Estátua de Cristo em Buritizeiro, no Norte de Minas (foto: Whatsapp/Reproduçăo)
Uma chuva acompanhada de vento forte e raios, provocou muitos danos em Pirapora e Buritizeiro, no Norte de Minas, na tarde dessa segunda-feira (29/10). O temporal durou cerca de 45 minutos. O Corpo de Bombeiros de Pirapora informou que recebeu mais de 30 chamadas e as equipes continuam nas ruas. Até agora, năo houve registros de vítimas. Várias casas foram detalhadas e árvores frondosas foram arrancadas pela raiz.
As duas cidades săo situadas lado a lado, separadas pelo Rio Săo Francisco. A chuva danificou a imagem do Cristo Redentor, situada na Praça dos Pescadores, em Buritizeiro. Devido à velocidade do vento, a imagem, que tinha em cerca oito metros de altura, ficou dobrada. A Polícia Militar (PM) de Buritizeiro, informou que também há pontos de alagamento e casas destelhadas na cidade.
Do lado de Pirapora, houve vários danos na orla em frente ao Velho Chico. Uma árvore foi derrubada pelo vento e caiu em cima de um carro que estava estacionado no local, que ficou parcialmente destruído. Por sorte, năo tinha ocupantes no veículo e ninguém se feriu. Um bar em frente à Praça Cariris também foi detalhado, também sem vítimas.
O Centro de Convençőes de Pirapora também sofreu danos. Ali perto, o muro de uma casa foi derrubado. Além disso, uma enorme árvore caiu em frente à Igreja de Bom Jesus, prejudicando o trânsito. Bombeiros trabalham no local.
De acordo com o Corpo de Bombeiros, a forte ventania em Pirapora destelhou creches, causou queda de árvores em cima de automóveis e a rede elétrica também foi comprometida. Os bombeiros trabalham em conjunto com a Defesa Civil para medidas de prevençăo e corte das árvores que estăo em cima das casas e carros.
Testemunhas contaram ao EM, que próximo à rodoviária de Pirapora, a chuva forte derrubou o telhado de um prédio em frente ao terminal, arrancou placas das ruas, e um coqueiro caiu em uma praça próximo ao local. Muitos galhos também estăo caídos nas ruas.
De acordo com o Instituto Nacional de Metereologia (Inmet), em apenas 1 hora de chuva, foram registrados 22 milímetros de água nas cidades de Buritizeiro e Pirapora. Além disso, a velocidade do vento durante a tempestade chegou a 63 quilômetros por hora.
*Estagiária está sob supervisăo da subeditora Ellen Cristie, do Estado de Minas
Centenas de migrantes hondurenhos se atiraram nesta segunda-feira (29) no caudaloso rio fronteiriço entre Guatemala e México para entrar em território mexicano, diante a blindagem da fronteira terrestre, e poder assim seguir a pé sua travessia rumo aos Estados Unidos, constatou a AFP.
Diante da negativa das autoridades mexicanas de abrir sua fronteira terrestre, crianças, mulheres, homens e idosos hondurenhos se atiraram em grupo nas águas do rio Suchiate.
Usando balsas artesanais feitas com câmaras de gás, a nado ou fazendo correntes humanas para evitar serem arrastados pela correnteza, os hondurenhos chegaram ao território mexicano, onde as autoridades federais lhes permitiram acesso, observou uma equipe da AFP.
A travessia foi acompanhada por embarcaçőes da Marinha mexicana, enquanto um helicóptero do país sobrevoava os migrantes.
As autoridades mexicanas blindaram sua fronteira com a Guatemala para conter a passagem de milhares de hondurenhos depois de um enfrentamento no domingo, que deixou um migrante morto atingido por um projétil de borracha, mas o bloqueio năo foi eficaz.
Milhares de imigrantes centroamericanos tentam terminar a jornada pelo sul do México rumo aos EUA enquanto as autoridades mexicanas e da Guatemala tentam esclarecer a morte de um imigrante no domingo (28/10) na fronteira dos dois países, integrantes da segunda caravana que tenta chegar ao território americano.
Enquanto a caravana de imigrantes descansava e se reorganizava em Tepanatepec, no Estado de Oaxaca, centenas derrubaram as cercas fronteiriças no povoado guatemalteco de Tecún Umán, da mesma forma que fizeram os membros da primeira caravana há mais de uma semana, e se enfrentaram com as autoridades mexicanas, as quais estavam determinadas a năo permitir que a caravana crescesse ou que se formasse outra.
