A decisão que concedeu perdão judicial a Monique Medeiros, mãe do menino Henry Borel, provocou forte reação de Leniel Borel, pai da criança. Em declaração emocionada após o anúncio da sentença, Leniel afirmou que seu filho foi “morto pela terceira vez”, demonstrando profunda indignação com o desfecho judicial envolvendo uma das figuras centrais de um dos casos criminais mais emblemáticos do país.
Henry Borel morreu em março de 2021, aos quatro anos de idade, em um caso que chocou o Brasil e gerou ampla mobilização social. Após anos de investigações, audiências e julgamentos, o ex-vereador Dr. Jairinho foi condenado pelo Tribunal do Júri por homicídio duplamente qualificado, tortura e coação no curso do processo.
No entanto, a decisão envolvendo Monique Medeiros reacendeu o debate público. Ao justificar o perdão judicial, a magistrada responsável pelo caso argumentou que Monique também teria sido vítima de um contexto de violência psicológica e de uma cultura patriarcal que impõe às mulheres a obrigação de corresponder ao ideal da “mãe perfeita”. A juíza também fez referências ao machismo presente nas reações sociais ao caso.
As justificativas, porém, foram duramente criticadas por Leniel Borel. Segundo ele, o foco da discussão deveria permanecer na vítima principal da tragédia: a criança que perdeu a vida.
“O que foi falado ali agora é que a misoginia matou o Henry. O Henry representa milhares de crianças que são vítimas todos os dias. Por causa de decisões como essa, abre-se precedente para outras mães ou responsáveis que permitam que seus filhos sejam mortos”, declarou.
A fala repercutiu rapidamente nas redes sociais, dividindo opiniões entre aqueles que consideram a decisão judicial uma interpretação legítima dos fatos e aqueles que entendem que ela enfraquece a responsabilização de adultos que tinham o dever de proteger crianças sob seus cuidados.
Para apoiadores de Leniel, a sentença transmite uma mensagem preocupante à sociedade ao reduzir a responsabilidade de quem, mesmo sem praticar diretamente a violência, teria deixado de agir para impedir os abusos. Já defensores da decisão sustentam que o Judiciário levou em consideração circunstâncias específicas do caso e elementos psicológicos apresentados durante o processo.
Especialistas em direito ressaltam que decisões judiciais costumam considerar não apenas a materialidade dos fatos, mas também aspectos subjetivos relacionados à participação de cada acusado. Ainda assim, o caso segue despertando fortes emoções devido à gravidade da morte de Henry e à enorme repercussão nacional que o episódio alcançou.
A manifestação de Leniel também reforça o papel que ele assumiu nos últimos anos como ativista em defesa dos direitos das crianças. Desde a morte do filho, ele tem participado de campanhas, debates e iniciativas voltadas ao combate da violência infantil, defendendo mudanças na legislação e maior rigor na proteção de menores em situação de vulnerabilidade.
Enquanto o caso continua gerando discussões jurídicas e sociais, uma questão permanece no centro do debate: qual deve ser o limite entre compreender circunstâncias pessoais dos envolvidos e garantir a responsabilização daqueles que tinham a obrigação de proteger uma criança?
Mais de cinco anos após a morte de Henry Borel, o caso continua mobilizando o país, demonstrando que as feridas deixadas pela tragédia permanecem abertas e que as decisões judiciais relacionadas ao episódio ainda têm potencial para provocar intensa comoção pública.



