaliação da composição corporal por bioimpedância, junto ao suporte nutricional, permite acompanhar a evolução. Quando necessário, a equipe também faz ajustes terapêuticos.
Assim, a meta não se limita ao número indicado pela balança: o acompanhamento busca preservar a massa muscular, melhorar a saúde metabólica e estabelecer hábitos que ajudem a manter os resultados. Além disso, a indicação de medicamentos precisa considerar critérios clínicos, contraindicações e a resposta individual do organismo.
Outro desafio observado no atendimento feminino é o lipedema, doença crônica marcada pelo acúmulo desproporcional de tecido adiposo, principalmente nas pernas e, em alguns casos, nos braços. A condição pode causar dor, sensibilidade ao toque, sensação de peso e facilidade para desenvolver hematomas. Embora possa coexistir com a obesidade, tem características próprias.
Canetas emagrecedoras não substituem o diagnóstico do lipedema
Os efeitos do lipedema também podem afetar o bem-estar emocional. Por exemplo, encontrar roupas confortáveis, lidar com desconforto nas atividades cotidianas e enfrentar mudanças na imagem corporal podem comprometer a autoestima. Algumas mulheres passam anos tentando alterar a aparência das pernas com dietas e exercícios, sem saber que os sintomas podem exigir investigação específica.
O diagnóstico é essencialmente clínico. Para isso, o profissional considera a distribuição do tecido adiposo, os sintomas, o histórico da paciente e a necessidade de excluir outras condições. A abordagem pode incluir atividade física adaptada, acompanhamento nutricional, controle dos sintomas e atuação conjunta de diferentes profissionais de saúde.
“Não estamos olhando apenas para as pernas de uma mulher. Estamos cuidando de alguém que pode ter passado anos convivendo com dor, limitações e culpa, sem compreender o que estava acontecendo com o próprio corpo. Por isso, nosso objetivo é promover saúde, melhorar a qualidade de vida e oferecer um cuidado individualizado, respeitando a história e as necessidades de cada paciente”, destaca Vanessa.
Por isso, o cuidado com o lipedema não deve se limitar à redução de medidas nem à expectativa de eliminar definitivamente uma doença crônica. O tratamento busca aliviar sintomas, preservar a mobilidade e favorecer a autonomia. Para Vanessa, tanto no emagrecimento quanto no acompanhamento do lipedema, diagnóstico correto, orientação profissional e cuidado contínuo ajudam a orientar decisões mais seguras e a priorizar saúde e funcionalidade.