O novo grupo de imigrantes, que dizem ser dessa segunda caravana, se reuniu na ponte internacional sobre o Rio Suchiate. Os bombeiros guatemaltecos confirmaram que Henry Adalid Días Reyes, um imigrante hondurenho de 26 anos, morreu após ser ferido com uma bala de borracha na cabeça. “O imigrante foi atendido pelos bombeiros, mas a ferida era muito grande”, explicou o bombeiro de Tecún Umán César Quińonez.
Em uma entrevista coletiva na noite de domingo, o ministro de Governo mexicano, Alfonso Navarrete Prida, disse que a polícia federal e os agentes de imigraçăo foram agredidos com pedras, garrafas de vidro e fogos de artifício quando os imigrantes derrubaram uma porta do lado mexicano da fronteira. Prida sustentou que nenhum dos agentes estava armado com armas que disparassem balas de borracha. “No México, năo se criminaliza a imigraçăo năo documentada”, afirmou, acrescentando que alguns dos imigrantes portavam armas de fogo e bombas incendiárias.
Um helicóptero militar mexicano sobrevoou durante mais de uma hora a ponte onde se encontravam os migrantes. Vários veículos de imprensa locais noticiaram que desde entăo se espalhava gás de pimenta contra os migrantes. Navarrete năo se pronunciou sobre a açăo da aeronave.
O secretário do Governo da Guatemala emitiu uma nota à imprensa condenando que os imigrantes “tenham decidido invadir de forma violenta e vândala, destruindo a propriedade do Estado, ferindo vários agentes da Polícia Nacional Civil”. As autoridades năo se pronunciaram sobre a morte do migrante nem sobre os responsáveis pelo caso.
Uns 300 salvadorenhos também partiram de El Salvador no domingo com a esperança de chegar aos Estados Unidos juntos como grupo, formando uma terceira caravana.
Dificuldades
Enquanto isso, alguns dos imigrantes da primeira caravana, que se calcula com 4.000 pessoas, descansavam na sombra dos toldos colocados na praça do povo ou recolhiam lixo em Tepanatepec, comunidade de cerca de 7.500 habitantes. Outros foram se refrescar perto do rio Novillero.
A tensăo causada pela grande caminhada em meio ao calor insuportável, com poucas provisőes de alimentos, se agravou no sábado à noite quando uma disputa em uma fila por comida virou uma briga. Muitos na caravana levaram mais de duas semanas caminhando, desde que o grupo se formou na cidade de San Pedro Sula, Honduras.
Raúl Medina Meléndes, chefe de segurança do pequeno município de Tepanatepec, em Oaxaca, disse que o povo estava distribuindo sanduíches e água em um acampamento de imigrantes na praça central quando um homem com um megafone pediu que as pessoas esperassem a sua vez. Algumas pessoas o xingaram e o agrediram, disse Medina. A polícia resgatou o homem enquanto era golpeado e o levaram a um hospital. Năo se sabe qual era seu estado de saúde.
Várias pessoas da caravana usaram microfones no domingo para denunciar o ataque. Outros se queixaram de que umas pessoas estavam fumando maconha e de que as imagens de lixo e alimentos năo consumidos que os imigrantes deixam no caminho eram desrespeitosas.
O grupo planejava partir na madrugada desta segunda-feira, 29, rumo a Niltepec, a 54 quilômetros do noroeste de Oaxaca. A caravana, no entanto, deve percorrer 1.600 quilômetros até chegar à fronteira mais próxima, em McAllen, Texas.
A viagem poderia ter o dobro do tamanho se os imigrantes decidissem ir ao cruzamento Tijuana-San Diego, como fez uma caravana parecida no começo do ano. Apenas 200 desse grupo menor chegaram à fronteira.
A maior parte dos imigrantes da caravana parece decidida a chegar aos EUA, apesar do refúgio que o México ofereceu. O presidente mexicano, Enrique Peńa Nieto, lançou um programa na sexta-feira 26 chamado “Esta é a sua casa”, que oferece albergue, atençăo médica, acesso a escolas e a empregos para os centro-americanos que aceitem ficar nos Estados ao sul de Chiapas e Oaxaca, longe da fronteira com os EUA.
Navarrete disse no domingo que foram emitidos a mais de 300 imigrantes números de identidade temporários, que os permitirá ficar e trabalhar no México.
