Nesta quarta-feira (21), a Justiça de São Paulo aprovou o processamento da recuperação judicial da Casas Bahia. A varejista busca reestruturar R$ 17,3 bilhões em dívidas com mais de 28 mil credores.
A empresa tem 30 dias para entregar documentos pendentes ao juízo. Caso não cumpra o prazo, a Justiça poderá revogar a decisão.
Recuperação judicial exige documentos complementares
A juíza Tainá Maria Leonardo de Oliveira, da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), determinou que o grupo apresente fluxos de caixa individualizados das seis empresas. Além disso, a lista de credores segue em atualização.
Na decisão, a magistrada afirmou que as pendências podem ser esclarecidas ou complementadas e não impedem, por si só, o processamento do pedido.
A juíza manteve ainda a proteção de 180 dias contra a execução de dívidas, conhecida como stay period. A medida havia sido concedida em agosto, depois que a companhia relatou uma “corrida de credores contra o patrimônio” desde a abertura do processo, em 16 de agosto.
Além disso, a AJ Ruiz Consultoria Empresarial foi nomeada administradora judicial. A empresa deverá avaliar se há necessidade de prorrogar o prazo do stay period.
Perícia aponta queda nas vendas digitais
A Casas Bahia atribui a crise aos juros elevados, à restrição de crédito e à pressão sobre o consumo. Como parte da reestruturação, fechou quase 300 lojas e demitiu 3 mil funcionários.
Uma perícia judicial identificou redução de estoques, áreas ociosas em alguns centros de distribuição e 4,6 mil funcionários a menos no quadro em agosto. Além disso, as vendas digitais recuaram 35% entre julho e agosto.
A ACFB Administração Judicial realizou a análise em 744 lojas e 29 centros logísticos. O grupo continuava operando, embora o laudo tenha apontado sinais de retração em parte da estrutura.
Em seguida, os peritos registraram atividade irregular em nove lojas e três centros de distribuição. Já a fábrica da Bartira, marca de móveis do grupo, funcionava normalmente.
Na operação on-line, a equipe fez sete compras pelos canais digitais da Casas Bahia. Além disso, todos os pedidos chegaram dentro dos prazos informados.
Apesar disso, entre julho e agosto, as vendas digitais caíram 35,3% em valor transacionado. O número de pedidos também diminuiu: passou de 1.068.648 para 706.335 registros, uma redução de 33,9%.
Em 17 de agosto, a empresa protocolou o pedido de recuperação judicial para reorganizar as operações e negociar as dívidas com os credores.


