Mensagens trocadas entre o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, tornadas públicas no contexto das investigações envolvendo o Banco Master, trouxeram novos detalhes sobre a relação entre os dois e sobre as tratativas relacionadas ao filme “Dark Horse”, produção inspirada na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em uma das conversas divulgadas, Flávio convida Vorcaro para um jantar reservado em São Paulo com o ator Jim Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh, nomes ligados ao projeto cinematográfico. O diálogo indica que, naquele momento, o assunto tratado estava diretamente relacionado à produção do filme e à aproximação do banqueiro com integrantes da equipe responsável pelo longa.
A revelação passou a ser usada por aliados de Flávio Bolsonaro como argumento de que parte das conversas mantidas com Vorcaro tinha finalidade profissional e estava ligada à busca de apoio financeiro para o projeto. A defesa política do senador sustenta que os contatos não seriam, por si só, prova de corrupção ou de qualquer acordo ilícito.
No entanto, os documentos divulgados também mostram que a Polícia Federal considera Flávio um “interlocutor direto” de Vorcaro nas tratativas envolvendo o financiamento de “Dark Horse”. Segundo a investigação, aparecem referências a cobranças de pagamentos, reuniões presenciais e acompanhamento do andamento das gravações.
A apuração ganhou força depois da quebra de sigilo e da retirada do segredo sobre parte dos documentos do caso. O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizou medidas no inquérito, enquanto outros atos posteriores ampliaram a publicidade de peças relacionadas às investigações do Banco Master.
Reportagens publicadas nesta semana apontam que os investigadores apuram suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e outras possíveis irregularidades ligadas às transferências destinadas ao filme. Flávio e outros envolvidos negam práticas criminosas e afirmam que os recursos tiveram finalidade legítima.
Por isso, embora o convite para jantar com ator e diretor confirme que havia conversas concretas sobre o projeto cinematográfico, esse conteúdo não é suficiente para concluir que toda a relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro se limitava exclusivamente ao filme, nem para afastar automaticamente as suspeitas investigadas.
O episódio agora entra no centro da disputa política e jurídica em Brasília. De um lado, aliados do senador dizem que as mensagens reforçam a versão de que havia uma tentativa legítima de viabilizar uma produção audiovisual. De outro, investigadores seguem examinando a origem, o destino e a forma como os recursos foram movimentados.
O caso permanece aberto, e novas mensagens, documentos e depoimentos poderão definir se as tratativas foram apenas comerciais ou se existiram irregularidades.
A divulgação das conversas também aumenta a pressão por transparência, porque permite comparar versões apresentadas publicamente com o material recolhido pela Polícia Federal. Até o momento, não houve decisão definitiva reconhecendo crime por parte de Flávio Bolsonaro nesse episódio. A existência de investigação significa que autoridades buscam esclarecer fatos, e não que haja culpa estabelecida. A conclusão dependerá da análise completa das provas reunidas no inquérito e de eventuais manifestações da Justiça.
O convite para jantar com Jim Caviezel e Cyrus Nowrasteh foi efetivamente divulgado, enquanto a PF afirma que Flávio aparece como interlocutor direto nas tratativas relacionadas ao financiamento do filme.