Entre os que se uniram ao programa, há mulheres grávidas, crianças e idosos que, segundo ele, agora estăo sendo atendidos em albergues. Ele afirma que 1.895 de centro-americanos solicitaram refúgio no México. Fonte: Associated Press
A matéria proposta pelo novo presidente da República tem tudo para ser um dos temas polêmicos na Câmara a partir de fevereiro (foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)
Assuntos polêmicos na área de direito penal e que podem refletir profundamente na segurança pública devem ser pautados antes mesmo de o presidente eleito, Jair Bolsonaro, tomar posse, em 1º de janeiro do próximo ano. Parlamentares da bancada da bala se articulam para votar projetos que relativizam o Estatuto do Desarmamento. A intençăo é derrubar barreiras legais e permitir que a posse de armas de fogo seja autorizada para qualquer cidadăo. Outra medida, anunciada por Jair Bolsonaro antes mesmo de se lançar candidato, é a chamada excludente de ilicitude de policiais em serviço. Esse tipo de “salvo conduto” está previsto no Código Penal Militar para os casos de legítima defesa.
As mudanças na legislaçăo devem ir além. Os debates sobre a reduçăo da maioridade penal voltam com força no Congresso Nacional, apoiadas em discursos do futuro chefe do Executivo. Essa é uma bandeira antiga do militar reformado do Exército. Em uma audiência pública sobre o assunto realizada em 2015, na Câmara, Bolsonaro defendeu que a medida reduziria os índices de violência. “Năo dá para esperar acontecer com nossas famílias e depois ficar abraçando a Lagoa Rodrigo de Freitas (no Rio de Janeiro), e soltar pombas pedindo justiça. Imagine ficar sem um filho por causa de um celular?”, disse na ocasiăo.
A reduçăo da maioridade penal tramita por meio da Proposta de Emenda à Constituiçăo (PEC 171) apresentada no parlamento, em 1993, e que vem criando polêmica desde entăo. O texto, aprovado pela Comissăo de Constituiçăo e Justiça (CCJ) da Câmara, muda o artigo 128 da Constituiçăo, que passaria a determinar que “săo penalmente inimputáveis os menores de dezesseis anos”. É preciso que a maioria dos parlamentares da câmara e do senado federal aprovem a medida.
Atualmente, apenas profissionais de segurança pública e das Forças Armadas, procuradores, juízes e pessoas autorizadas pela Polícia Federal (PF) têm direito ao porte. A ideia, prevista no plano de governo apresentado por Bolsonaro, e reforçada em discursos públicos, pretende reduzir os requisitos para o acesso às armas de fogo. De acordo com a Polícia Federal, atualmente, para a aquisiçăo, é necessário apresentar um motivo, por meio de uma “declaraçăo escrita da efetiva necessidade, expondo fatos e circunstâncias que justifiquem o pedido”. Se a mudança no Estatuto do Desarmamento for aprovada, essas regras podem cair, assim como será extinta a atribuiçăo da PF em fazer a triagem de quem pode ou năo comprar uma arma.
Expectativa
As medidas, desde que foram anunciadas, causam temor entre os especialistas, por irem contra os estudos sobre segurança pública e medidas adotadas em outros países. O professor da Fundaçăo Getúlio Vargas (FGV), Rafael Alcadipani, associado do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, alerta que o número de mortes pode aumentar de forma significativa. “Os estudos săo uníssonos em colocar que, quanto mais armas, mais homicídios. A cada 1% da quantidade de armas, aumenta em 2% o indicador criminal. Nós teremos de fazer novas campanhas de desarmamento. Vai aumentar o índice de suicídios”, afirma.
De acordo com o especialista, caso a posse de armas seja liberada, como ocorre em países como os Estados Unidos, que tem uma estrutura de segurança pública bem melhor que a do Brasil, os impactos negativos para a sociedade, como o aumento de mortes violentas e suicídios, ocorreriam a partir do terceiro ano.
O professor da FGV destaca que medidas tomadas pelo governo atual estăo indo no sentido do que se recomenda para conter a onda de violência. “O Ministério da Segurança Pública está indo nessa direçăo com a implantaçăo do SUSP e a integraçăo das polícias. Agora, é necessário aportar recursos e esforços na área de investigaçăo”, completa.
Excludente de ilicitude
A proposta mais polêmica, o chamado excludente de ilicitude, é interpretada por especialistas como uma licença para matar. Em uma PEC enviada ao Congresso por Bolsonaro e seu filho, Eduardo Bolsonaro, está prevista a inexistência de investigaçăo nos casos em que terceiros forem feridos ou mortos por policiais durante operaçőes policiais. De acordo com o texto, apenas seriam investigados os casos em que existirem indícios de que o agente da lei năo agiu em legítima defesa.
