O fim da escala 6×1 e a redução da jornada máxima para 40 horas semanais podem alcançar mais de 2,6 milhões de trabalhadores com carteira assinada no Estado do Rio de Janeiro. Esse contingente equivale a 72,7% dos 3,6 milhões de celetistas fluminenses com jornada registrada, conforme levantamento do Sebrae-RJ baseado na Rais 2025, do Ministério do Trabalho.
Do total, aproximadamente 1,3 milhão de pessoas trabalham em micro e pequenas empresas. Durante o período de transição previsto na PEC, os empregadores poderão reorganizar escalas, turnos e processos internos. Além disso, a entidade aponta a necessidade de rever caixa, gestão de pessoas, preços e canais digitais.
Fim da escala 6×1 e os grupos mais expostos
Os dados indicam que trabalhadores com menor escolaridade estão mais concentrados em jornadas acima de 40 horas semanais. Entre aqueles com ensino fundamental incompleto, 85,6% têm contratos acima desse limite. Já entre pessoas com ensino superior, o percentual é de 47,4%.
Jovens de 18 a 24 anos também aparecem entre os grupos mais expostos: 81,8% trabalham mais de 40 horas por semana. Na divisão por gênero, homens representam 62,1% dos trabalhadores com jornada longa. Já entre as mulheres celetistas, 66,8% têm contratos acima de 40 horas.
Pretos e pardos somam 59% dos trabalhadores desse grupo. Entre pessoas pretas, o percentual de jornadas superiores a 40 horas chega a 75,7%; entre pardas, a 76,6%.
Renda, tempo de emprego e porte das empresas
Quem trabalha mais de 40 horas recebe, em média, R$ 3.158 por mês. Em comparação, a média salarial dos trabalhadores com contratos de 40 horas é de R$ 8.098. O tempo médio no emprego também difere: são 51 meses para quem tem jornada mais extensa, ante 64 meses entre os demais.
Nas micro e pequenas empresas, 80,1% dos vínculos ultrapassam 40 horas semanais. Já nas médias e grandes, a proporção é de 66,6%. A diferença aparece também conforme o número de funcionários: estabelecimentos com até quatro empregados têm 80,8% dos vínculos acima de 40 horas, enquanto aqueles com 100 ou mais registram 64,9%.
Setores e ocupações com jornadas mais longas
Hotéis, comércio e construção civil lideram a proporção de jornadas longas, com 92,4%, 92,2% e 91,2%, respectivamente. Além disso, em números absolutos, faxineiro, vendedor do varejo e operador de caixa estão entre as ocupações com mais trabalhadores acima de 40 horas.
Entre atendentes de lojas e mercados, 94,1% têm contratos com jornada superior a 40 horas. Assim, os dados mostram a concentração de jornadas extensas em diferentes atividades e portes de empresas.
Onde estão os trabalhadores no estado
A cidade do Rio concentra o maior número de trabalhadores com jornadas acima de 40 horas: 1,28 milhão de pessoas. Em termos proporcionais, porém, outras regiões apresentam índices maiores. O Centro-Sul registra 88,1%, seguido por Baixada Fluminense, Médio Paraíba, Costa Verde e Região dos Lagos.
Entre os municípios com pelo menos 5 mil celetistas, Itatiaia, Paraíba do Sul, Porto Real, Magé e Barra do Piraí têm os maiores percentuais de jornadas acima de 40 horas. Depois da capital, Duque de Caxias, Niterói e São Gonçalo reúnem os maiores contingentes. Portanto, a possível mudança na jornada poderá alcançar diferentes realidades do mercado de trabalho fluminense.



