A Globo demitiu Manuel Belmar, CFO e um dos principais executivos do grupo, no início da noite desta quinta-feira (3). A informação foi divulgada pela revista Veja e repercutida pelo UOL. Segundo a apuração, a saída está relacionada à estratégia adotada para os direitos de transmissão da Copa do Mundo de 2026, que permitiu o avanço de concorrentes como o SBT e a CazéTV.
De acordo com a Veja, Belmar foi considerado internamente o principal responsável pela decisão de abrir mão da exclusividade de parte dos direitos do Mundial. A avaliação teria ganhado força diante do desempenho da CazéTV, que ampliou sua presença no ambiente digital e passou a disputar espaço com a Globo durante a competição.
A negociação também teria sido questionada por causa da divisão dos direitos entre diferentes plataformas. Segundo o UOL, a Livemode, dona da CazéTV, adquiriu os direitos do Mundial e os sublicenciou ao SBT e à N Sports. A Globo, que manteve uma participação na transmissão, deixou de concentrar a exclusividade que possuía em edições anteriores.
O episódio ganhou ainda mais repercussão porque a Copa de 2026 marcou uma mudança importante no cenário das transmissões esportivas. A CazéTV, que havia estreado na Copa de 2022, consolidou-se como concorrente relevante no digital. O UOL informou que, naquele Mundial, a plataforma alcançou 44% do público, enquanto a Globo registrou 82% na TV aberta e 15% na TV fechada, segundo dados citados na reportagem.
Apesar da pressão relacionada à estratégia, Belmar vinha sendo considerado um executivo de destaque dentro do Grupo Globo. Ele ingressou na empresa em 2003, passou pela Infoglobo e pela Globosat e acumulou funções nas áreas de finanças, jurídico, infraestrutura e produtos digitais. Também liderou a Agenda ESG da companhia.
Em 2025, o executivo recebeu reconhecimento do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças, que o escolheu como Executivo do Ano e concedeu o prêmio O Equilibrista. A trajetória, no entanto, não impediu que a negociação dos direitos da Copa se tornasse um dos principais fatores associados à sua saída.
A demissão ocorre em meio à avaliação de que a Globo precisa rever sua estratégia diante da transformação do mercado audiovisual. O avanço de plataformas digitais, a disputa por audiência e a fragmentação dos direitos esportivos aumentaram a pressão sobre as emissoras tradicionais. No caso da Copa de 2026, a decisão de compartilhar parte dos direitos acabou colocando a Globo diante de uma concorrência mais forte, especialmente na internet.

Até o momento, a informação sobre a responsabilização de Belmar permanece baseada em reportagens de bastidores. A Globo não apresentou, nas fontes consultadas, um comunicado público detalhando os motivos do desligamento.