O professor de direito penal do Instituto de Direito Público (IDP) de Săo Paulo, Joăo Paulo Martinelli, afirma que năo há motivos para alterar esse ponto da legislaçăo, pois a ausência de penalidade está prevista na lei para os agentes públicos que agem no estrito cumprimento do dever legal. “Năo vejo necessidade de fazer nenhum tipo de mudança. O Código Penal Militar prevê a excludente de ilicitude em caso de legítima defesa. O que năo pode é haver excesso. Se a proposta permitir que eventuais excessos năo sejam punidos, aí seria inconstitucional, pois o Estado estaria autorizando atos que năo condizem com a legislaçăo. A legítima defesa pode ocorrer mesmo diante de agressăo iminente, como o perigo de levar um tiro. Năo é necessário esperar o criminoso atirar primeiro.”
Para o professor Rafael Alcadipani, a medida, se adotada, vai elevar o número de casos de letalidade em açőes policiais. “Vai aumentar a violência policial, e bastante. Vai gerar um banho de sangue que começaria pela periferia e seguiria depois para os bairros nobres”, destaca.
Propostas
» Reduçăo da maioridade penal: adolescentes com 16 anos seriam presos em centros de detençăo comuns, destinados para adultos.
» A reduçăo da maioridade penal geraria impacto em outras regras, como direito a tirar habilitaçăo para dirigir, idade para casar e ingresso em universidades.
» Entre as medidas está a liberaçăo da posse de arma de fogo para todos os cidadăos. A PF deixaria de ser o órgăo responsável por autorizar o acesso legal a uma arma de fogo.
» Castraçăo química para estupradores: medida prevê a aplicaçăo de medicamentos para condenados por estupro para reduzir a libido.
Para ele, foi apenas um treino. Para ela, é a principal chance de conseguir a tăo sonhada vaga em Medicina. Em 20 anos, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) passou de uma avaliaçăo de desempenho ao fim da educaçăo básica para se tornar o maior vestibular do país – e o segundo do mundo. Depois de muitas mudanças e 100 milhőes de inscritos, a prova que ocorre nos próximos dois domingos está em amadurecimento, com nova matriz curricular e alteraçőes na aplicaçăo sendo estudadas.
O médico Daniel Doca, de 37 anos, foi um dos 157 mil jovens que se inscreveram para a primeira ediçăo, em 1998, criada para servir como um referencial dos conhecimentos adquiridos no ensino médio. Ele lembra que foi incentivado pelo pai, professor do cursinho Objetivo, a fazer o exame como um treino para os vestibulares. “Estava muito tranquilo porque para mim era um simulado, uma oportunidade de saber como estava em relaçăo aos outros estudantes. Năo tinha pressăo.”
O Enem começou a caminhar para a atual amplitude já no ano seguinte de sua criaçăo, quando importantes instituiçőes do País, como a Universidade de Săo Paulo (USP) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), passaram a usar a nota do exame como um dos critérios para seleçăo de ingressantes. E foi, a partir de 2009, que firmou sua importância, com a criaçăo do Sistema de Seleçăo Unificada (Sisu), substituindo os vestibulares das instituiçőes federais para selecionar alunos.
Atualmente, é o exame que seleciona os estudantes para 240 mil vagas em 130 instituiçőes públicas brasileiras, além de particulares e de outros países, como Portugal. A adesăo das universidades ao Enem foi proporcional ao aumento da pressăo que passou a exercer em jovens, como Giovanna Castanheira, de 20 anos. Aluna de escola pública, ela enxerga a prova como a principal porta de entrada para o ensino superior.
“(O Enem) me dá um leque imenso de oportunidades. Se for bem, posso entrar em universidades do País todo”, diz a aluna, que estuda e trabalha para ter bolsa no cursinho Poliedro. No ano passado, ela chegou a ficar na lista de espera para uma vaga em Medicina na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Sua preferência é pela USP, que passou a usar o Enem também para selecionar alunos, além do vestibular próprio, a Fuvest. “Acredito que pelo Enem seja mais fácil, porque é uma prova mais ampla. Está bastante conteudista, mas ainda avalia outras habilidades do aluno, o que eu acho mais justo”, diz a jovem, que é filha de uma dona de casa e um motorista de ônibus e busca ser a primeira da família a fazer uma faculdade.
