Lulinha e a lobista Roberta Luchsinger aparecem juntos em fotos de viagens divulgadas nesta quarta-feira. Em uma das imagens, os dois estão a bordo de um jatinho Embraer Praetor 600, avaliado em mais de 20 milhões de dólares.
Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, é o filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A Polícia Federal (PF) investiga ele e Roberta por suspeita de tráfico de influência na intermediação de contratos com o governo. Ambos negam irregularidades.
Lulinha e lobista aparecem em viagem à Finlândia
De acordo com as informações divulgadas, a foto a bordo do jatinho teria sido feita durante uma viagem à Finlândia, no início do ano passado. Em outra imagem, Lulinha e Roberta posam ao lado do empresário Marcelo Checon, proprietário da MChecon Design e Cenografia, durante uma comemoração.
A empresa de Checon atua no setor de eventos e assinou 13 novos contratos com o governo federal nos últimos três anos. No mesmo período, seu faturamento cresceu 323 vezes e chegou a 63 milhões de reais.
Defesa nega irregularidades e questiona divulgação
O advogado de Lulinha, Marco Aurélio Carvalho, negou que o filho do presidente tenha cometido irregularidades. Segundo ele, as viagens ocorreram por causa da amizade entre Lulinha e a empresária. Além disso, o advogado questionou a divulgação das imagens às vésperas das eleições.
Carvalho afirmou que a defesa considera especulativa a tentativa de atribuir responsabilidade a Roberta. Além disso, disse que, na avaliação dos advogados, não há um caso criminal porque não existiria crime ou ato de ofício. Ele classificou as diligências como “pesca probatória”. A reportagem também procurou a defesa da empresária.
PF pede mais prazo para concluir diligências
Nesta terça-feira, a PF pediu a prorrogação do prazo de duas investigações sobre Roberta e Lulinha. Em seguida, o pedido seguiu para o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator dos dois inquéritos. Uma terceira investigação envolvendo a dupla está sob relatoria do ministro Flávio Dino.
Em nota, a defesa de Lulinha chamou o pedido de prorrogação de “mais clara e genuína expressão” de pesca probatória. Segundo os advogados, a expressão se refere a investigações genéricas sem alvo definido.
A PF também solicitou à área técnica informações sobre vínculos societários e movimentações bancárias de Lulinha, além de registros de agendas dele e de outros investigados em órgãos públicos. Os investigadores pediram ainda o levantamento de viagens dos envolvidos no Brasil e no exterior.
Em ofício, a PF justificou que várias diligências ainda aguardam conclusão, sobretudo pelo pouco tempo transcorrido desde que foram determinadas. Por isso, os investigadores pediram mais prazo para finalizar as medidas em andamento.
O pedido foi feito no início de outubro, quando terminou o prazo inicial de 60 dias. No último sábado, Roberta afirmou em entrevista à CNN que Lulinha se reunia “semanalmente” com ministros do governo e disse ter a intenção de fazer uma delação premiada. A empresária também declarou estar indignada por ter se tornado, em suas palavras, “boi de piranha” nas investigações da PF sobre suspeita de tráfico de influência.



