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Entenda em oito perguntas como a crise na Ucrânia se transformou numa guerra

24 de fevereiro de 2022
em Noticias
Entenda em oito perguntas como a crise na Ucrânia se transformou numa guerra
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A crise entre Ucrânia e Rússia, que com a invasão russa deste dia 24 de fevereiro se tornou uma das mais graves em solo europeu nas últimas duas décadas, partiu de antigas divergências estratégicas entre Moscou e os países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Conheça abaixo a origem da crise e as opções que os envolvidos têm agora.

Qual é a origem da crise?

A Rússia e a ex-república soviética da Ucrânia vivem uma relação turbulenta desde a primeira década deste século, com a alternância em Kiev de presidentes favoráveis ao Ocidente e aliados de Moscou. Em 2013, por pressão da Rússia, o governo ucraniano desistiu de um acordo que poderia pavimentar a entrada do país na União Europeia. Isso levou a uma revolta nas ruas e à queda de Viktor Yanukovich, alinhado ao Kremlin.

Os anos seguintes foram marcados pela anexação pela Rússia da Península da Crimeia, sede da frota russa no Mar Negro e que havia sido cedida à Ucrânia na era soviética; pelo conflito entre separatistas pró-Moscou e o Exército local no Leste ucraniano; e pela retomada da candidatura de Kiev a uma vaga na Otan. Sob críticas de Moscou, o país estreitou seus laços com a aliança, e Vladimir Putin apontou que a adesão seria uma “linha vermelha”. A Rússia também estava incomodada com as recentes aquisições de armas por Kiev, incluindo drones de ataque turcos, e com seu possível uso contra os separatistas no Leste do país.

Em novembro de 2021, percebendo uma oportunidade nas dificuldades enfrentadas pelo governo de Joe Biden e suas divergências com os aliados europeus sobre como lidar com Moscou, Putin concentrou mais de 100 mil soldados na fronteira da Ucrânia, soando alarmes em Kiev, em Washington e na Europa de que estaria prestes a uma invasão, finalmente concretizada neste final de fevereiro.

Onde estão as forças da Otan e da Rússia na crise da Ucrânia

O que a Rússia queria?

Entre as “demandas de segurança”, apresentadas à Otan em dezembro, a Rússia exigia um veto permanente à entrada da Ucrânia na aliança, mas essa era apenas uma parte dos objetivos do país. Putin critica a expansão da organização rumo às fronteiras russas, que vem desde o fim da União Soviética em 1991, e cita uma promessa feita por líderes dos EUA e da Europa, nos anos 1990, de que o “limite” da Otan seria a Alemanha então recém-reunificada, algo que Washington nega.

Para Putin, as forças da Otan e dos EUA deveriam deixar os países do Leste europeu e suspender exercícios perto das fronteiras russas. Analistas veem nisso uma forma de a Rússia ver “oficializado” seu status de potência, com o reconhecimento de que as antigas repúblicas soviéticas na Europa são sua área de influência, mesmo sem considerar que muitas nações dessa região estão alinhadas ao Ocidente.

O que a Otan estava disposta a negociar?

Em sua resposta à Rússia, a Otan e os EUA deixaram claro que alguns pontos eram inegociáveis: o veto à entrada da Ucrânia, que significaria o rompimento da política de “portas abertas”; a retirada das forças do Leste europeu e, por fim, o status das armas nucleares localizadas em nações como a Alemanha e a Turquia.

A Rússia se declarou de forma veemente insatisfeita com as respostas do Ocidente, ao qual acusou de violar um pacto firmado em 1999 no âmbito de Organização de Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) no qual os países se comprometiam a não “fortalecer sua segurança à custa da segurança de outros Estados”.

Contudo, analistas ainda viam um caminho para a redução das tensões: a negociação, e em alguns casos renegociação, de acordos de segurança coletiva, a começar por um novo tratado sobre as armas nucleares de alcance intermediário — o texto anterior, de 1987, foi rasgado por Donald Trump em 2019, assim como outros acordos do tipo.

Após várias reuniões entre Putin, o americano Joe Biden e líderes europeus como o francês Emmanuel Macron e o alemão Olaf Scholz, o diálogo foi interrompido em 21 de fevereiro, quando o Kremlin reconheceu a independência das autoproclamadas repúblicas separatistas de Donetsk e Luhansk, no Leste da Ucrânia, comandadas por líderes pró-Moscou.

Qual era o objetivo da mobilização de forças pela Otan?

Ao aumentar seu contingente no flanco oriental em reação à mobilização de tropas russas, a Otan pretendia passar uma imagem de união para Moscou, sinalizando que a pressão sobre os ucranianos não serviria para inibir sua presença na área.

Mas, apesar das boas relações com os EUA e o Ocidente, a Ucrânia não é parte da Otan, e não se beneficia do chamado Artigo 5º, que considera um ataque contra um dos membros como um ataque a todos.

Além disso, embora a Rússia seja considerada uma adversária pelo governo Biden, a Ucrânia não tem para Washington a importância estratégica que tem Taiwan, por exemplo, cujo autogoverno atual impede que a China controle o estreito vital que a separa da ilha.

Quais são as opções da Otan após a invasão?

É consenso entre os países da Otan que a invasão é o pior cenário: afinal, há pouca disposição para enviar tropas para lutar contra a Rússia, e um conflito assim terá consequências duras também para a aliança.

Por isso, a prioridade é a aplicação de sanções, o que já vem sendo feito desde 21 de fevereiro. As medidas visam dificultar a negociação de títulos soberanos russos nos mercados internacionais e também punem líderes políticos e autoridades do governo russo. Além disso, a Alemanha suspendeu o licenciamento do gasoduto Nord Stream 2, que forneceria gás russo à Europa através do Mar Báltico e foi concluído em setembro.

Em termos militares, a aliança poderá agora ampliar o envio de armas a Kiev e fomentar grupos armados de resistência.

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