Aperfeiçoamento
Presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) na época da criaçăo do Enem, Maria Helena Guimarăes de Castro diz que o exame se firmou como uma das principais políticas educacionais do País e năo corre riscos, mas ainda precisa de melhorias. Para ela, a nova matriz curricular (que estabelece os conteúdos cobrados na prova) que está sendo desenhada é fundamental para o aperfeiçoamento.
“Até 2009 era mais uma prova de conhecimentos gerais, mas, quando se transformou em vestibular, ficou mais conteudista por uma demanda dos reitores. O problema é que, a cada pedido das faculdades, a matriz do Enem foi virando uma colcha de retalhos”, avalia.
Idealizadora do Enem e atual presidente do Inep, Maria Inês Fini diz que a nova matriz vai seguir as orientaçőes da Reforma do Ensino Médio e da Base Nacional Comum Curricular – ainda em discussăo – que só devem ser implementadas em 2021. “Vamos fazer os ajustes de acordo com o que a base nos indicar, que é uma visăo mais abrangente de aprendizado. Năo podemos só pensar nos conteúdos tradicionais e como avaliá-los, mas também associá-los a outras habilidades e competências adquiridas pelos alunos.”
Para Maria Inês, a discussăo atual sobre a matriz curricular marca o início da “terceira onda” do Enem. “Temos uma avaliaçăo forte e importante, reconhecida internacionalmente. Agora, ela vai ser aprimorada.”
Com 5,5 milhőes de inscritos para a ediçăo deste ano, o Enem é a segunda maior prova de acesso ao ensino superior do mundo, atrás apenas do Gaokao, o vestibular chinês, que tem anualmente cerca de 9 milhőes de inscriçőes.
Logística
Para as duas educadoras, uma mudança importante para os próximos anos é a forma de aplicaçăo do exame – e elas defendem que seja feito online. Maria Inês explica que, mesmo com o investimento em tecnologia, a aplicaçăo seria mais barata e segura. Em 2017, a prova custou R$ 505,5 milhőes – apenas 25% dos gastos săo cobertos pelo valor da taxa de inscriçăo, de R$ 82 – e envolveu mais de 600 mil pessoas na elaboraçăo, distribuiçăo, aplicaçăo e correçăo do exame.
“É muito espetaculoso e hoje já temos tecnologia que poderia tornar o processo mais simples e seguir o exemplo de grandes vestibulares do mundo, como o SAT nos Estados Unidos”, diz Maria Helena. Para ela, essa alteraçăo deveria ser uma das prioridades do próximo ministro da Educaçăo, já que a transiçăo para uma prova totalmente online pode demorar alguns anos. A digitalizaçăo também possibilitaria realizar o Enem mais de uma vez ao ano.
O candidato Fernando Haddad (PT) afirma que pretende aprimorar a produçăo da prova, ampliando os bancos de questőes para fazer várias ediçőes do exame ao longo do ano em versăo digital. Também afirmou que quer retomar o “caráter reflexivo” da prova para testar a capacidade de raciocínio e năo a de memorizaçăo. A campanha de Jair Bolsonaro (PSL) foi procurada, mas năo respondeu se tem alguma proposta para o Enem.
“Sempre podemos aperfeiçoar a prova, mas ela nunca vai deixar de existir. O Enem năo é do MEC, năo vai ser de Bolsonaro nem de Haddad. Ele é do Brasil, uma conquista do estudante”, diz Maria Inês.
deputado federal (2007-2010), senador (2011-2014) e governador (2015-2018)
“Boa tarde, minha gente”, é o cumprimento de Rodrigo Rollemberg ao subir em um palanque ou ao dar início a uma coletiva de imprensa. O tom familiar e a proximidade com o público fizeram parte dos últimos 60 dias em que o candidato peregrinou por todo o DF em busca do diálogo com os mais diferentes grupos sociais. Ao falar com o público, destacava ter entrado no governo com um rombo nos cofres que chegava a R$ 3 bilhőes, e colocava o ajuste das contas como um dos principais feitos do mandato.
Mas, para a reeleiçăo, ele prometeu ir além. “Com a casa arrumada, é a hora da virada”, tornou-se năo só a marca, mas também a principal promessa da campanha do socialista. E ele a repetiu por todos os cantos por onde passou. Andou de carroça pelo Sol Nascente, nadou na Praia Norte do Lago Paranoá, dançou em uma festa black no Plano Piloto e até entrou em uma rodinha punk no Porăo do Rock durante show do CPM 22.
No primeiro turno, conquistou 250 mil eleitores. Em 2014, 812.036 votos o elegeram governador. O socialista chega ao segundo turno quase 400 mil votos atrás do concorrente. O governador assumiu uma postura mais ofensiva e partiu para o ataque. O objetivo, segundo o socialista, era mostrar para a populaçăo “quem era Ibaneis”.
História
Nascido no Rio de Janeiro, Rollemberg chegou ao Distrito Federal em 1960, com um ano de idade. Filho de Teresa Sobral Rollemberg e do ex-ministro e ex-deputado federal Armando Leite Rollemberg, tem 13 irmăos, é casado com Márcia Rollemberg, com quem tem três filhos: Gabriela, Ícaro e Pedro Ivo. A entrada no cenário político ocorreu ainda na juventude, quando participou do movimento estudantil na Universidade de Brasília (UnB) e contribuiu ativamente para o processo de reconstruçăo da Uniăo Nacional dos Estudantes (UNE).
Disputou um cargo eletivo pela primeira vez em 1990, com 31 anos. Tentou uma vaga na Câmara Legislativa, mas acabou năo eleito. Em 1994 candidatou-se novamente, ficou como primeiro suplente, e assumiu por dois anos a cadeira de Wasny de Roure (PT). Elegeu-se efetivamente distrital em 1998 e, em 2002, disputou o Governo do Distrito Federal, ficando em quarto lugar. Em 2006, foi eleito deputado federal e, no pleito seguinte, virou senador da República.
Em 2014, conquistou o Palácio do Buriti em disputa contra Jofran Frejat (PR). Nos últimos quatro anos, além do reajuste das contas, teve como destaques no mandato o fechamento do Lixăo da Estrutural, a desobstruçăo da orla do Lago Paranoá, a reforma do Hospital da Criança e o programa de regularizaçăo fundiária, com mais de 63 mil escrituras, sendo o primeiro governador a atuar na regularizaçăo de condomínios.
(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
Ibaneis Rocha (MDB)
» Número na urna: 15
» Profissăo: formado em direito e proprietário da Ibaneis Advocacia e Consultoria
» Carreira política: estreante
Em um quadro cheio de nomes consolidados e sob a bênçăo das grandes famílias políticas do Distrito Federal, um outsider, que começou a corrida eleitoral com 1,4% das intençőes de voto, chega ao dia do segundo turno como favorito segundo pesquisas de intençăo de voto. Nascido em Brasília, o advogado de 47 anos era um desconhecido de grande parte do eleitorado de Brasília até julho deste ano e, agora, ostenta o mérito de ter conquistado 634 mil votos no primeiro turno das eleiçőes.
Advogado e dono de um escritório de advocacia que leva o próprio nome, Ibaneis construiu, durante a carreira, um patrimônio de R$ 94 milhőes, segundo declaraçăo à Justiça Eleitoral. Ele é o mais rico entre os 11 candidatos que disputaram o primeiro turno, e injetou R$ 3,4 milhőes do próprio bolso na campanha.
Em 14 de setembro, o advogado registrou um documento no Cartório do 1º Ofício de Protesto de Títulos de Brasília, em que se comprometeu a abrir măo do salário de governador, da residência oficial de Águas Claras e dos carros oficiais, além de honorários que o escritório comandado por ele recebe em causas envolvendo o DF.
Vida no Nordeste
A măe e o pai de Ibaneis săo de Corrente (PI) e vieram para Brasília em 1959. Ele nasceu em 1971, no Hospital de Base. Depois disso, os pais voltaram à cidade natal no Nordeste, onde Ibaneis cresceu. O emedebista voltou à capital federal no fim dos anos 1980 para ingressar no curso de direito no UniCeub. Atualmente, ele faz mestrado em gestăo pública pela Universidade de Lisboa, em Portugal.
O advogado tem dois filhos, Caio e Joăo Pedro, frutos do primeiro casamento. A atual mulher, Mayara Noronha, espera o terceiro filho do emedebista. O candidato sofreu uma Paralisia de Bell, causada por uma inflamaçăo no nervo facial que deixa um dos lados do rosto com fraqueza súbita.
A vida política de Ibaneis ganhou os holofotes no fim de julho deste ano, quando a candidatura dele ao GDF foi lançada por coligaçăo formada pelo MDB, Avante e PP. O advogado havia sido convidado pelo MDB para disputar o cargo no último ano, mas saiu do páreo para apoiar Jofran Frejat (PR). Com a renúncia do médico, o quadro mudou e o advogado voltou a assumir a cabeça da chapa.
No segundo turno, Ibaneis buscou unificar as forças políticas, sob a justificativa de que as antigas disputas no DF só prejudicaram a vida da populaçăo. Com a popularidade em alta entre o eleitorado, o candidato teve facilidade em garantir novos apoios e conseguiu o suporte de 20 partidos, além do MDB.
A arquivista Vânia Lúcia Rosa exibe um dos documentos de Bertha Lutz, na Câmara dos Deputados (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
A luta pela emancipaçăo social e política da mulher teve, na personagem de Bertha Lutz, um de seus ápices no século 20. A história da bióloga, ativista feminista e política poderia ter caído no esquecimento quando o incêndio no Museu Nacional do Rio de Janeiro queimou parte do acervo de uma das brasileiras mais importantes do século passado. Mas é impossível dissociar a conquista do voto feminino e o acesso das mulheres ao serviço público no Brasil da vida da bióloga paulistana. Foi no reconhecimento desta figura pública que a Unesco aprovou o arquivo de Bertha Lutz para o registro no Programa Memória do Mundo, nesta semana.
Bertha Maria Júlia Lutz foi uma das principais personagens na luta pelo voto feminino e consolidaçăo de direitos iguais entre homens e mulheres, principalmente a partir de 1919. Ela se destacava pelo controle em suas açőes e introspecçăo, segundo a professora de história do Brasil Teresa Cristina Marques, da Universidade de Brasília (UnB). “Esse autocontrole, atitude pública controlada, foi útil para abrir espaços, para ser ouvida em locais onde as mulheres à época năo colocavam o pé, como o congresso”, lembra Marques.
O acervo Feminismo, ciência e política: o legado Bertha Lutz está separado em quatro instituiçőes: Arquivo Nacional, Arquivo Histórico do Itamaraty, Centro de Documentaçăo e Informaçăo da Câmara dos Deputados e Centro da Memória da Universidade Estadual de Campinas. Em cada um dos espaços, os documentos e registros remetem a algumas das funçőes de Bertha, seja como parlamentar, bióloga ou ativista.
Riqueza
Na Câmara dos Deputados, há mais de 161 documentos da açăo política de Bertha. Entre os registros estăo projetos de lei, pareceres e vasta documentaçăo de quando ela foi deputada federal (1935- 1937). Para a arquivista Vânia Lúcia Rosa, da Câmara, um dos mais importantes documentos registra a participaçăo de Bertha Lutz na Constituinte de 1934. “Foi uma constituinte com participaçăo da sociedade, em que escolheram pessoas com representatividade em vários temas. A Bertha participou como cidadă. Ela encaminhou sugestőes para a elaboraçăo da Constituiçăo de 1934”, conta.
Entre esses documentos estăo guardadas cartas enviadas por outras mulheres ao entăo presidente Getúlio Vargas, em que se pede a exclusăo da participaçăo da ativista, caso ela fosse a única mulher representada nas reuniőes pré-constituinte. Há também o Projeto de Lei nº 623, de 1937, em que Bertha tenta criar o Departamento Nacional e o Conselho Geral do Lar, Trabalho Feminino, Previdência e Seguro Maternal, uma de suas principais propostas no curto tempo no Legislativo.
Como acessar
Os registros sobre a atuaçăo política de Bertha Lutz, guardados na Câmara, estăo liberados para a consulta da populaçăo. Para ter acesso aos documentos, é preciso entrar no site da Casa e fazer o pedido, por meio do Fale Conosco.
Cartas perdidas
O acervo de Bertha Lutz teve grande baixa em 2 de setembro, quando um incêndio destruiu o Museu Nacional do Rio de Janeiro. Lá, se encontravam cartas trocadas com sufragistas de outros países em que ela contava da mobilizaçăo que ocorria no Brasil e registros de encontros da Federaçăo Brasileira pelo Progresso Feminino (FBPF), fundada por ela em 1922.
Comércios que, normalmente, abrem aos finais de semana, como os shoppings, năo terăo expediente alterado (foto: Antonio Cunha/CB/D.A Press)
Os comércios do Distrito Federal funcionarăo normalmente no próximo domingo (28/10), dia do segundo turno das eleiçőes para governador e presidente da República. Surpermercados, feiras, farmácias e shoppings năo terăo os expedientes alterados, no entanto devem realizar um revezamento entre os funcionários, para que todos exerçam o ato de cidadania.
Assim como ocorreu no primeiro turno, em 7 de outubro, o Tribunal Regional Eleitoral do DF (TRE-DF) liberou a venda de bebidas alcoólicas. Com isso, bares, restaurantes e distrituidoras de bebidas funcionarăo sem restriçőes.
A votaçăo ocorre das 8h às 17h. Além do Distrito Federal, em 14 estados haverá eleiçăo para governador: Amapá, Amazonas, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rondônia, Roraima, Santa Catarina, Săo Paulo e Sergipe. Todos os eleitores do país devem comparecer às urnas para votar para presidente.
A arma do crime, um revólver calibre 38, foi apreendido pela polícia com os adolescentes (foto: Reproduçăo/Polícia Civil)
Um policial militar foi morto e teve o corpo jogado no Rio Paraíba, na madrugada desta sexta-feira (26/10), durante um assalto em Aparecida, interior de Săo Paulo. Os autores do crime, três adolescentes de 15, 16 e 17 anos, foram apreendidos depois de baterem o carro roubado do policial. Eles disseram que só queriam o automóvel, mas decidiram matar o soldado Douglas Gomes do Nascimento, de 34 anos, depois de um deles descobrir que ele era integrante da Polícia Militar.
Nascimento, que estava de férias e desarmado, foi rendido pelo trio na Vila Santa Terezinha, zona norte da cidade. Ao pegar os documentos do veículo, um deles descobriu que se tratava de um policial e os três decidiram matá-lo. O soldado foi atingido por dois tiros e teve o corpo lançado no Rio Paraíba. Os adolescentes levaram o carro, mas acabaram batendo num poste de iluminaçăo. Os ocupantes de uma viatura da PM que fazia patrulhamento abordaram os menores e, na verificaçăo dos documentos do veículo, apuraram que pertencia ao policial.
Na revista, os policiais acharam a arma, um revólver calibre 38. Os menores acabaram confessando o latrocínio. Os três foram encaminhados a uma delegacia da Polícia Civil e passariam por audiência de custódia nesta sexta. De manhă, equipes do Corpo de Bombeiros fizeram buscas no rio e resgataram o corpo do policial. Nascimento era morador de Cruzeiro, cidade da regiăo, e estava na PM havia quatro anos. Ele estava lotado na 1.a Companhia do 47.o Batalhăo da Polícia Militar da capital e passava as férias na regiăo.
Uma aula pública contra o fascismo estava sendo realizada a poucos metros de onde foi encontrado o veículo (foto: Fernando Frazăo/Agência Brasil
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O corpo de um homem foi encontrado na tarde de hoje (26/10) em um carro em frente à Faculdade Nacional de Direito, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), no centro do Rio de Janeiro. Segundo o Corpo de Bombeiros, o corpo, que apresenta ferimentos causados por disparo de arma de fogo, pertenceria a Mauricio Venâncio, de 54 anos.
A corporaçăo foi acionada às 13h13 para conferir a ocorrência. A Delegacia de Homicídios da Polícia Civil na Capital também já foi acionada e policiais estăo em deslocamento para o local.
O carro foi deixado na Rua Moncorvo Filho, que fica na regiăo central do Rio de Janeiro. Nos arredores, estăo pontos importantes como o Hospital Municipal Souza Aguiar, a Praça da República, o Arquivo Nacional e a Central do Brasil.
Na tarde de hoje, foi realizada uma aula pública contra o fascismo na calçada da universidade, a poucos metros de onde o carro foi encontrado. O Centro Acadêmico Cândido de Oliveira, que representa os alunos de Direito da universidade, informou em uma nota publicada em sua página no Facebook que o fato foi percebido durante a aula.
“O Centro Acadêmico Cândido de Oliveira [Caco] vem a público prestar as informaçőes que teve acesso, até entăo, sobre o ocorrido na FND: Um carro foi deixado com um corpo dentro na porta da faculdade na manhă de hoje, fato que foi percebido durante a aula pública que ocorria. Informamos que, ao que tudo indica, a pessoa dentro do carro năo faz parte do corpo social da FND. Pedimos que todos mantenham a calma e procurem os diretores do Caco para qualquer questăo”.
Carro roubado
Em nota, a Polícia Militar informou que o carro em que o corpo foi encontrado é roubado. O veículo é um Renault Sandero branco, de placa LSA 7216.
A nota da PM narra que policiais do 5º Batalhăo (Harmonia) patrulhavam a área quando foram chamados por uma equipe do Centro Presente, parceria público-privada de segurança que atua na cidade. Após acionar a Polícia Civil, responsável pela investigaçăo, os PMs continuam preservando o local.